Oi, gente!

Mais uma resenha dos livros de 2015, porque sempre é tempo, não é? Pra quem me acompanha a mais tempo, sabe que sou super fã do escritor Carlos Ruiz Zafón, gosto muito do seu estilo literário, da forma como ele consegue nos prender em suas histórias de mistério, até mesmo nos livros juvenis.

Dessa vez resolvi ler Marina… Já estava na minha estante há bastante tempo e eu só não lia logo porque peguei uma ressaca gigantesca do Zafón quando li O Prisioneiro do Céu.

“O tempo e a memória, a história e a ficção se fundiam como aquarelas na chuva naquela cidade feiticeira. Foi ali,  sob o eco de ruas que já não existem, que catedrais e edifícios fugidos de alguma fábula tramaram o cenário desta história.”

Marina é um romance de ficção infanto-juvenil, se não me engano foi o primeiro escrito por ele. A ideia é justamente prender a atenção do leitor jovem, fazendo com que ele logo se apaixone pela leitura.

Sinopse via Skoob:

Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões.

É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora.

Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo – uma mariposa negra – diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos.

Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade – antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.

Esse é o tipo de livro que te prende em um fôlego só. Bem como eu gosto. Curto, com uma história muito envolvente, bem costurado, redondinho. Quando você resolver piscar os olhos, já acabou e você vai notar que talvez precise voltar a respirar, logo.

“Naquele dia, nos céus de Barcelona, o fantasma de Gaudí esculpia nuvens impossíveis sobre um céu azul que dissolvia o olhar.”

Oscar e Marina são dois adolescentes curiosos, ele estudando em um internato, ela morando com o pai no misterioso casarão que toca uma música mágica a cada vez que Oscar se aproxima.

Apesar de ser uma leitura relativamente curta, é muito consistente, rica em detalhes, numa Barcelona sempre pulsante, misteriosa à cada cair de tarde.

Oscar tem uma relação difícil com os pais, tanto que sempre acaba preferindo ficar pela cidade  ou até mesmo trancado no internato à ir visitá-los nos feriados. Marina perdeu a mãe muito cedo, deixou de frequentar escolas e vive isolada nesse casarão escondido pelo jardim com seu pai superprotetor.

“Naqueles longos passeios, experimentava uma sensação de liberdade embriagante. Minha imaginação voava por cima dos edifícios e se erguia até o céu. Por algumas horas, só com um par de moedas no bolso, eu era o sujeito mais sortudo do universo.”

Essa é uma história fascinante, um pouco monstruosa e assustadora, até macabra em alguns trechos, mas Zafón escreve com tanto talento e sensibilidade que até isso torna o livro mais interessante. O envolvimento de Marina e Oscar nos faz torcer para que eles sempre se encontrem e desvendem os mistérios em que se meteram pela curiosidade adolescente. Os mistérios que tentamos desvendar junto com eles, o romance iminente entre os dois, a bondade de Oscar para com o pai de Marina (um sentimento que ele não consegue nutrir nem mesmo pelos próprios pais).

Gosto muito do estilo de escrita do Zafón, ele usa com maestria as metáforas, transforma uma história assustadora como essa em poesia, nos envolve num ritmo único, cadente… “O céu era uma lápide de chumbo…”; ‘Os lampiões ardiam como fósforos…”; “Riachos de chuva desciam pela rua como uma veia perdendo sangue…”; “Parecia que a cidade ia se fundir num oceano negro…”.

Sobretudo, esse romance fala sobre vida e morte, sobre o desejo de não envelhecer, de não perder o poder, de desejar ser Deus para perpetuar pessoas de amamos (não importando como) e também em como a medicina e a tecnologia aliadas à necessidade de poder e ao medo da perda podem se tornar perigosas.

“- Mijail, lembra aquele dia em que me perguntou qual era a diferença entre um médico e um mágico? Pois bem, Mijail, a magia não existe.  Nosso corpo começa a se destruir desde que nasce. Somos frágeis. Criaturas passageiras. Tudo o que resta de nós são as nossas ações, o bem e o mal que fazemos a nossos semelhantes. Entende o que quero dizer, Mijail?”

Enfim, uma história infanto-juvenil, um livro que segundo o próprio autor é muito pessoal e um dos seus favoritos. Eu recomendo muito que vocês leiam, assim como todos os outros de Zafón, à exceção de O Jogo do Anjo, que foi o único até hoje que não me prendeu e que não consegui ler até o fim (mas um dia volto nele, com certeza).

Editado: conforme prometido, post sobre a leitura, finalmente, de O Jogo do anjo! ?

Uma ótima quinta-feira pra vocês (aqui em Porto Alegre, com muita chuva, de novo)!!!

Beijos,

nine_signature

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

1 comentário

Dica de Livro | O Jogo do Anjo – Desanuviamentos · 12 de março de 2017 às 17:33

[…] dele. De lá pra cá, li quase todos os seus romances: ‘O Prisioneiro do Céu’, ‘Marina’, ‘As Luzes de Setembro’ e por último (ainda faltam três contando o lançamento que […]

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