– Espera, deixa eu tirar essa poeirinha aqui, pronto, pode chegar. Pega teu cafezinho – tá fresquinho – e senta que lá vem história… ♥

Bem, de tempos em tempos rola uma “bad criativa” por aqui, né! Quem me acompanha desde sempre já sabe, não sou boa com prazos e muito menos com acertar a agenda do trabalho com a do blog. Aí passo meses sem escrever uma linhazinha sequer. E tem tanta coisa pra escrever, sempre tem. E tantas coisas pra contar, compartilhar… Mas é o branco, a preguiça, a fase pré-ferias –  que já está à algumas horinhas de acabar :( – enfim.

O fato é que estava rolando um projetinho paralelo – 50% culpado por essa ausência aqui – que alguns de vocês até devem ter ficado sabendo pelo Instagram ou pelo Facebook. Explicando rapidinho: três amigas e eu resolvemos criar o 4 Coffee Sessions – um quarteto numa busca fotográfica e de contação de histórias por lugares cafeinados e com alma. Enfim, foram alguns meses pensando, idealizando e tentando colocar em prática o que ainda estava no plano das nuvens.

O segundo fato é que a correria do dia a dia de cada uma (trabalho, estudos, projetos paralelos pessoais + final de ano) meio que nos trancou e resolvemos seguir para onde o barco estava nos levando: de volta pra casa. Retiramos tudo do ar (porque tudo hoje em dia custa algum dindin) guardamos com carinho, alguns posts aleatórios a Paula (Eu, Barista) e eu vamos publicando. A Mari segue alimentando o Instagram lindo dela, sigam lá! A Élin segue nos inspirando com seus projetos criativos lindões. E seguimos nos encontrando quando a agenda permite para uma prosa cafeinada e cheia de amor,  com muitas coisas em comum, apenas sem o Sessions. ♥

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Recapitulando, essa fase danada de falta de inspiração sempre me deixa muito cabreira, muito triste mesmo porque o que mais amo fazer na vida – além de ler, é escrever. Escrever aqui. Eu abria o painel do blog e ficava horas contemplando o vazio da tela. Eu abria a página, relia os posts antigos e nada, nada, nada me fazia florescer ideias. Nesse ponto eu tomei uma atitude drástica: fui fazer cursos de escrita, de midias sociais, de influência digital e tudo mais que apareceu. Também aproveitei pra fazer cursos aleatórios de coisas totalmente novas pra mim e voltei a ler artigos ao invés de só rolar a timeline do Facebook (blé) sem rumo certo!

Numa dessas minhas andanças virtuais dei de cara com o texto da Marcela (Oi, Ma, amo teus textos <3) para a Flamingo WTF no Medium: esse aqui, pode ler sem medo de ser feliz!

Não é difícil encontrar gente que acredita que pessoas que trabalham com criatividade são unicórnios e vivem numa nuvem de algodão doce. É triste ter que desapontar, mas na maior parte do tempo existe frustração, procrastinação, bloqueio, chateação e falta de fé no próprio potencial. (Marcela Vitória)

Esse texto não me fez voltar pra minha nuvem de algodão doce (eu bem queria). Fiz uma viagem pra dentro, lembrei de todas as vezes que perdi horas a fio olhando pro Pinterest ou pro Instagram alheio pra ver se alguma ideia brilhava no fundo do túnel e nada, nenhum barulho. Lembrei de todos os blogs que li, que observei o design, o layout, a forma de escrever dos outros esperando, claro, um grande estalo, uma ideia genial e mais uma vez, nada, vazio, nulo. E me dei conta de que fazia um tempo que eu não sentava no chão, que eu não olhava as estrelas nem a lua linda e brilhante no céu, que não ia até a pitangueira colher algumas frutinhas e já devorá-las ali mesmo, que não fechava o guarda-chuva e deixava os pingos tocarem meu rosto. Eu me dei conta também (até com uma certa melancolia) que não lembrava mais como antes a minha infância com meus avós, com meus pais, irmãos e primos. Era capaz de esquecer os detalhes dessas memórias tão boas, tão felizes e tão simples se continuasse nessa vidinha.

