Leticia Wierzchowski é sempre uma grata surpresa na literatura. Desde que li Sal, tenho nutrido grande admiração por essa escritora gaúcha, apaixonada pelo litoral uruguaio e abençoada com o dom da escrita.

Estive no lançamento desse romance, lembram? Eu estava muito ansiosa por conhecer essa escritora que me fez acreditar que a literatura brasileira não está perdida, que me fez apaixonar-me novamente pela escrita de uma forma ainda não reconhecida por mim. E num dia super corrido, chuvoso, lá estava eu, na fila da livraria Saraiva do Moinhos Shopping, esperando minha vez!

Navegue a Lágrima fala sobre uma misteriosa mistura entre passado e presente, sobre o amor e suas fases, sobre a importância do tempo e da atenção que damos (ou deixamos de dar) aos detalhes, aos pequenos detalhes da nossa vida.

É possível ver que o passado permanece vivo, e que o tempo é uma coisa única, circular e eterna.

Um livro que já apaixona desde a primeira experiência, com a beleza da capa, as cores, a impressão de se estar submerso nela. Depois, ao abrir (além do autografo da querida Leticia) uma orelha diferenciada, tipografia também linda e o encanto da fonte de cor azul em todo o romance… História que poderia ser o cotidiano de cada um de nós, se deixássemos nossa sensibilidade aflorar de quando em vez. Amores que se vão, que se dividem, que partem para longe e partem também o coração de quem fica. Vidas que se cruzam, livros que servem de cupido mesmo sem pretenderem.

Uma pitada de tristeza, tragédias, sensação de abandono, luto, um balneário capaz de reestabeler a confiança e a energia de uma editora que acaba de ficar viúva e que vê na casa de uma escritora que ela admira muito (mas ainda sem saber que a casa a pertence) a esperança de dias menos turbulentos.

Uma narrativa brilhante, poucos diálogos e muita reflexão sobre o momento que a personagem está passando, destinos que se cruzam espiritualmente, fazendo com que suas reflexões sobre a própria vida, o filho crescido e as lembranças do marido venham à tona.

Uma história de amor resistente ao tempo e ao espaço, que transpõe barreiras que desconhecemos, mas que talvez parando alguns instantes e deixando o mundo em suspenso, possamos ter essa mesma sensibilidade e assim aproveitemos com mais carinho nossos dias e as pessoas que nos rodeiam.

Meus trechos favoritos:

Porque a felicidade – e essa história, creio, versa um pouco sobre isso, sobre um tempo especial da vida em que todas as coisas parecem perfeitamente encaixadas, unidas com graça, elevadas por uma simbiose perfeita -, bem, a felicidade é sutil, é discreta e delicada feito um beija-flor, esse passarinho que consegue a proeza de bater asas até oitenta vezes em um único segundo. Assim é a felicidade, essa transformadora dos dias, hábil artesã das coincidências.

Alguma coisa o enterneceu, um olhar, um sorriso – vejam bem, foi um sorriso seu, não de Laura. Então Leon entendeu, como num susto, que tinha deixado para trás uma coisa muito importante, importante demais.

Definitivamente, um romance tocante, de uma simplicidade e delicadeza próprios da escritora, que te prende, da primeira à última página, que te fazem ter aquelas pausas em que se fica olhando para lugar nenhum, tentando entender a própria vida, as próprias escolhas … E finalmente entender que há muito mais por trás dos dias que se seguem rotineiramente e maquinalmente na vida de cada um.

Havia o chão e havia cacos; porém havia aquela felicidade, e a felicidade, enquanto lembrada, nunca, absolutamente nunca, morre.

Um livro para quem quer um romance que abraça.

Uma história para quem acredita no amor em todas as suas faces.

Leiam e depois me contem o que acharam!

Beijo grande,

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

6 comentários

Clauo · 8 de setembro de 2015 às 12:03

Querida Nine
Este está na minha lista tbe, assim como Sal.
Se vc ainda nao leu, leia A Casa das Sete Mulheres, maravilhoso! E O Pintor que Escrevia, lindo também :)
Bjks mil

http://www.blogdaclauo.com

    Nine Copetti · 8 de setembro de 2015 às 16:10

    Sal é surreal, foi o romance mais surpreendente que já li nos últimos anos! Já li há tempos A Casa das Sete Mulheres, muito bom mesmo! Leticia sempre surpreende, além de ser muito querida! Esse último não ouvi falar, já vou colocar na minha lista, estou com O Farol dos Pampas na fila! ;)

Dérbia Nadja · 30 de julho de 2015 às 13:48

Livro belíssimo, você o descreve sem perder a pitada perfeita de sensibilidade que a Letícia faz com maestria. Obrigada amiga, presente maravilhoso, beijo.

    Nine Copetti · 30 de julho de 2015 às 16:36

    Amiga, nem quis contar muito pra não perder a magia de ir descobrindo os personagens conforme se lê! Leticia é muito especial, sabe que ela dá oficinas aqui? Estou fazendo um cofrinho para essa oportunidade! ?
    Beijos mil, obrigada por passar aqui! ❤️?

TAG – Experiências Literárias | Curadoria de Livros | ≈ inƒinito particular ≈ · 24 de abril de 2016 às 19:12

[…] o curador literário – esse mês é a Letícia Wierzchowski (já conversamos sobre ela aqui e aqui e claro que eu me associei de cara porque adoro essa escritora, nem preciso dizer o quanto, né), […]

Almoço Clio | Meu país ficcional | ≈ inƒinito particular ≈ · 22 de abril de 2016 às 00:59

[…] Dica de Livro | Navegue a Lágrima […]

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