[blockquote source=”Rodrigo Santoro”]Os conceitos são novos e ainda se misturam. Afinal, qual é o nome que se dá para um rico empresário que decide doar toda sua fortuna para desenvolver o setor social? Ou para um ativista que de tanto protestar inicia um movimento que acaba mudando tudo ao seu redor? Afinal, quem é o empreendedor social?[/blockquote]

Durante a I Jornada sobre a Qualidade de Vida no Trabalho que aconteceu segunda-feira no HCPA, hospital onde trabalho, foi levantada uma questão muito bacana de se discutir e refletir: em meio a tantos problemas sociais, a tanto descaso do governo, tanta violência, desigualdade e outras situações que deveriam ser inconcebíveis, quem se importa em fazer pelo outro, quem se importa em olhar no fundo dos olhos do outro e enxergar além da simples condição humana, quem se importa com a pessoa que cruza seu caminho todos os dias e mal te dá bom dia?

Ali a situação eram as relações de trabalho, a união pela luta dos direitos da enfermagem e a forma como as pessoas que trabalham na área interagem e se apoiam, em como apesar de termos um trabalho assistencial, que cuida de pessoas em sofrimento, seja por doença física ou psicológica, na hora de nos comunicarmos ou de sermos parceiros dos nossos colegas, fica clara a indiferença, a disputa, a falta daquele “olhar o próximo” que tanto aplicamos em nosso dia a dia. Um fato triste e bem comum.

Agora, e fora do trabalho? Em casa, com os vizinhos, com aquela casa de idosos do bairro, com as crianças que internam sem familiares, que os pais (que nem deveriam ser assim chamados) abandonam na primeira internação… Naquela vila sem saneamento, onde as pessoas não tem acesso à tratamento de esgoto, a luz, nem a uma moradia decente. E as escolas – as que conhecemos, as que nossos fillhos, ou filhos de amigos e parentes frequentam são bem ajeitadas, tem atividades diversas, bons professores, pátio e até ginásio. Mas alguém já vivenciou a experiência de uma escola que é um casebre mal iluminado, úmido, cheio de fendas nas paredes, sem classes, com um professor para crianças de todas as idades, sem material didático, tendo a rua como pátio e talvez algumas árvores como atividades lúdicas?

Eu poderia entrar a noite citando milhares de situações e vocês se quisessem com certeza também teriam outros milhares de exemplos. Todos sabemos, mas nem todos conseguimos olhar pra fora e analisar friamente o que acontece. Muito menos ir alem e fazer algo pra mudar isso. Eu me enquadro nos que conhecem, reconhecem, sonham em ajudar, mas que acabam ficando presos em suas redomas de concreto, com medo da violência, da enganação, da falta de caráter de alguns somada a falta de esperança e desespero total.

Quem se importa com tudo isso e mais um pouco do que falei aqui? Alguns, poucos, bem poucos… Que fazem diferença mesmo, conta-se no dedos das mãos!

Essa questão levantada lá na Jornada falava de um vídeo e de um projeto, o nome desse projeto já dá pra imaginar: Quem se importa?

[blockquote source=”Premal Shah, no filme Quem se importa?”]Não pergunte do que o mundo precisa,pergunte o que te faz sentir vivo, porque o que o mundo precisa é de pessoas que se sintam vivas.[/blockquote]

 O filme é um longa metragem dirigido e produzido por Mara Mourão, que é formada em Cinema e também foi a diretora de Doutores da Alegria, de 2005. Esse longa mistura animação, cenas gravadas em diversos países (incluindo o Brasil) e em três idiomas, e aqui é narrado por Rodrigo Santoro. Mais que um filme, é considerado um movimento inspirador capaz de transformar o mundo através de empreendimentos sociais em pequenas e médias comunidades, ongs, escolas e onde mais for possível e necessária uma transformação social.

O trailer oficial é este aqui:

O filme é incrível, quem tiver oportunidade, assista. No site tem muita coisa boa pra ler e entender melhor do que se trata o documentário e o projeto, além do filme para comprar.

O objetivo do filme e dos criadores dele é justamente criar um impacto social que seja capaz de transformar o mundo a nossa volta, transformar as pessoas em empreendedoras sociais capazes de ir adiante em seus projetos sociais, não importando o alcance que tenham, mas que esse impacto possa se transformar em políticas públicas com poder de mudança social.

Em hospitais, as políticas públicas são uma constante, e atendem tanto a rede pública quanto a privada, os conceitos e ações são exatamente os mesmos, mudando apenas os profissionais e as verbas. Políticas públicas devem atender à todos os cidadãos, sem exceções. Isso em saúde, em segurança, em educação, em habitação… E embora tenha muitas vezes ligação com os governos, não necessariamente precisa ser criada nas câmaras ou nos palácios, qualquer pessoa com uma ideia transformadora aliada com alguém que possa arcar com as despesas do projeto está apta para ir adiante, para atrair mais pessoas e formar uma rede de bons projetos, e se essa rede der certo, se essa ação funcionar para uma maioria, quem sabe não se transforma em política pública, se oficializa e assim se atente à todos? Acredito que seja essa a intenção, e acredito que pequenas mudanças se transformam em grandes conquistas.

Desculpem pelo texto enorme, mas quis muito compartilhar com vocês esse vídeo desde que assisti. Se puderem assistam também, leiam sobre o assunto, depois me contem o que acharam, pois rende uma bela discussão e mais pra frente, quem sabe também não façamos nascer um projeto!

Imagens via: Adoro Cinema

 

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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