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Pessoal, mais uma dica de exposição muito bacana acontecendo aqui em Porto Alegre, no Santander Cultural: Moacyr Scliar – O Centauro do Bom Fim.

De tempos em tempos, em todo mundo, por razões muito difíceis de explicitar, surge um ser humano com a capacidade de falar com toda a sua espécie através da literatura. Ele pode viver numa pequena vila ou numa grande cidade. Ele pode ter uma formação acadêmica completa ou ser um autodidata. Sua pele pode ser preta, branca, amarela, ou combinar essas cores de modo pouco usual. Ele pode surgir de uma cultura específica, fazendo de sua região o seu cenário recorrente, ou pode ser um cidadão do mundo, cosmopolita e transnacional. Nada

disso importa. O que importa é essa rara comunicação estabelecida entre um indivíduo, um ser único e particular, e a comunidade planetária. A exposição “Moacyr Scliar, o Centauro do Bom Fim” é um tributo e uma homenagem a um desses seres raros e especiais.

Carlos Gerbase, Curador

No início da semana passada consegui conferir de pertinho essa exposição que conta a história de vida e a trajetória profissional, tanto literária e jornalistica quanto médica, de um dos mais talentosos e queridos escritores gaúchos. Com curadoria de Carlos Gerbase, o Santander nos apresenta obras, trechos, fotografias, representações e adaptações de trechos de livros transmitidas em vídeo. São os tantos mundos de Scliar que se abrem aos nossos olhos e nos despertam para um lugar paralelo, com sensibilidade e talento encantadores. Embora boa parte da sua história e da inspiração para seus livros esteja no bairro Bom Fim, onde cresceu e viveu boa parte da sua vida com a família, é incrível perceber a criatividade, a ponto de tornar esse seu bairro querido em tantas versões!

Eu mais uma vez confesso (já um tanto envergonhada) que não cheguei a ler nenhum livro dele, lia sim as colunas publicadas em jornais, os textos espalhados pela internet e assistia suas entrevistas pela televisão. Scliar conseguiu, como dizem os que o conhecem profundamente, se destacar em todas as frentes em que atuou, sem deixar de lado uma ou outra profissão.

Pra começar, uma passarela como se estivéssemos entrando em um navio, logo já nos deparamos com um lugar que remete às ruas do Bom Fim, com luminárias expondo fotografias de família, dos eventos importantes, de lugares frequentados pelo escritor. A cada passo eu ficava mais encantada com tudo.

Algumas frases expostas nas paredes, alguns trechos de suas falas, objetos dispostos de maneira a ilustrar a vida e o cotidiano desse ilustríssimo senhor que nos deixou (ainda que tenham ficado suas obras) em 2011. Há também exposição de capas de seus livros, murais com as matérias e as colunas que assinou, as entrevistas que deu.

Se, na literatura, falava das dores dos espíritos, na medicina tratava das mazelas dos corpos. Cabe perguntar: como conseguia tempo e energia para alcançar resultados igualmente significativos nessas duas atividades, que exerceu cotidianamente, em paralelo, por mais de 40 anos? Este é um dos mistérios que esta exposição pretende investigar.

Gerbase

Painéis de LCD transmitiam para quem quisesse assistir alguns pequenos trechos das principais obras, como “O Centauro no Jardim”, “A Guerra no Bom Fim” e “A Mulher que escreveu a Bíblia”, entre tantas outras. Me despertou curiosidade em ler todos eles, mas principalmente este último, muito bem humorado, um tanto ácido, retratando ficticiosamente a bíblia, a julgar pelo trecho apresentado. Mais ou menos assim, Salomão se dá conta que entre suas (apenas) 700 mulheres,  a mais feia e rejeitada é a única que sabe ler e escrever, e escreve muito bem, dando-se conta disso e tendo em vista que seus discípulos escrevem muito mal, ele pede à ela que escreva a história da humanidade. Estou em comichões para ler logo! Já foi pra lista! ;)

Outra coisa na exposição que eu adorei, quase não quis ir embora quando descobri, foram as poltronas amarelas, lindas, com uma luminária também amarela e um criado mudo, onde ficava um tablet conectado à um fone de ouvidos e quando focávamos uma capa de livro ou cena ele nos remetia à trechos ou cenas. Eu ficaria horas a fio ali sentada, curtindo todas as obras do Scliar.

