Quando li A Sombra do Vento, senti que Zafón era um grande escritor, e por algum tempo fiquei esperando que saíssem outros livros dele em Português. Quando finalmente lançaram aqui no Brasil O Jogo do Anjo, fui uma das primeiras a ir comprar… Mas esse segundo livro não me fisgou, li umas cinco páginas e abandonei a leitura, inclusive me desfiz do livro e deixei de lado o escritor.

Mais um tempo se passou e vi nas prateleiras das livrarias Marina e O Prisioneiro do Céu… Comprei Marina, trouxe pra casa, e ele ficou guardado fazendo companhia para os tantos outros livros que esperam ser lidos por mim!

E um tempo depois acabei comprando, assim por impulso e curiosidade, o tal O Prisioneiro do Céu.

Esse comecei a ler dias atras e simplesmente amei a leitura…. Ele tem a mesma pegada do primeiro livro de Zafón, de mistérios, enigmas e muita aventura. Gostei de cara, relembrei meus personagens queridos de A Sombra do Vento, e terminei o livro com a sensação de arrependimento por ter me desfeito de O Jogo do Anjo e louca pra correr até a Livraria Cultura e resgatá-lo!!!! Mas me contive pra criar um certo ar de suspense em mim mesma… Hahaha!!!

Bem, o livro O Prisioneiro do Céu é de certa forma uma continuação de A Sombra do Vento, como diz na capa e nas sinopses que encontramos por aí, embora o próprio autor diga que todos os seus livros tenham um fim em si mesmo, sejam costurados para ler em qualquer ordem! O fato é que nele reencontrei Fermín, Daniel, Sr. Sempere… Sabe quando não vemos alguém querido há tempos e de repente nos encontramos com essa pessoa, assim senti quando reencontrei esses personagens! Fiz uma viagem no tempo e logo estava à vontade para seguir com a leitura, em casa, reconhecendo a livraria, as ruas de Barcelona, os becos, o Porto!

Tudo parecia muito tranquilo para a família Sempere, a livraria ia bem, embora quase não lucrasse e os tempos fossem mais difíceis. O mistério começa com uma figura que aparece na livraria e ameaça essa tranquilidade, revelando segredos e expondo feridas, grandes feridas, relacionadas ao passado de Fermín e também do pai de Daniel… Isso vai gerar uma reviravolta muito grande na vida deles e muitas aventuras até que tudo seja desvendado. Ou quase tudo!

A trama se revela bem dramática, alguns trechos são dolorosos de imaginar, como o período em que Fermín esteve na prisão, as pessoas com quem conviveu e o lado negro de algumas pessoas que cruzaram o caminho dele. Mesmo assim o livro é pontuado pelo bom humor e pelo caráter doce e gentil dele, que ao mesmo tempo é irônico e sarcástico.

Depois de Daniel Sempere, Fermín é meu personagem favorito, e não tem como ser diferente! Dá vontade de entrar nas paginas e conhecê-lo, trazê-lo pra casa e fazer-lhe uma xícara de café bem forte enquanto ele diz frases de grande efeito!

Nessa história, Daniel vai passar por maus bocados novamente, por provações e dúvidas que lhe tirarão o sono… E será novamente salvo das situações mais improváveis por seu amigo fiel. E também descobrirá coisas de grande valor a respeito dele, passando a entender certas estranhezas e a quietude de seu pai.

De novo em relação ao livro A Sombra do Vento, vamos encontrar Daniel casado com Bea (depois de quase ter morrido, nas últimas páginas) e com um filhinho. Fermín está mais firme do que nunca, trabalhando para o Sr. Sempere e às vésperas de se casar com Bernarda.

O Cemitérios dos Livros Esquecidos continua sendo o tema principal. E a obra O Conde de Montecristo, um livro raríssimo e de grande valor (e pouca procura na livraria Sempere) será o ponto de partida. Então começa uma corrida de lembranças, descobertas tristes, perseguição, tesouros, mortes… Uma boa observação é que em alguns trechos precisamos “ter estômago” para digerir o que está sendo contado.

