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Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!… E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas…

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…

Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!

(A Rua dos Cataventos – I)

 

Há 106 anos – mais exatamente, no dia 30 de Julho de 1906 – nascia um poetinha muito querido dos gaúchos, quiçá dos brasileiros: Quintana, Mário de Miranda Quintana!

Já não está fisicamente entre nós desde 1994, mas sua poesia continua inspirando crianças, jovens, adultos e velhinhos, suas obras encantam, trazem uma serenidade e uma simplicidade como poucos conseguiram. Capaz de transformar simples palavras em algo tão magico e bonito! Poético!

Além de grande poeta, foi também jornalista e tradutor! Publicou muitos livros e chegou a ser indicado e a receber alguns prêmios da Academia Brasileira de Letras, mas nunca foi aceito, e quando uma nova chance apareceu com garantias de unanimidade de votos, quem não quis foi ele (eu faria o mesmo, ABL se transformou em palco político, perdeu toda essência de sua fundação, e não é de agora, não!).

Natural de Alegrete, desde os 20 anos morou em Porto Alegre, inclusive no famoso Hotel Majestic – atual Casa de Cultura Mario Quintana – foi batizada com seu nome apesar do pouco tempo de moradia  e tem uma sala onde seu quarto foi reproduzido praticamente do jeito que era quando ele lá morava, inclusive com objetos pessoais originais, tudo organizado por sua sobrinha – vale a visita!!!

Quintana trabalhou na Livraria e Editora do Globo, na Rua da Praia, aqui em Porto Alegre, onde agora é a Renner, uma tristeza, eu amava aquela livraria com ar bucólico, com impressoras e máquinas de escrever super antigas na entrada e toda sorte de livros disponíveis, além de livros raros ou difíceis de conseguir.

Manuel Bandeira era um fã seu, entre tantos outros intelectuais da época, que orgulho, né!

Extra, extra!!!

Por falar em visita, imperdível também é o café que fica no 7º andar, o Café Santo de Casa (onde ficava o antigo Café Concerto Majestic, que conheci e amava demais passar o final de tarde curtindo um Quintanares – já extinto café delicioso), com música ao vivo, vista de tirar o fôlego, principalmente se vocês quiserem esperar pelo pôr do sol!!!

Vale a leitura de A Rua dos Cataventos (sonetos) e Sapato Florido (prosa poética). Sapato Furado foi sua última obra, uma reflexão divertida sobre a morte – e essa era a arte de Quintana, fazendo a gente rir com coisas sérias, ao mesmo tempo refletindo e questionando.

Para quem quer começar aos poucos, tem um livro que é o Quintana de Bolso, com uma seleção especial dos poemas publicados durante toda sua vida!

Tudo sobre Mário Quintana, aqui e aqui!

Tudo sobre a CCMQ, aqui!

Programação atualizada, aqui!

 

 

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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