“Havia algo de insustentável nas coisas, nas pessoas, nos prédios, nas ruas, que somente reinventando tudo, como num jogo, se tornava aceitável. Mas o essencial era saber jogar, e eu e ela, eu e ela apenas, sabíamos fazer”

Mais uma indicação que recebi pelo Instagram e que me deixou super feliz ao final da leitura. Podem continuar me dando dicas, gurias, tenho aproveitado cada uma delas! ♥

{A amiga genial} é o primeiro romance de uma tetralogia/série napolitana da escritora fantasma (porque ela nunca apareceu em publico e aparentemente ninguém a conhece) Elena Ferrante.

Quando a Pat me indicou essa leitura, o que mais me chamou a atenção foi o fato de a história – além de ser passar em Nápoles, ser retratada no período pós segunda guerra mundial e narrar a amizade entre duas garotas completamente diferentes uma da outra – trazer com muito humor a cultura e os costumes das famílias italianas da época, o que não é tão diferente assim das mais atuais, né! Então, esse romance é diversão e também uma viagem no tempo. Inclusive daqueles que só ouviram historias dos seus avós!

Sinopse:

Primeiro livro de uma tetralogia passada em Nápoles, esta é uma história sobre mulheres – sobre o conflito e o afeto entre duas meninas, que, ao crescer, se duelam, se completam, se separam e se unem quase indistintamente. E é dessa luta que nasce a personalidade ímpar dessa história: em uma cidade que ainda sofre as consequências da Segunda Guerra, Lila e Elena vivem no limiar entre a realidade, que oferece tensão e violência, e o imaginário, que busca aprendizado, glamour, desejo e beleza.

Lila e Elena (Lenú) são simplesmente vizinhas que se cruzam ao frequentar o mesmo colégio, morar no mesmo bairro, acompanhar as mães às compras nos mesmos lugares.

Lenú é quem narra a história e conta de início como sua amizade estranhamente começou. Ela era determinada e assim determinou: seria amiga de Lila.

Lila era uma menina diferente, à frente das outras, audaciosa, destemida, encrenqueira em sala de aula, mas com uma inteligência fora de série, apesar de viver aprontando das suas, quando chamada sempre se mostrava uma menina com conhecimento além das expectativas, destacando-se dos demais colegas. Se bem que era preciso ter um motivo, um desafio maior para que ela realmente se interessasse.

Lenú admirava Lila e logo deu um jeito de se aproximar. Aos poucos foram se tornando amigas, mas uma amizade em que ela mais doava que recebia. Lenú acabou sendo como que a sombra de Lila, buscava inspiração e estudava com afinco (e também era ótima aluna) apenas para poderem conversar e debater alguns assuntos do jeito delas. Uma instigando a outra a pensar mais e mais.

Assim crescerem. Em meio ao caos do bairro, das brigas e dificuldades familiares, das dificuldades financeiras e dos esforços da professora junto aos seus pais para que continuassem estudando.

“…se o amor é exilado das cidades, as cidades mudam sua natureza benéfica e, natureza maligna. Por fim me perguntou: – O que significa para você uma cidade sem amor? – Um povo privado da felicidade. – Me dê um exemplo. […] – A Itália sob o fascismo, a Alemanha sob o nazismo, todos nós, seres humanos, do mundo de hoje.”

As duas amigas crescem e aprendem juntas a entender o mundo em que vivem, a desvendar o mistério das próprias vidas, dividem medos, descobertas, a adolescência, os namoricos. Estudam juntas até que o dinheiro e a vontade dos pais – que precisam de ajuda em casa e na sapataria, impeçam que Lila continue seus estudos e Lenú acaba tendo que seguir sozinha sua jornada no Ginásio e sozinha passe a se descobrir tão genial quanto sua amiga, deixando finalmente de ser uma sombra – como se só agora se desse conta de sua capacidade.

Daí em diante tudo parece ficar muito diferente do que elas estavam acostumadas. Caminhos opostos que parecem fazer com que o contato seja cada vez mais raro e a amizade, estremecida.

Lenú tenta retomar, através de cartas e de visitas, ao menos um pedacinho do que foram os anos em que estiveram juntas e 100% dedicadas uma a outra, mas parece que Lila realmente está mais interessada no seu casamento financeiramente útil, e, no “alto” dos seus 17 anos, parece decidida a esquecer sua paixão por livros, suas idas à biblioteca, seus debates com a amiga.

Em um vai e vem de histórias que vãos se desenhando entre os personagens e suas famílias, o clima tipicamente italiano, as emoções à flor da pele, o jeito dramático das mulheres e a agressividade guardada em cada homem, a personalidade intempestiva e arrebatadora por trás do aparente controle, cada uma vai seguir sua própria vida…

Uma história quase caricata, mas que também traz um relato dos sonhos e desejos daquela época – que continuam sendo os sonhos e desejos de hoje: uma busca constante pelo que é melhor, por meios de sair da pobreza, dos limites da cidade, de se instruir, de buscar refugio nos livros e na escola e de repente se questionar se realmente tudo isso é tão ou mais importante quanto a vida convencionada pela sociedade: ou você passa a vida dedicada aos estudos e perde bons partidos e o sustento da família ou parte para a busca de alguém que valha a pena, que seja bem resolvido financeiramente, ou ainda, dá vazão aos sentimentos e entrega-se ao grande amor da sua vida sem pensar nas consequências?

“A beleza que desde pequena Cerullo tinha na cabeça não encontrou saída, Greco, e foi parar toda no rosto, nos peitos, nas coxas, na bunda, lugares por onde passa depressa e é como se nunca tivesse existido”. (Professora Oliviero para Lenú, sobre Lila)

Definitivamente, {A amiga genial} superou todas as minhas expectativas e agora me deixou órfã, pois não sei quando o segundo romance da série será publicado por aqui! Alguém tem notícias?

Bem, é isso… E que venha mais uma semana tranquila e serena pra nós!

Agora, me contem vocês o que andam lendo… ♥

Beijos,

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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