O primeiro evento do 7º Festival de Inverno de Porto Alegre que me inscrevi foi uma oficina literária comandada por Antônio Sanseverino, sob o tema “E agora, Drummond?”, título que faz alusão ao seu famoso poema “E agora, José?”, que na verdade é apenas “José”, assim como o título da obra. E queria dividir com vocês um pouco do que aconteceu, de como foram as aulas. Já adianto que amei de paixão e não vejo a hora de ter oportunidade de assistir outras assim, no mesmo estilo!

Antônio Sanseverino via StudioClio:

Antônio Sanseverino é mestre em Letras pela UFRGS e doutor em Letras pela PUCRS, com a tese “Realismo e Alegoria em Machado de Assis”. É professor adjunto de literatura brasileira da UFRGS. Atualmente vem pesquisando a poesia de Carlos Drummond de Andrade, analisando como as tensões sociais dos anos 30 e 40 transformam-se em problemas formais de sua poética. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Machado de Assis, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, Machado de Assis, ironia, alegoria e poesia brasileira.

Carlos Drummond de Andrade via Releituras:

Nasceu em Itabira do Mato Dentro – MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro. Mais, muito mais aqui!

Gente, preciso dizer pra vocês que fazia um bom tempo que não me sentia tão em casa fora de casa… tão nas nuvens em uma sala pequena de teatro – um palco? – e com um professor com muito conhecimento sobre esse escritor tão fascinante. A cada poema recitado eu viajava no tempo, como se tivesse vivido aquela época, como se estivesse lá em 1920 ou 30, e até como se tivesse curtido um papo com Drummond, ao vivo e em cores!!! E não é que até a voz do próprio Drummond recitando dois de seus poemas a gente ouviu?

Foram quatro aulas durante quatro tardes – eu perdi a última, mas mesmo assim valeu cada centavo pago e cada minuto na cadeira esperando pelo próximo poema. E melhor ainda, valeu ouvir alguém falar com tanta propriedade, tão à vontade sobre esse mineiro de Itabira, instrospectivo mas nada timido, que pensava que o mundo era ora pequeno, ora vasto, vasto demais para tamanho sentimento que carregava em relação aos homens e ao mundo (ou ao Brasil).

O professor Sanseverino dividiu as aulas em quatro obras centrais de Drummond, uma para ser discutida em cada dia, entre elas, Sentimento do Mundo, A Rosa do Povo e José.

Resumindo: valeu muito a pena, ano que vem quero mais!!!

Quem aqui curte poesia, prosa, saraus literários?

Eu amo demais e estou tentando incluir isso na minha rotina, faz parte dos meus planos para esse ano (e todos os anos seguintes, para todo sempre)!!! Vamos ver se consigo, porque já é difícil conciliar acordar cedo com ler livros tradicionais, além dos científicos obrigatórios do dia a dia – no final do dia estou caindo de sono, concentração zero – imagine acrescentar poesias, mas quero muito!

E pra começar bem a semana, uma palhinha de Drummond pra vocês, na verdade um poema que há muitos anos atrás, na minha adolescência, já fazia parte da abertura dos meus cadernos, agendas e afins:

 

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

(Sentimento do Mundo, 1940)

 

Que tal começarmos a semana tentando aproveitar melhor o tempo presente, o momento, o agora?

Combinado, então!

Uma ótima semana pra vocês!!!

Beijos,

 

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Bruna Dalcin · 11 de agosto de 2012 às 00:00

Oi Nine!
Primeiro quero lhe agradecer imensamente pelos comentários e esclarecimentos de dúvidas sobre financiamento lá no meu blog!
O espaço é justamente para essa rica troca de informações! Ameiiiii de verdade os seus depoimentos por lá!
Nossa deve ter sido demais esse festival de inverno ein… Drummond é demais!
Bjs

    nine_copetti · 11 de agosto de 2012 às 00:19

    Oi, Bruna!!!
    Só quem passa pela busca de um cantinho pra chamar de seu e pela burocracia de um financiamento sabe a dureza e a felicidade que é, né!!! rsrsrs

    Agora, sobre Drummond e o festival, foi ótimo mesmo, queria ter aproveitado mais! Adoro essas funções!

    Beijinho, adorei tua visita!

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