Aproveitando a paixão instantânea que tive pelo livro O tempo entre costuras (escrevi sobre ele aqui), antes mesmo de terminar a primeira leitura, já comprei o segundo livro de María Dueñas, que se chama A melhor história está por vir. E acertei a compra.

María Dueñas é professora universitária na Espanha e este é seu segundo livro, o primeiro virou até novela por lá. Eu gostei tanto, mas tanto da leitura de O tempo entre costuras, fiquei tão fissurada na história, tão encantada com a leveza e a riqueza de detalhes daquele romance que claro que não pensei duas vezes quando descobri que havia um segundo, lá fui eu pra Livraria Cultura garantir meu exemplar, né!

Bem, seguindo a linha de O tempo entre costuras, esse romance é muito bem costurado com fatos históricos entremeados com ficção, tudo muito bem escrito, em uma leitura fácil, agradável, que me prendeu do início ao fim, inclusive me fazendo perder a hora algumas vezes ou trabalhar ansiosa pela saída, para poder saber logo o andamento daquele trecho da história.

A sinopse:

Um furacão acaba de passar pela vida da professora espanhola Blanca Perea: o que parecia um casamento feliz de vinte anos termina bruscamente quando seu marido lhe abandona por uma mulher mais jovem, e logo ela é avisada de que, além da nova união,  o casal também espera um filho.

Incapaz de continuar vivendo do mesmo jeito enquanto seu coração está despedaçado, ela aceita uma proposta de emprego nos Estados Unidos para organizar os arquivos esquecidos do falecido professor Andrés Fontana. Mais do que um recomeço, é a chance de Blanca se reencontrar, descobrir o que existe dentro de si e reconstruir sua felicidade.

O trabalho, que no começo parece simples, se mostra cada vez mais suspeito e, entre documentos e novos colegas, como o charmoso Daniel Carter e o rígido diretor Luis Zárate, Blanca começa a perceber que algumas coisas não são esquecidas por acaso.

A autora de O tempo entre costuras volta com mais um emocionante romance, onde o recomeço abre as portas para a história, e a melhor história está sempre por vir.

A história mescla cenas que se passam entre a Espanha e os Estados Unidos, traz em cada capítulo aquela sensação de mistério, de segredos a serem desvendados. Um país totalmente novo, amigos novos, flertes, muito trabalho e alguns segredos sendo revelados aos poucos. Blanca é uma professora universitária desiludida e arrasada pelo fim do seu casamento, mas que com dois filhos praticamente já criados, resolve se aventurar do outro lado do mundo em um projeto que inicialmente parece puramente institucional, com o interesse da faculdade contratante de resgatar e preservar a memória de um professor, Andrés Fontana, um espanhol que viveu ali na Califórnia até sua morte e que teve um papel importante na pesquisa e na tentativa de reavivar

O que Blanca não sabe – e é exatamente aí que a história ganha um brilho extra e uma emoção que faz com que a gente não queira mais largar o livro – é que essa história está mal contada e que há muito mais coisas envolvidas nesse projeto, como questões mal resolvidas do passado de Daniel (de quem indiretamente partiu o convite ao projeto) e de Zárate, diretor da universidade que também não foi exatamente bem informado sobre as intenções de Daniel.

Há em meio ao projeto, novas e importantes amizades, que farão com que Blanca consiga se desligar um pouco do seu sofrimento, alguns flertes de ambos (Daniel e Zárate) em tentativas de conquistá-la, muita informação que precisa ser reunida, documentos que precisam ser encaixados como um gigante quebra-cabeças – e que tem muitas peças faltando, protestos de estudantes, e uma tal “Missión Olvido”.

Segundo conta um trecho do livro, durante mais de cinquenta anos alguns franciscanos espanhóis, monges leais ao rei e com uma fé de ferro, percorreram uma Califórnia indígena, levando missões em nome da pátria e do rei – muito parecida com a história das missões jesuíticas aqui do sul – a fim de educar e cristianizar os povos locais, inclusive erguendo construções pelo percurso, que mais tarde foi denominada Caminho Real, isso fez com que muito da cultura e dos costumes espanhóis, inclusive expressões do idioma, acabassem por marcar território e deixar sinais pelas ruas, pelas casas, pelos nomes dessas ruas e sobrenome de muitas pessoas que hoje vivem na região.

Enfim, mais uma história incrível que merece ser lida com calma e com carinho, uma mistura muito agradável de ficção com pequenas pinceladas de história da América do Norte e da Espanha. Na minha opinião, um livro tão bom e tão bem escrito quanto o primeiro de Dueñas. Ficou na memória, volta e meia sinto saudades dos personagens e de suas histórias e remeto meus pensamentos àquela faculdade, àqueles professores tão preocupados consigo mesmos, mas também com parte da história que merece ser preservada, e que embora seja interesse individual, também é do coletivo e isso acaba se revelando acima de tudo.

Acho que assim como na ficção, no nosso dia a dia também devíamos nos preocupar mais em preservar memórias históricas ou pessoais, em cuidar do patrimônio privado e público, mas principalmente daquele patrimônio que conta uma parte da nossa história, que guarda marcas de um período especial (de vitórias ou derrotas), ou transições, como o cinquentenário do Golpe Militar no Brasil, por exemplo. São coisas que precisam estar registradas para que no futuro outras pessoas saibam o que se passou, o quanto se lutou por algo, quais eram os ideais na época, inclusive para não repetir erros, não cometer atrocidades, repetindo esse passado.

Espero que tenham curtido mais essa dica, estou aproveitando a inspiração para encher o blog com posts variados, pois nem sempre consigo escrever tanto assim!!!

Um beijo grande,

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

8 comentários

Nine Copetti · 4 de setembro de 2015 às 20:56

Clauo, obrigada! É uma história tão bem escrita quanto a primeira, apesar de O Tempo entre costuras ser bem mais emocionante! Mas recomendo muito! E não vejo a hora da escritora publicar seu terceiro romance por aqui! ;)

Clauo · 4 de setembro de 2015 às 08:15

Oi Nine!
Eu tbe adorei Tempo Entre Costuras e este está na minha lista!
Adorei sua resenha :)
Bjks mil

Danielle · 29 de setembro de 2014 às 08:42

Já salvei na minha listinha. Fico pensando que morrerei e não conhecerei todos os bons autores que existem por aí. Ahh querido tempo… Poderia ser mais generoso. Amor ler. Seu blog é um encanto. Adorei!!

Beijos
Danielle

    Nine Copetti · 30 de setembro de 2014 às 17:26

    Oi, Dani!
    Bem vinda por aqui.. Às vezes fico tempos sem postar, mas quando escrevo é com carinho e fico feliz em saber que gostou daqui! Esse livro é realmente muito bom, tanto quanto o outro, “O tempo entre costuras”! Anote os dois, valem a pena!

    E sim, ah que bom se tivessemos um acréscimo de tempo aí só pra leitura, né… Como um bônus por um dia cheio ou coisa assim! ;)

    Beijos pra ti!

Ana Paula · 4 de setembro de 2014 às 15:35

Olha Nine, só pelo título do livro já me da vontade de comprar e ler pra já. Depois de tantas coisas difíceis que tenho passado na minha vida, é bem reconfortante ler algo assim, que “a melhor história está por vir”.
Vou ver se consigo conciliar com minha pilha de leituras para a TCC rsrsr.
Bjs querida!

    Nine Copetti · 4 de setembro de 2014 às 19:22

    Ana, é um ótimo livro sim, e apesar de narrar um pedaço difícil da história da professora Perea, também mostra essa volta por cima. Acho que é um livro pra ti devorar!!! Espero que as dificuldades que tu passou tenham ido pra bem longe!!!

    Eu quase não consegui ler durante o TCC, mas sem pressa dá pra tentar um romance entre artigos, hahaha!

    Beijo grande.

Bere · 3 de setembro de 2014 às 23:26

Oi Nine!! Tambem amei os dois livros desta autora… bjo Bere

    Nine Copetti · 4 de setembro de 2014 às 06:34

    Bere, são historias ótimas, né!? Eu adorei e guardo boas lembranças das duas leituras!
    Beijos e obrigada por comentar!

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