“Acho que muita coisa depende de ter expectativas sobre como nossa vida deveria ser.  Quanto menos você  espera, mais contente você é.” (Ari, bisneto de Anahita – pág. 261)

Deixa eu confessar para vocês que esse foi o melhor romance que li nos últimos tempos, ao menos um dos mais bem escritos! Sabem quando a gente fica hipnotizada pelos personagens, pelo enredo, pelo cenário… Quando tudo, cada capítulo prende e nos deixa com aquela sensação de não querer fazer mais nada a não ser avançar e avançar na história pra saber logo o final, mas ao mesmo tempo torce para que o livro não termine jamais? Pois foi esse o sentimento que acompanhou toda a minha leitura de A Rosa da Meia-Noite, da escritora Lucinda Riley.

Lucinda é irlandesa, mas conheceu boa parte do Oriente em viagens de férias com seus pais,  vive entre a Inglaterra e a França, já foi atriz e aproveitou seu conhecimento no mundo da dramaturgia para começar a escrever. No seu currículo já constam mais de 10 livros publicados e entre os últimos, praticamente todos tem estado nas top listas, principalmente aqui no Brasil.

A Rosa da Meia-Noite foi presente de aniversário de uma querida amiga e a princípio ele ficou de lado. Eu já havia cruzado com esse romance nas livrarias por muitas vezes e simplesmente ignorava, com um certo preconceito até, imaginando tratar-se desses romances em série que estão na moda e que definitivamente não me agradam. Me enganei de tal forma que nem consigo pensar no tempo que perdi… Imaginam isso?

São quatro gerações em capítulos que se completam brilhantemente, cenários que passeiam entre India, Inglaterra e França, personagens misteriosos, de personalidade marcante, imponente, forte; e muito bem descritos… Do Império Britânico à Independência da Índia, até os dias atuais, histórias de amor, de amizade, de lealdade, romances que ultrapassaram essas quatro gerações e deixaram um legado que poucos conheceram, mas aqueles que puderam, viveram de forma incrível. Com toda a riqueza e diversidade cultural dos países retratados no romance, o desenvolvimento de cada personagem surpreende pelos detalhes e pelo sincronismo entre gerações até finalmente nos apresentar a história nos dias atuais; ou mesmo a busca incansável por um pedaço perdido dessa história, o lado mais escuro, a maldade disfarçada e regada à jogos de interesses, as peças que o destino pregou: todos esses ingredientes fizeram com que eu devorasse esse romance em alguns dias.

Sinopse:

Atravessando quatro gerações, A Rosa da Meia-Noite percorre desde os reluzentes palácios dos marajás da Índia até as imponentes mansões da Inglaterra, seguindo a trajetória extraordinária de Anahita Chavan, de 1911 até os dias de hoje. No apogeu do Império Britânico, a pequena Anahita, de 11 anos, de origem nobre e família humilde, aproxima-se da geniosa Princesa Indira, com quem estabelece um laço de afeto que nunca mais se romperia. Anahita acompanha sua amiga em uma viagem à Inglaterra pouco tempo antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Ela conhece, então, o jovem Donald Astbury, herdeiro de uma deslumbrante propriedade, e sua ardilosa mãe. Oitenta anos depois, Rebecca Bradley é uma jovem atriz norte-americana que tem o mundo a seus pés. Quando a turbulenta relação com seu namorado, igualmente rico e famoso, toma um rumo inesperado, ela fica feliz por saber que o seu próximo papel – uma aristocrata dos anos 1920 – irá levá-la para muito longe dos holofotes: a isolada região de Dartmoor, na Inglaterra. As filmagens começam rapidamente, e a locação é a agora decadente Astbury Hall. Descendente de Anahita, Ari Malik chega ao País sem aviso prévio, a fim de mergulhar na história do passado de sua família. Algo que ele descobre junto com Rebecca começa a trazer à tona segredos obscuros que assombram a dinastia Astbury.

Anahita, como a centenária indiana e personagem principal dessa história, é a que mais me surpreendeu. Por sua força, determinação, seu conhecimento e acima de tudo, sua resiliência, seu entendimento de que o mundo poderia ser muito bom, mas também muito mau, que algumas coisas poderiam dar certo enquanto outras estavam fadadas ao fracasso, devido suas origens e seu destino. Sua sabedoria e seus dons permitiam que conhecesse os caminhos que ela teria que percorrer na vida.

“Mas tenha cuidado, minha Anni, pois os humanos são complicados e suas almas geralmente têm muitas camadas. Onde você acredita que vai encontrar bondade, talvez encontre o mal também. E onde você enxerga apenas o mal, talvez haja algo de bom.” (Pai de Anahita – pág. 101)

O romance começa narrando a infância de Anahita na Índia, sua amizade com uma princesa e a mudança de vida após essa amizade que vai acompanhá-la em altos e baixo pela vida toda. Dos palácios indianos às mansões na Inglaterra, onde mais uma vez, ao lado da amiga Indira, vai receber a oportunidade de estudar como seu pai sempre a estimulou, o que o destacava em meio à cultura indiana de que apenas os homens devem ter acesso ao conhecimento enquanto as mulheres precisam se tornar boas esposas, mães e donas de casa. Da mãe, Anahita herdou uma sensibilidade e um dom especial para curar feridas do corpo e da alma através da medicina ayurvédica, além de prever alguns acontecimentos futuros, seus e de pessoas próximas. Uma música, em especial, soando em seus ouvidos, não costumava garantir boas noticias.

