Mais um clássico da literatura (nesse caso, da literatura norte americana) vencido. Hemingway já havia me conquistado com o romance “O Velho e o Mar” e com “Paris é uma festa” e com sua presença em outros romances, filmes e no romance biográfico Casados com Paris. Todos dão o tom da personalidade dele e este último acrescenta ainda uma visão feminina das coisas, já que está diretamente ligado ou à alguma de suas esposas ou a Gertrude Stein, sua amiga e confidente, que era também escritora.

Demorei um bocado para fechar esse post, mas finalmente resolvi ser bem sucinta, assim como esse polêmico escritor.

Hemingway, antes de ser correspondente em importantes jornais e escritor, foi à guerra combatendo nos exércitos francês e italiano, na Primeira Guerra Mundial. Ele tinha apenas 19 anos. As impressões em seus romances são dessa época, a crueldade, a frieza, a dureza da guerra, as mortes.

O livro Por quem os sinos dobram fala de um cara – Robert Jordan – que é designado para uma missão nas montanhas, antes do ataque organizado por sua tropa. É dele a missão de detonar uma ponte, custe o que custar, custe quem custar. Só que em meio ao planejamento para que tudo saia bem na tal ponte, ele conhece camaradas republicanos que não se converteram ao exercito, preferiram ficar anônimos, se defendendo como podem, migrando de um lado à outro das montanhas, de modo a se manterem o mais seguros possível.

Além dessas pessoas, do plano traçado e da preocupação de ter que envolver gente que ele nem conhece na sua missão, ainda há uma moça… Maria.

Maria sofreu a parte mais dura da guerra, perdeu os pais e ainda foi friamente violentada por fascistas, traz marcas no corpo e no espírito, apesar disso, os dois se identificam e resolvem aproveitar seus poucos dias como se fossem uma vida inteira. E essa é a parte mais sensível na história toda, mais romântica em meio à tanto sangue, tantas batalhas dessas que a gente não quer entender nem fazer parte e que até hoje ainda assombra quem vive em áreas de conflito.

Bem, o romance todo gira em torno da organização para o grande dia (o de explodir a tal ponte para que o exercito fascista não possa avançar), e como um bom narrador de suas próprias dores, Hemingway passa mais da metade do romance detalhando passagens da guerra, dos encontros, das dificuldades, do racionamento, da falta de perspectiva e de esperança. De uma vida praticamente sem sentido, ao menos até conhecer Maria e passar a vislumbrar outros pontos de vista e alguma pontinha de esperança.

Pra não acabar contando toda a história pra vocês, resumo assim: é um romance duro, daqueles que se engole em seco e quase sem tempo pra digestão. Um romance que se diferencia muito desses “best sellers” que vendem como água, justamente por relatar algumas verdades da guerra entremeadas com a presença arrebatadora do amor inocente e por não se preocupar em nenhum momento com um final feliz, daqueles super bem pagos pelas grandes editoras.

Acho que é isso. Levei anos pra decidir lê-lo e demorei mais de mês para conclui-lo. Se recomendo? Claro, sempre. A gente precisa ter essa experiencia, fazer o reconhecimento de velhos escritores com os que vem despontando, seja para agregar ou para decidir o que cabe ou não nas nossas prateleiras.

E que venham as próximas leituras…

Beijos,

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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