Eu sei, isso aqui tá virando um textão sem fim, né. Mas aguenta firme que já, já termino. ♥

E nessa viagem pra dentro eu aproveitei pra fazer aquela tão desejada visitinha às melhores lembranças da infância, me sentei no tapete do quartinho aqui de casa, puxei a máquina de escrever do meu tio e um livro de poesia que adoro (do Manoel de Barros), me servi de um café recém coado e viajei no tempo.

Digitei algumas poesias ali e lembrei do curso de datilografia que fiz ainda criança porque poderia ajudar na busca por emprego quando fosse maior. Do professor com uma cara de bravo que fazia a gente digitar muito muito rápido e sem olhar pro teclado (obrigada, professor “não lembro o nome”), nos dias de prova ele encaixava no teclado um obstáculo de madeira e não havia jeito de espiar por baixo dela pra colar as letrinhas. Ô agonia.

Nesse tempo meus avós eram todos vivos (e a saudade agora bate como nunca aqui no peito). O que eu mais curtia desse tempo era acordar cedinho e acompanhar meu vô no seu chimarrão matinal. A luz da manhã batendo no fogão a lenha era tão linda, tão dourada. Parecia mágica aquele efeito todo entrando pela janela, batendo na cortina quase transparente até o fogão e refletindo nas pernas finas do vô e nas sandálias gastas que ele nunca tirava do pé.

Li mais algumas poesias do Manoelzinho e minha mente foi se desanuviando, clareando, entendendo um pouco mais do que a Ma falou no seu texto e vendo que, obvio, é na simplicidade das coisas e na nossa singularidade que está a inspiração. Oh boy! Meu horizonte estava logo ali, está logo ali. Enquanto eu reservo alguns minutos do dia pra essas pequenas contemplações do cotidiano e das memórias, volto aqui, dou uma repaginada leve nesse cantinho e escrevo esse textão.

É como se sentir livre de novo, com o direito de visitar as nuvens tocando o chão ao mesmo tempo, ouvir os passarinhos cantando de madrugada e sentir a felicidade deles em cada nota, como se estivessem – santa imaginação – numa rodinha de conversa das boas.

Guardo a velha máquina e devolvo Manoel na prateleira, no seu lugarzinho especial. O das poesias encantadoras de gente que gosta de desanuviar de quando em vez.

E vocês todos são sempre bem-vindos por aqui ou por aí, num cafezinho ou numa livraria qualquer. Me chamem que eu vou!

Espero que ainda estejam por perto. Deem um oizinho… Oieee!!!

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Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

4 comentários

Regina · 3 de dezembro de 2016 às 11:26

Fico feliz de ver um post seu aqui, Nine . Imagino o quanto você dedique algumas horas neste blog e fico admirada por você fazer tanta coisa … ler , escrever, postar, trabalha e cuidar de sua vida pessoal . Mas logo você e suas amigas voltam com o projeto, eu achei muito interessante e irei torcer por isso . Afinal não foi por acaso que vocês tiveram a ideia de fazer esse projeto .

    Nine Copetti · 3 de dezembro de 2016 às 22:56

    Na vida da gente são tantas as coisas que a gente deseja que até entendemos quando não dá pra fazer tudo, porque simplesmente não dá mesmo! Aos poucos tudo vai se encaminhando e o que é importante permanece ou retorna pra nós! E feliz fico eu por ler um comentário teu aqui no blog! Obrigada sempre pelo teu carinho! Beijos mil!

Paula Alves · 21 de novembro de 2016 às 11:07

Oiiiii!!!
Que linda surpresa, nesta linda manhã de segunda, te ver de volta por aqui.
Quem sabe, eu volte também ;)
Bj, amiga
Paula Alves

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