O ruim de ficar tanto tempo sem escrever é que eu acabo ficando meio travada, enferrujada, parece que as ideias não vem com a mesma facilidade. Tanta coisa que gostaria de ter compartilhado com vocês por aqui e acabou ficando somente no pensamento! A correria e o cansaço fazem isso comigo às vezes, mas logo dou um jeito de resgatar as ideias novamente e colocá-las aqui!

Então, aproveitando que consegui desenferrujar o blog ontem com o post de ano novo, a primeira coisa que pensei é que preciso escrever já sobre os livros que andei lendo e não resenhei por aqui! São cinco:

  1.  A Costureira de Dachau, Mary Chamberlain
  2. Marina, Carlos Ruiz Zafón
  3. Doce Perdão, Lory Nelson Spielman
  4. Um Mais Um, Jojo Moyes
  5. Isla e o Final Feliz, Stephanie Perkins
  6. O Cemitério de Praga, Umberto Eco (ainda lendo)

Hoje vou contar pra vocês como foi a leitura do primeiro livro, A Costureira de Dachau. Ele tem a temática que muito me desperta curiosidade, que é a segunda guerra mundial, o nazismo, as vitimas e sobreviventes, os diversos olhares sobre o assunto, seja em forma de romance histórico, relato ou de biografia. E esse realmente foi diferente por mostrar que cada um tem suas razões para seguir o caminho que escolheu. Aos olhos de alguns sempre vai parecer errado, mas só quem passa pela experiência vai poder dizer se havia outro caminho ou não, cada escolha é única e só diz respeito a quem tomou a decisão.

Ada Vaughan era uma jovem do subúrbio londrino, aprendiz de costureira ou modista, como gosta de dizer,  com talento nato e muita ambição. Cheia de planos e sonhos, ela acaba iludida por um elegante senhor que costuma ir a loja onde trabalha e a convida para ir à Paris, onde ele diz que ela poderá ter mais chances de sucesso com seu talento. Seu sonho é abrir o próprio ateliê de costura à la Chanel, “Mason Vaughan”. O que Ada não consegue perceber é que a guerra está batendo à porta, por todos os lados é visto que a qualquer momento pode acontecer. Está tão inebriada, tão encantada com as possibilidades que confia nesse homem, mente no trabalho e foge da casa dos pais para mudar para a cidade luz com esse desconhecido.

Há o encanto do relato sobre o sonho de Ada, sua intimidade natural com os tecidos, sua paixão pela profissão e a facilidade em aprender tudo sobre costura. Ela não mede esforços para trabalhar bem, para melhorar e ser algo mais que a assistente de modista…

Existe também seu lado ingênio acerca do príncipe (no caso o “conde” que a resgata com promessas de um futuro melhor, talvez apenas na imaginação dela, quem sabe) encantado, mesmo depois de ser advertida tanto pela sua chefe quanto pela família, mas jovens não costumam dar muita atenção aos conselhos de adultos, não é mesmo?

Quando finalmente Ada se dá conta do perigo, precisa se refugiar em um convento. Claro que as pessoas dali, especialmente a madre superiora, não veem isso com bons olhos, e as coisas pioram muito quando, já disfarçada de freira, ela descobre que está esperando um bebê. Assim ela é forçada a abandonar seu filho e se retirar do local onde estaria protegida. Acaba sendo enviada a Dachau onde vai tentar sobreviver costurando para a esposa de um oficial nazista, assombrada diariamente pela perda do filho, que acredita esteja vivo em algum lugar.

Mesmo não trabalhando exatamente no campo de concentração nazista, ela acompanha – pelas conversas que ouve enquanto costura – o terror de viver ao lado de um dos primeiros campos de concentração.

Esse livro tem uma história cativante, por vezes nos faz querer julgar os atos da mocinha que se deixa iludir por um homem mais velho, que vê esperança onde ninguém mais vê, ou melhor, demora tanto a ver o perigo à sua frente que nos perguntamos em que mundo ela vive. Por outro lado, podemos dizer que é também a história de uma mulher forte, jovem e bonita que abandonou a família por um sonho, acabou traída pelo destino, pelo homem que achou que a salvaria de tudo, perdeu o filho para salvar a pele e também a família que não mais a aceitou, foi capaz de tudo para sobreviver ao cenário de guerra, à sua guerra interior e ainda reuniu esperanças para tentar, depois de tudo, encontrar seu filho.

O restante da história merece ser lido com calma e sem tantos spoilers. Ada ainda terá que se prostituir, enfrentar a prisão e julgamento pós-guerra, a sua história é intensa, realmente regada à uma sucessão de erros e de ilusão, não se consegue medir o quanto ela ainda está sendo ingênua, se deixando levar tão facilmente por situações que ao menos estando de fora – assim como quando assistimos nas novelas alguém se dar mal e não entendemos como não se dão conta do perigo – são claramente uma cilada. E a leitura é fluída, tensa e nos faz querer terminar logo pela angustia e pela curiosidade. E a nós resta absorver essa história de privação e provação e tirar cada um suas conclusões, suas lições. Cada um de nós trava todos os dias algumas batalhas interiores, algumas maiores, outras nem tanto.

“Não falei nada porque ninguém teria ouvido. Existe um limite para o que as pessoas querem saber sobre a guerra, e o limite é nada se a sua história não se encaixar em suas expectativas. É melhor ficar de boca fechada.”
Ada Vaughan

Não é um romance surpreendente, não consegui definí-lo como histórico, o embasamento é até meio superficial para quem se apega aos detalhes e sai pesquisando o que citam nas obras. Mas é um bom romance, prende e nos instiga a ler de uma vez só!

Sinopse via Livraria Saraiva:

Londres, 1948. Ada Vaughan está encarcerada na prisão de Holloway, acusada de prostituição e assassinato. Quem é essa mulher? O que a levou a esse destino?
Passado entre o glamour de Savoy e o desespero dos campos de concentração, A Costureira de Dachau conta a história de uma mulher traída e abandonada que precisa sobreviver sozinha, contando apenas com a própria esperteza para sobreviver às tragédias da maior guerra que o mundo já enfrentou. Mas suas razões podem parecer suspeitas, e não há certeza de sua inocência… Será que uma simples costureira pode ter mais segredos do que se ousa imaginar?

E então, alguém de vocês já leu A Costureira de Dachau? Tiveram outras impressões sobre a história?
Como já tem meses que li, posso ter deixado passar algum detalhe importante, mas o que mais me marcou durante a leitura com certeza está aí!
Um beijo grande pra vocês e ótimas leituras em 2016!
  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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