Um mistério para desvendar, leituras complicadas, traduções mal feitas… Dificilmente alguém chega ao final da leitura de um livro desse escritor russo, complexo, problemático e fascinante… Queria ter conhecido e travado uma conversinha básica com esse cara, sabe! Dizem as más linguas que ele teve uma infància bem complicada, com pai militar nos moldes da época (rude, arbitrário,  totalmente insensível aos problemas da família, um déspota) e mãe tuberculosa. Logo ele foi viver sua vida de escritor e revolucionário… Tentando aos trancos encontrar seu lugar ao sol.

Mas nada é tão complicado que não possa se tornar insuportável na vida desse ser! Afundou em dívidas, seus romances não emplacavam, afundou numa miséria sem fim – escuridão e tristeza eram suas companhias mais frequentes. Foi preso pela policia imperial, foi condenado a pena de morte – chegou a ver armas apontadas, mas sua morte foi trocada por trabalho forçado! Contam que viveu maus momentos, que passou por todo tipo de provação. Eu não ouso duvidar.

Fora os detalhes sórdidos e doloridos da sua vida, que uma rápida busca no Google nos dá conta de conhecer, suas obras transmitem exatamente o que ele foi e o que viveu,ele sensibilizou seus personagens e os transformou em espelhos da sua alma! Quem já leu ao menos um trecho de algum livro seu, sabe do que estou falando.

Ah, e não falei das crises de Epilepsia, uma doença motivo de exclusão social na época, tinha pensamentos soltos, desconexos. Se pegava falando sozinho e apresentava dejà-vus e fuga de ideias constante… Não que isso fosse problema para o desenvolvimento do seu talento, pois na verdade acabou enriquecendo e muito todas as suas obras. Claro que o reconhecimento veio só mais tarde, mas isso aconteceu com vários escritores da época, no mundo inteiro.

Complicados, seus romances acabam exercendo um tremendo fascínio em leitores de carteirinha, ratos de biblioteca, ávidos por histórias enroladas como novelos e podemos muito bem levar mais de ano tentando concluir seus livros e desejar mesmo assim logo conhecer outros e mais outros escritos seus, ao mesmo tempo querendo compreender a alma dele.

Eu li e reli por quatro vezes (não concluídas) a obra O Idiota. Primeiro, tentava pronunciar os nomes impronunciáveis dos seus personagens, depois tentava organizar na minha cabeça as idas e vindas, embarques e desembarques dos seus enredos. E conclui que não, não é nada fácil ser amante dessas obras, embora o vicio seja iminente. Eu não desisti.

E agora, lendo um artigo sobre essa figura quase mítica da literatura russa, me deu uma curiosidade imensa dele, uma vontade de devorar a escuridão dos seus romances e tentar clarear um pouco que seja o céu nublado que encobriu um dia o tesouro dos seus pensamentos.

Quem já experimentou alguma obra russa? Ou do próprio Dostoievski?

Quem me acompanha nesse desafio?

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

1 comentário

Dica de Livro | Noites Brancas | ≈ inƒinito particular ≈ · 24 de abril de 2016 às 19:13

[…] atual – resolvi escolher um romance leve e jovial (absolutamente diferente do primeiro) do Dostoiévski para seguir minha maratona russa: Noites Brancas me pareceu uma boa escolha, bati o olho nele numa […]

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