Antes de tudo, uma brevíssima observação: comecei a escrever esse post há alguns meses atrás e só agora consegui – finalmente – terminar, mas é como se tivesse acabado de ler o livro, então, é quase como se fosse instantâneo! :)

Tem livros que só de olhar a capa a gente já se encanta, daí vem umas amigas e começam a postar comentários super empolgantes e contagiam a gente com aquele bichinho da leitura e, obviamente, o livro vai pro carrinho, assim, sem nem dar tempo de pestanejar.

Aí o livro chega, tu já está cheia de coisas pra ler, já está lendo outro daquela fila imensa de leituras intermináveis que sempre estão te esperando pacientemente na estante, e…? Tu larga tudo, simplesmente começa a folhear o livro novo, despretensiosamente lê as primeiras páginas e pá, engata de um jeito que só vai largar quando a história terminar. Aham, foi assim, exatamente desse jeito com “Tudo e todas as coisas”, livro muito amorzinho escrito pela Nicola Yoon, uma Jamaicana radicada nos EUA. É o primeiro romance dela. <3

Esse livro é diferente de tudo que já li por aí. Da disposição dos capítulos à diagramação, passando pelas ilustrações e tabelas inusitadas que vão dando uma aura toda especial ao romance, criando um clima e um ritmo super diferente e muito fluido de leitura que acredito que seja a explicação para nos causar essa sensação de querer ler sem pausas, de verdade.

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“Lá dentro está tudo que ela conhece, e lá fora tudo o que deseja.”

Há alguns posts atrás eu falava de borboletas, pois aqui as borboletas são outras, aquelas que fazem nosso estômago estar em festa, uma caótica festa num misto de emoções tão típico do início da adolescência, das primeiras paixões, onde tudo aflora a todo momento, todas as coisas parecem grandiosamente importantes e urgentes. Essas borboletas passeiam à vontade sem se importar com os nossos pensamentos, fazendo no coração uma confusão, uma bela de uma bagunça que não sei dizer se mesmo depois de adultos conseguimos corrigir… Acho que não. É tão bom viver essas sensações durante a vida!!!

Sinopse:

Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa, nunca sai em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostuma com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre.

Madeline é uma menina que vive literalmente em uma bolha, alérgica ao mundo e superprotegida pela mãe (que é médica), passa a maior parte dos seus dias sob os cuidados de uma enfermeira (praticamente sua confidente, já que vivendo dessa forma tão isolada, ela não faz muitos amigos). Leva sua vida praticamente entre quatro paredes tão brancas que dão vertigem e seu mundo consiste essencialmente nos livros que lê, na rotina com sua mãe e em alguma coisa ou outra que pesquisa pela internet.

Maddy, obviamente, também não vai à escola. Alguns poucos professores (minuciosamente inspecionados pela mãe) vem até a casa dar aulas, enquanto os demais atendem apenas online. Os livros, para chegarem nela, passam por um processo rigoroso que os deixam seguramente limpos e devidamente lacrados. Professores, visitas (bem esporádicas), a enfermeira e a própria mãe tem um ritual antes de entrarem em casa: uma sala onde todos tem que permanecer por algum tempo para purificação do ar que trazem da rua. Só depois de passarem por esse processo é que podem entrar, de fato e ter contato com ela. Uma vida nada convencional para quem está prestes a completar 18 anos.

Essa rotina que qualquer um de nós julgaria extremamente entediante e até se rebelaria se tivesse que viver na pele de Maddy por um dia que fosse está prestes a mudar completamente. E tudo por causa de um carinha cheio de estilo e com os olhos mais azuis que o azul do oceano que aparentemente se mudou para a casa vizinha e vai fazer a maior bagunça na vida de Maddy que ela jamais imaginou viver – ou quase morrer.

Um romance que passa pela turbulenta descoberta do primeiro amor e todas as suas variáveis, com o viés da excessiva preocupação de uma mãe obstinada no cuidado com a filha, a ponto de privá-la das melhores experiências da vida. Leve e delicadamente nos faz acompanhar o amor entre dois adolescentes surgir e crescer sem parar, o primeiro olhar demorado, o primeiro toque – que arrepia até a alma, o primeiro quase-beijo, o primeiro – eletrizante – beijo…

Acompanhei a leitura com o coração agoniado, pensando o tempo todo na barra que é para uma jovem como a Maddy viver limitada por uma doença praticamente invisível, isolada em uma vida sem graça, sem montanhas-russa, sem o perfume das flores na primavera e quase sem nenhuma explicação médica que não fosse a da própria mãe!

Quando Olly (o menino de olhos azuis) chega bagunçando tudo, bagunça também o coração de Maddy, ela começa a sentir uma vontade imensa de provar seus limites, de desafiar tudo o que conhece para ver se realmente acontece o que a mãe dela tanto teme. Eles passam a se comunicar cada vez mais por email, se encontram escondidos – a enfermeira servindo de álibi – fazem planos e realizam alguns deles.

Uma história fascinante sobre amor, proteção, descobertas, medos bobos e medos bem sérios, sobre se arriscar mais, sonhar e se permitir ir em busca de tudo que está além do que conhecemos. É uma história sobre primeiro amor, primeiro beijo, borboletas no estômago e loucuras que cometemos quando a cabeça está nas nuvens por conta do coração estar em outra dimensão. Uma leitura doce e cheia de energia, aquela típica da juventude que acredita que tudo é possível. Os textos curtos, alguns em formato de chat ou emails trocados causam uma sensação boa de acompanhar um romance nascendo bem de pertinho. Os gráficos da Maddy – sobre seu diário de saúde, diário pessoal, caderno de projetos, listas, dicionário próprio e resenhas curtas com spoilers nos moldes de “moral da história” – que vão ilustrando o livro até o fim são super divertidos e fazem com que a gente se apaixone ainda mais pelos dois.

Eu não li nada parecido até hoje, com uma narrativa tão próxima do leitor, um tema aparentemente delicado e – eu não diria triste, mas um pouco angustiante; viver isolado por ser alérgico ao mundo nos daria no mínimo vontade de sumir dele, não é mesmo? Aqui, pelo contrário, Maddy é muito bem resolvida com sua doença, não tem ataques de rebeldia, construiu com a mãe e a enfermeira particular uma relação amigável e uma rotina tranquila – talvez como na história do sapo surdo que vai em frente porque não ouve a negatividade dos outros sapos – desconhecendo o que se passa lá fora, ela não chega a se interessar pelo que poderia haver do outro lado. Claro que isso acaba quando ela conhece Olly e é por isso que o livro se torna tão interessante e gostoso de ler. Mas aí deixo para vocês descobrirem o resto por conta própria. Já  escrevi demais da conta!

Umas páginas pra matar a curiosidade de quem ainda está se decidindo se lê ou não:

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O livro todo é muito fofo. Leiam! <3

Beijos,

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2 pessoinhas leram, curtiram e recomendam este post!

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Regininha · 8 de janeiro de 2017 às 10:20

Nossa , Nine !!! Achei lindo esse ? livro , só pela pequena demonstração interna dele e a história me fez querer ler… vou ter que anotar essa dica também ! E muito bom ler seus textos aqui no blog.

    Nine Copetti · 14 de janeiro de 2017 às 14:35

    Fico muito feliz toda vez que tu comenta aqui no blog e que curte alguma dica. Esse livro é realmente um amor, tu vai gostar!
    Um beijo grande!

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