É interessante pensar que depois que alguém querido nos deixa, sempre fica algum legado, pequeno ou grande, em fotografias e documentos ou obras, e lembrar de tudo isso é sempre um momento especial e difícil, assim, dá pra imaginar como foi para a dona Judith Scliar (esposa do escritor) reunir todo esse acervo e relembrar tantos momentos da sua vida ao lado dele ou acompanhando a sua trajetória. E ao ver o quanto a exposição ficou bonita e bem organizada, acredito que ela sinta orgulho. Eu sentiria. E saudades.

Gente, se tiverem oportunidade de prestigiar esse querido escritor, digo que vale cada minuto passado por lá. E se quiserem se aprofundar, saber mais sobre a vida e a obra – eu também estou indo lá – é só visitar o site destinado ao Moacyr Scliar.

E agora, os meus registros… Ainda muito acanhados, mas acredito que dê pra ter uma noção do que espera por vocês!

Imagens: Arquivo Pessoal

PS: O Santander Cultural sempre abriga exposições muito interessantes além de atividades artísticas paralelas. No site oficial tem toda a programação, com horários e dias de visitação, com todos os detalhes.

O que? Exposição de Arte Visual || Moacyr Scliar – O Centauro do Bom Fim

Onde? Santander Cultural (Grande Hall) Praça da Alfândega – Centro Histórico – Porto Alegre

Quando? 17 de Setembro à 16 de Novembro de 2014.

Horário: Ter à Sab, das 10h às 19h

                 Dom e Feriados, das 13h às 19h.

Quanto? Entrada Gratuita

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Ana Paula · 6 de outubro de 2014 às 11:28

Adoro museus. A gente aprende tanta coisa né!? Eu passei a ir depois de adulta pq meus pais nao me levavam. Mas apesar de entender quase nada de arte eu gosto bastante. Aqui tem o MAC, mas as obras são mt contemporâneas pro meu gosto rsrs. Tb amo o CCBB, no centro do Rio.
Bjss

    Nine Copetti · 6 de outubro de 2014 às 15:03

    Ah, Ana… Eu sou suspeita, depois das livrarias e cafés: museus! kkk!

    Acho que quando criança só fui no museu municipal de onde morava, foi amor a primeira vista, mas era o único da cidade e quase não viajávamos, então, só depois de adulta comecei a procurar e visitar por mim mesma!! De lá pra cá, não perco por nada uma nova exposição e me frustro quando não consigo conciliar meus horários pra isso.

    Sabe que meu marido não curtia muito, ele sempre dizia que não entendia nada do que estava exposto, que não conseguia ver beleza e não entendia como eu gostava tanto… Daí li em algum lugar que a melhor forma de admirar uma arte é não tentar entender o artista mas sim colocar ali sua própria interpretação, seu entendimento, e gostar ou não acaba sendo só mais um detalhe pessoal mesmo! Depois disso ele passou a curtir mais esses programas.

    Aqui em Porto Alegre o Santander é meu favorito, mas curto muito o Julio de Castilhos e a Casa de Cultura Mário Quintana (maior diversidade artística é lá)!

    E tenho muita vontade de conhecer o Studio Clio, que é um centro cultural que disponibiliza muitas palestras, cursos, inclusive de escrita, além de viagens temáticas… Pena que na maioria das vezes acontece em horários que eu estou trabalhando, mas já estou me organizando para as férias dar uma passadinha lá pra conhecer!

    Beijão, boa semana!!!

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