Assim como ela busca aprimorar esse dom e ajudar os outros, também consegue entender que seu destino é seguir para a Inglaterra, ir em busca de seus sonhos, mesmo que o preço a pagar seja deixar sua mãe na cidade natal e aprender a lidar com a dor da saudade.

“Foi então que comecei a entender que nem todo mundo vivia em uma cidade de conto de fadas cor-de-rosa, com pais amorosos e comida na mesa toda noite. Vi coisas terríveis nessas visitas: pobreza, doença, fome e toda a agonia que um ser humano pode sofrer. Aprendi ainda jovem que a vida não era justa. Foi uma lição que carreguei até o resto de meus dias.” (Anahita, sobre as visitas as vilas pobres que fazia com a mãe – pág. 98)

Enquanto a vida vai seguindo seu curso, Anahita se vê em meio à personalidade forte de sua amiga Indira (acostumada a ter suas vontades atendidas sem muito esforço), às novas companhias que vão surgindo, ao natural descompasso entre a amizade das duas devido ao preconceito da sociedade britânica e a fase adolescente do momento em que vivem; Anahita descobre novos caminhos, novas amizades que independem da sua relação com Indira; conhece um jovem inglês – de família nobre, porém decadente – por quem se apaixona e de quem inicialmente tenta manter-se protegida, alimentando apenas uma agradável amizade. Esse jovem é enviado à guerra na França e eles começam a trocar correspondências, até que ela resolve ajudar no esforço de guerra, atuando nas enfermarias e o reencontra.

No vai e vem dos capítulos, passeando por entre uma e outra geração, surgem personagens que parecem se entrelaçar, mas que ao mesmo tempo parecem não querer interferir no destino. Assim, surgem uma atriz hollywoodiana que lembra ancestrais americanos, uma mansão inglesa em decadência que serve como locação para um filme de época, um descendente mais decadente ainda da dinastia inglesa, Lorde Astbury e o neto de Anahita, Ari Malik, que entra em cena um pouco antes de sua bisavó deixar esse mundo, quando ela lhe dá a missão de reencontrar o filho que ela jura que não está morto. Ari Malik fica com uma difícil decisão nas mãos: dar corda aos desejos da avó morta e ir atrás de seus ancestrais ou não.

O cenário por onde as histórias se desenrolam são encantadores e um belo presente da escritora aos seus leitores, que podem explorar a imaginação com riqueza de detalhes. Apesar de um romance extenso, dividido em várias gerações, ela consegue costurar muito bem as histórias de cada personagem e passear por essas gerações sem nos cansar em suas narrativas.

A Índia caótica e cheia de cor e calor (climático e humano), as festas típicas, os sáris, a ostentação das castas mais altas, os palácios e os costumes que soam estranhos aos nossos costumes. A Inglaterra em sua estrutura hermética, plana, rigorosa, exata,  seus campos, seus lagos, seus castelos com toda imponência, seus personagens aristocratas e suas rotinas em mansões repletas de empregados. Uma França que mesmo em guerra não perde seu charme e a oportunidade de abrir caminho para grandiosos romances.

O fato de o presente se misturar ao passado tão distante fez com que eu não desejasse largar o livro e me atrasasse diversas vezes para o trabalho ou para sair de casa, isso sem mencionar as noites insones…

Uma história linda, um romance com todos os elementos que podemos esperar de uma escritora de muito talento. Um misto de emoções que só fazem com que esse livro mereça estar entre os mais lidos por muito tempo. E eu não dava nada por ele e digo mais uma vez, só o tenho porque ganhei de presente e só resolvi lê-lo porque muitas de vocês insistiram e garantiram que era um bom livro!

Agora não tenho dúvidas sobre o quanto estavam certas e posso agradecer o presente e recomendar a leitura sem nem pensar duas vezes!

Foi pra lista dos favoritos de 2015!

Um beijo grande, uma ótima semana pra vocês!

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

3 comentários

Clauo · 4 de setembro de 2015 às 08:25

Oi Nine!
Este está aqui na fila, aguardando a vez…rs
Li e adorei A Casa das Orquídeas, dela tbe. Recomendo!
Bjks mil

    Nine Copetti · 4 de setembro de 2015 às 13:25

    Outro que vale muito a pena, é longo mas incrível! Já anotei aqui A Casa das Orquideas, obrigada a você pela dica também!

    Beijão!

Leituras de 2015 | A lista | ≈ inƒinito particular ≈ · 24 de abril de 2016 às 19:14

[…] A Rosa da Meia-Noite – Lucinda Riley {♥♥♥♥♥} […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *