Terminei dias atrás a leitura dessa que é a segunda obra de Khaled Hosseini! Inspirada no Afeganistão e nas histórias que ele viveu e ouviu em Cabul e nos arredores!

Só pra vocês entenderem de onde surgem essas histórias de tamanha sensibilidade e delicadeza mesmo (e principalmente) nas descrições mais dramáticas e tensas:

Hosseini nasceu na capital do Afeganistão, Cabul. A sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para raparigas em Cabul. Seu pai envolveu-se com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou a sua família para o Teerão, Irão (Teerã, Irã, na grafia do Brasil), onde o seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam a Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue. Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris, França, por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini, asilo político, nos EUA, onde passaram a residir em San Jose, Califórnia. As suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Quem já leu mais de um livro desse escritor consegue perceber claramente sua inspiração, suas ideias, a caracterização de seus personagens e da cultura tão particular e tão incompreendida e questionada mundialmente,  a marca de suas histórias é justamente o ponto que nos custa tanto compreender: as leis islâmicas, as regras de convivência entre mulheres e homens afegãos, a cultura que privilegia esses homens e humilha ou maltrata essas mulheres.

Na minha opinião, esse livro foi tão tenso e emocionante quanto o primeiro, O Caçador de Pipas. Traz trechos que nos chocam pela cultura, pela violência (tanto contra a mulher quanto a violência pela guerra), nos arrancam lágrimas, nos fazem refletir sobre os nossos costumes tão distintos, nos fazem pensar – porque não tem como não se envolver com as histórias – o que seria de nós, enquanto mulheres, se vivêssemos naquela época ou naquela cultura.

Sinopse via Skoob:

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: “Você pode ser tudo o que quiser.” Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do “todo humano”, somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Bem, o livro conta a história de duas mulheres afegãs – Mariam e Laila – de mundos diferentes, com perspectivas de vida muito diferentes uma da outra que acabam se encontrando por um acaso do destino, um acaso cruel, de intolerância, de tradições que se contradizem e destroem vidas, de guerras e perdas irreparáveis.

Enquanto Laila teve pais presentes – embora uma mãe quase alienada pela preocupação com os filhos homens, que foram pra guerra -, boa educação e instrução, um pai que a ensinou que ela poderia ser tudo o que desejasse,  liberdade de expressão em casa e amigos, inclusive do sexo oposto, Mariam vive uma vida humilde (até demais) com sua mãe, escondidas da sociedade por ela ser fruto de uma relação proibida, vive de sonhos, tem a presença inconstante do pai e a esperança de um dia ser legalmente reconhecida por ele, enquanto sua mãe guarda todas as mágoas e despeja em sua filha a ira e a tristeza que carrega.

“Pegou dez pedrinhas e arrumou todas elas na vertical, formando três colunas. Era uma brincadeira que fazia de vez em quando, se Nana não estivesse por perto. Pôs quatro pedras na primeira coluna, representando os filhos de Khadija, três para os de Afsoon e três, na terceira coluna, para os filhos de Nargis. Acrescentou, então, uma quarta coluna. Uma décima primeira pedrinha, solitária.”

Como em quase todas as histórias afegãs que tenho lido nos últimos tempos, essas duas mulheres vão se encontrar e o encontro não será fácil. Vão passar por momentos terríveis antes e após se conhecerem. Ambas, apesar de nutrirem sonhos e esperanças de uma vida digna e com alguém que as respeitem, acabam sendo oferecidas em casamento ao mesmo homem e a partir daí a saga dessas mulheres que a princípio se odeiam (sem saber ao certo porque) precisarão se unir, para aplacar o ódio, para tentarem se erguer após cada queda, para que se fortaleçam e criem coragem de seguir em frente quando nada mais restar. Ou quando o mais importante restar. E elas irão se transformar. E mais uma vez, baixando a guarda, elas irão se aceitar e entender a importância dessa união do destino.

Sei que muitas pessoas não curtem esse tipo de literatura, por trazer muitos momentos de violência, muita tristeza e sempre a velha história da submissão da mulher, mas garanto pra vocês que em A Cidade do Sol, Hosseini consegue ir além, transpor a barreira dos preconceitos e das dificuldades de seu povo e nos mostrar um lado inteiramente novo, um fio de esperança, com mulheres fortes, com ideais construtivos, cultura transformada e uma cidade que merece ser reconstruída nos moldes que seu povo merece e sonha.

Digo (e já disse tantas vezes) que chorei muito quando li O Caçador de Pipas, chorei de soluçar – a sorte é que li todo em casa, e relutei bastante a começar a leitura de A Cidade do Sol, acho que fiquei traumatizada. Mas quando comecei a ler as primeiras páginas, algo nessa história já me conquistou, talvez a inocência e o brilho nos olhos dessas duas moças tão novinhas, tão cheias de sonhos. E quando suas histórias foram se desenvolvendo, se aproximando e finalmente se cruzaram, precisei conter as lágrimas, e não foram poucas vezes. Algumas delas – vocês sabem que leio na cantina do hospital onde trabalho, antes das 7h, por quase uma hora – precisei fechar o livro às pressas e segurar essas lágrimas, retomando somente quando chegava em casa, segura de que não teria platéia e com uma caixa de lenços por garantia.

Deixei todos os detalhes por conta de vocês, porque  a riqueza desse livro está neles. E as lições também. Assim como em Dançando Sobre Cacos de Vidro, aqui também comparamos vários trechos ao nosso dia a dia e podemos aprender muito com o romance.

Título: A Cidade do Sol

Escritor: Khaled Hosseini

Classificação: Romance Afegão

Ano de Publicação: 2007

Tradução: Maria Helena Rouanet

Editora: Nova Fronteira

Espero que gostem da dica, e se alguém já leu, conta aqui nos comentários o que achou!

Um beijo enorme, desculpem a demora em reaparecer aqui – as aulas voltaram com tudo, é finaleira, gente!!!

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Ana Paula · 13 de fevereiro de 2014 às 18:29

Oi Nine!
Acho q vou curtir esse livro. A história parece bem tocante.
Poste mais dicas q eu adoro!!!
Bjs

    Nine Copetti · 13 de fevereiro de 2014 às 20:57

    Ana! Ele é meio enrolado no início, mas depois a história realmente fica interessante e não dá vontade de largar!
    Há quem não curta esse tipo de romance, eu já li uns quatro e embora todos se pareçam muito, são histórias lindas, que valem a pena ser lidas.
    Se você ler, me conta!
    Beijo grande ;)

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