Existem livros que nos tocam profundamente… Outros nos permitem flutuar, leves como plumas, nas suas páginas, e adoçar nossos dias com seus trechos. E nos prender.

Assim foi com a leitura de O Irresistível Café de Cupcakes. Bem escrito, bem costurado, bem humorado, leve, doce, enfim, apaixonante do início ao fim. Uma história gostosa demais, descompromissada e capaz de nos deixar mais leves ao final da leitura.

É sobre amor, sobre perspectivas de vida e sobre prioridades. É também sobre aquilo que pensamos ser e o que desejamos ser – ou deixamos de desejar ser em algum momento de nossas vidas. É sobre encontros e desencontros (e adoro esses temas), sobre valores que damos às coisas e aos sentimentos, mas também é sobre tudo que deixamos pra trás sem perceber ou simplesmente porque aceitamos nadar a favor da maré, finalmente.

E apesar de todos esses temas, Mary Simses conseguiu imprimir aquela leveza e delicadeza de que falei no início. A começar pelo título que – vamos combinar – atrai a gente de cara, cupcakes + café + irresistível! E dando uma espiadinha um pouco além: mirtilos, pequenas cidades do interior, historinha de amor do passado, pronto: gruda os olhos na primeira página e só vai desgrudar – não sem uma certa resistência, lá no final.

“Vocês têm fruta fresca?”

“Temos, sim. Blueberries, melões, bananas, blueberries.” Ela sorriu.

“Acho que vou querer blueberries.”

“São a especialidade da casa.”

Ellen precisa cumprir uma promessa que fez a sua avó e essa promessa envolve entregar uma carta de amor para Chet Cummings (seu grande amor da juventude). Um daqueles amores que são abandonados em nome de alguma coisa que sempre parece mais importante do que aquilo que nosso coração nos manda fazer. Enfim, um amor que não seguiu seu curso, uma vida que tomou outros rumos e agora parece tarde para qualquer reconciliação, já que a avó de Ellen acaba de falecer, mesmo assim esse foi o último desejo dela, então… Pois é, a missão foi dada e ela não consegue imaginar outro jeito senão seguir a vontade da avó, por mais descabida que seja, por mais doido que pareça. E, bem, ela poderia enviar a carta pelos correios ou até simplesmente deixar pra lá, porque no final das contas pode não dar em nada (o tal Cummings também pode não estar mais vivo). Mas algo dentro de Ellen insiste que ela vá logo para Beacon e ela nem imagina o que a espera…

Agora imaginem vocês uma advogada acostumada ao ritmo frenético de NY, metódica, acostumada a resolver tudo com praticidade, noiva de um cara que também tem um ritmo agitadíssimo e está prestes a ser premiado por uma grande atuação em um processo, de repente chegar em uma cidadezinha do interior, onde todos se conhecem, sem ter a mínima noção do que vai encontrar pela frente… Pior! Começar a pagar mico atrás de mico por conta da sua fama de “sabe tudo” da cidade grande! Ah, gente, a diversão está garantida!

E menos ainda que o rumo da sua própria história, através dos passos que sua avó deixou, poderá mudar completamente e fará com que Ellen repense a forma como vive hoje e como quer viver pelo resto dos seus dias. A vida dessa mocinha de NY vai virar de cabeça pra baixo e é aí que a história fica boa!

Nunca imaginei que uma fazenda de blueberries e uma história de amor correspondido e não vivido pudessem render algo tão belo. Os cenários, as descobertas, os micos pagos por Ellen, o suposto novo romance que ela mesma custa a compreender e a aceitar, a vida no interior, a saudade, tudo nas páginas desse livro encanta e prende.

Quando falam de abrir um café e vender ali tortas de blueberries (entre outras delícias) me derreto por completo e dou por vencido o título de livro mais fofo dos últimos tempos… <3

Esse é um livro daqueles curtinhos mas muito especiais, merece ser lido com muito carinho, saboreado com calma, sem nenhuma pressa – meu tipo de leitura favorito para férias, folgas… Faz um afago na alma, sabem!

Originalmente (em inglês) o título é The Irresistible Blueberry Bakeshop & Café, por isso vocês notarão as infinitas vezes em que as frutinhas azuis são citadas no livro. Esse é o primeiro romance da escritora que também confessa que faz uma torta de blueberry divina!

Pra colocar já na lista de leituras!

 

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *