No início da semana, naquelas lembranças do Facebook (às vezes elas trazem ótimas recordações, tenho que admitir), veio o tal Dia Nacional da Poesia, eu como apaixonada por versos que sou – já tive meus dias de aprendiz de poetisa, vejam só, até blog de poesia nos tempos do blogger eu tive – logo, encontrei um belo motivo pra vir até aqui publicar algo pra vocês… Tenho que aproveitar que a maré da inspiração tá do meu lado, né! Então, uma historinha rápida…

Até bem pouco  tempo atrás e desde 1977, 14 de março era considerado (embora não oficialmente) o Dia Nacional da Poesia – data escolhida em homenagem à Castro Alves, o “Poeta dos Escravos”,  poeta do movimento romântico, pelo dia de seu aniversário. Escrevi sobre a data aqui também: 2014, 2013. Infelizmente, ninguém levou à sério o projeto de lei que oficializava a data e ele foi arquivado.

Eis que em 2015 resolveram levar o tema mais à serio e finalmente decretam o dia 31 de Outubro como sendo então – oficialmente agora – a data em que se comemora a poesia no Brasil. Esse é o dia em que se comemora o aniversário de Carlos Drummond de Andrade, um dos poetas brasileiros mais queridos e talvez um dos mais lembrados e influentes poetas e cronistas da geração pós Semana de Arte Moderna de 1922. Achei justo e acho que ele representa muito bem poetas e poetisas brasileiros.

Porém, como sou rebelde e meu amor por poesia é maior que o mundo, cá estou eu pra deixar um rastro de palavras bonitas pra incentivar vocês a colocarem mais poesia nos seus dias!!! Poesia é vida, gente… E como conversava mais cedo no Instagram, não é preciso saber “ler poesia”, basta deixar as portas e janelas do coração abertas para a beleza dos versos entrar!

Já de pequena, na escola, minha alegria eram os dias em que a professora de português resolvia que a aula seria só de poesia. Tirava meu caderninho da mochila, o dicionário, minhas canetas coloridas e bem faceira ajeitava tudo – naquela classe verdinha da cor do meu uniforme de trabalho hoje, só boas lembranças – métricas, rimas, versos livres, não importa se certo ou errado, nem a professora ligava se a rima era ruim, ir soltando devagarinho os pensamentos naquelas folhas era como se eu fosse desenrolando um novelo na minha cabeça e fazendo as linhas se transformarem em palavras que no final pareciam até um arranjo. Um belo arranjo pra vida! É claro que naquele tempo minhas rimas tinham mais a ver com as brincadeiras de roda, os objetos em si.

Aí vem a adolescência, os primeiros amores, aquele melodrama todo e as poesias ganham novos contornos e algumas folhas perdidas em tantas lágrimas. É fogo a adolescência, até para os “poetas” de plantão! Uns anos depois eu lia essas poesias e pensava: – Meu Deus, como eu era dramática nas questões do coração! A vida ensinando.

Quando o Airton Senna morreu, eu fiquei mal muitos dias, era um ídolo pra mim (ainda mais quando ele namorou a Xuxa – me julguem, hahaha – porque eu era fã mesmo) e para o meu pai, o sofrimento pela perda dele foi tão grande, tão verdadeiro, que escrevi umas dez páginas de prosas e poesias pra ele, todos diferentes, todos tão genuínos, bem como a poesia é: ela surge das profundezas da alma e extravasa em cada verso! E gente, eu amava madrugar  no domingo e correr pro quarto dos meus pais pra assistir a corrida – e ver o Senna ganhar, claro! Era óbvio que ele merecia muitas homenagens!

Mais crescida, tendo que assumir a vida adulta – ainda que contrariada, tendo que trabalhar, pagar estudos e tudo mais, a poesia ficou em segundo, terceiro, quarto plano. Quase não escrevia mais. Esporadicamente criava alguma coisa pra ajudar as amigas a conquistar seus namoradinhos, nada mais. E com a vida cada vez mais entrando  naquele ritmo frenético bem típico dessa fase da vida, ao invés de escrever, me joguei na leitura dos meus poetas e das minhas poetisas mais queridos.

E como Castro Alves deu lugar a Drummond e eu sou das rebeldes, e já postei versos dos dois por aqui em outros momentos, hoje vou deixar pra vocês uma das minhas últimas aquisições – aproveitando a campanha #leiamulheres – uma Antologia Poética de Florbela Espanca (deem um Wiki pra conhecer mais sobre ela), poetisa portuguesa que viveu por apenas 36 anos, deixando um legado de poemas belíssimos. Minha escolha pra hoje:

“Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu olhar eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todos os fantasmas tristes e pressagos!

A Vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor!… As nossas bocas juntas!…

(Florbela Espanca, Livro de Sóror Saudade – 1923 – Antologia Poética de Florbela Espanca, 2015)

 

Não sei se vocês curtem poesia, se costumam parar um pouquinho no dia pra ler alguns versos (as redes sociais estão repletas de novos poetas, Zack Magiezi, Eu Me Chamo Antonio, Clarice do Pó de Lua…), mas recomendo muito que experimentem!

Por mais poesia na vida!♥

Beijos,

2 pessoinhas leram, curtiram e recomendam este post!

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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