“Ao retirar a lona, o brilho trêmulo dos lampiões que piscavam  no corredor revelou algo que, num primeiro momento, pensou que fosse o rosto de um boneco, um manequim como aqueles que os alfaiates colocam nas vitrines para exibir suas criações. O fedor e a náusea o fizeram compreender que não se tratava de boneco algum.

“No futuro, todos os romances serão policiais, porque se houver um cheiro dominante na segunda metade desse século carniceiro, será o perfume da falsidade e do crime suavizados.”

“Ouvi dizer que você tem um método experimental em desenvolvimento para escapar dessa latrina. Se precisar de uma cobaia, um porquinho-da-índia magro de carnes, mas transbordante de entusiasmo, estou à sua inteira disposição.” 

“E se algum dia, ajoelhado diante de seu túmulo, sentir que o fogo da raiva está tentando se apoderar de você, lembre-se de que em minha história, como na sua, há um anjo que conhece todas as respostas…”

Pra ficar mais claro, e não tão confuso como meu relato, segue a sinopse:

Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Já se passa um ano do casamento de Daniel e Bea. Eles agora têm um filho, Julián, e vivem com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermín ainda trabalha com eles e está ocupado com os preparativos para seu casamento com Bernarda no ano-novo. No entanto, algo parece incomodá-lo profundamente.
Quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere em uma manhã em que Daniel está sozinho na loja. O homem misterioso entra e mostra interesse por um dos itens mais valiosos dos Sempere, uma edição ilustrada de O conde de Montecristo que é mantida trancada sob uma cúpula de vidro. O livro é caríssimo, e o homem parece não ter grande interesse por literatura; mesmo assim, demonstra querer comprá- lo a qualquer custo.
O mistério se torna ainda maior depois que o homem sai da loja, deixando no livro a seguinte dedicatória: “Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro”. Esta visita é apenas o ponto de partida de uma história de aprisionamento, traição e do retorno de um adversário mortal. Daniel e Fermín terão que compreender o que ocorre diante da ameaça da revelação de um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade.
Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrasta na direção de um confronto inevitável com a maior das sombras: aquela que cresce dentro dele. Transbordando de intriga e emoção, “O Prisioneiro do Céu” é um romance em que as narrativas de A sombra do vento e O jogo do anjo convergem e levam o leitor à resolução do enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

De resto, digo que o livro vale a pena, recomendo sinceramente, este e o anterior. A cada obra de Zafón fico mais apaixonada por seu estilo literário, por sua forma de nos envolver em seus mistérios.

Mas digo também que ele consegue deixar a gente com aquela sensação de querer mais… não de expectativa e falta, mas de vontade de não abandonar o enredo e correr atrás das outras obras do escritor para tentar desvendar mais e mais mistérios!!! E fico pensando: e quando não tiver mais livros dele pra ler!?

E pra quem ficou curioso e quer saber tudo sobre o Cemitério dos Livros Esquecidos, convido vocês a ler O Jogo do Anjo, e essa é a dica ao final desse livro (isso não é um Spoiler, é uma constatação, rsrs).

Está na minha lista, mas antes vou precisar ler algo mais tranquilo e sereno.

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

4 comentários

Dica de Livro | Marina – Desanuviamentos · 19 de outubro de 2017 às 23:47

[…] Dessa vez resolvi ler Marina… Já estava na minha estante há bastante tempo e eu só não lia logo porque peguei uma ressaca gigantesca do Zafón quando li O Prisioneiro do Céu. […]

Dica de Livro | O Jogo do Anjo – Desanuviamentos · 12 de março de 2017 às 17:28

[…] fiquei um tanto viciada no estilo literário dele. De lá pra cá, li quase todos os seus romances: ‘O Prisioneiro do Céu’, ‘Marina’, ‘As Luzes de Setembro’ e por último (ainda faltam três […]

Dica de Livro | Marina | Infinito Particular · 4 de fevereiro de 2016 às 10:04

[…] Dessa vez resolvi ler Marina… Já estava na minha estante há bastante tempo e eu só não lia logo porque peguei uma ressaca gigantesca do Zafón quando li O Prisioneiro do Céu. […]

Dica de Livro | Casados com Paris | Infinito Particular | Nine Copetti · 30 de janeiro de 2013 às 00:33

[…] Previous Home / DICAS DE LIVROS / Dica de Livro | Casados com Paris […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *