Não sei se é impressão minha, mas os escritores, principalmente os que estão começando agora, andam escrevendo bastante sobre câncer, morte, eventos cotidianos envolvendo doenças terminais… Não que já não existissem livros com esses temas, mas ainda acho que nunca foram tão falados, tão discutidos, tão abertamente comentados, né?

Pois então, esse livro é mais um que pende para um caso de câncer já em fase terminal, a diferença é que os dramas no livro são outros, é uma busca por si mesmo, a chegada da aposentadoria, a sensação de vazio, o afastamento de um casal (com muitos anos de casados) que desacostumou a se curtir, os pequenos valores deixados pra trás, a ausência de ação quando causa dano ao outro, as expectativas criadas por toda vida e não correspondidas ou ignoradas… E por aí, vai!

De forma delicada e gostosa de ler, a gente acompanha de pertinho o personagem Harold Fry que nos conquista com sua inocência e sua preocupação despreocupada, sua motivação desmotivada e vai cativando aos poucos durante a longa caminhada que é bem mais do que uma caminhada para a cura de uma amiga, mas uma caminhada pela descoberta do seu eu.

Ao ler cada linha desse livro é como se a gente entrasse na vida de HF, e desejamos a cada novo capítulo que ele chegue onde deseja… E a gente torce pela esposa que se entristece por ele ser tão desligado e se preocupar mais em andar tanto sem saber se sua amiga estará viva quando chegar lá, e torce para que ele compreenda que a jornada não é sobre a amiga à beira da morte, mas sim sobre ele mesmo, sobre sua vida dentro de um escritório, as coisas que deixou de fazer, o olhar que deixou de admirar, o toque que esqueceu de sentir… Comovente é pouco.

É bem mais sobre como nos preparamos para a vida na velhice, ou sobre como pelo caminho vamos perdendo algumas pequenas coisas, mas tão importantes, tão significativas que podem transformar-nos em estranhos… Passamos uma vida dedicada ao trabalho que o amor (mesmo o amor lá adiante, na velhice) acaba em segundo plano… E deixamos passar detalhes, percepções que antes eram exatamente o que nos chamava pra vida, pro viver!!!

É isso… acho que é o tipo de livro, assim como o A Última Grande Lição (um tesouro de indicação da minha amiga querida, Rita) que acaba guardado no coração, servindo de lição pra nossa própria vida… fica na memória dos melhores livros, daqueles que devem ser lidos sempre que acharmos que a nossa vida está perdendo o brilho ou a graça. São lições tão simples e tão sutis

Sinopse:

Quando Harold Fry saiu de casa numa manhã de sol para colocar uma carta no correio, ele não imaginava que estava começando uma jornada inesperada até o outro lado da Inglaterra. O senhor aposentado decidiu de repente que ia caminhar até a casa de saúde onde uma velha amiga sofria o estágio terminal do câncer.

Harold não leva mapa, bússola, capa de chuva ou celular. Nem mesmo um sapato adequado. Tudo que ele tem é a certeza de que precisa continuar andando.

Para salvar uma vida.

Anotem para ler um dia na vida de vocês, tenho certeza que não irão se arrepender!!!

Que vocês tenham uma ótima semana ( Natal chegando…),

Beijos,

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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