(comecei a escrever esse post no dia 05 de março, gente, que correria louca é essa? Só agora consegui me concentrar e terminar, ufa!)

Essa é uma dica de livro que realmente fico em dúvida de indicar, sabem… Um pouco por parecer uma história tão dura, tão insensível e que remete nossas lembranças às aulas de história lá do primeiro grau (ou ensino fundamental, para os mais novinhos). À Hitler, Stalin, Segunda Guerra Mundial, União Soviética, Rússia… e todo aquele emaranhado de assuntos tão interessantes quanto atemorizantes!

Esse livro é bem diferente de tudo que estou acostumada a ler, mesmo as histórias mais tristes não chegam a me abalar tanto quanto 1984, realmente mexeu comigo, me fez pensar e repensar em tantos acontecimentos, tantos fatos de agora e do passado, tantas coisas pelas quais já ouvi as pessoas falarem que passaram, mesmo da época da Guerra do Golfo, que já tinha idade suficiente para acompanhar pela TV e entender algumas coisas.

Pra começar, tudo soa meio surreal, só que também dá aquela sensação de “já vi esse filme” ou “já ouvi essa conversa” antes! Ou pior, parece que o narrador e personagem central estão relatando nossa atual situação econômica, social e política, pasmem!?! Previsão, deja vu ou seja lá como queiram chamar, o fato é que pra quem curte  história, sociologia, ou antropologia e até mesmo quem não entende “bulhufas” dessas coisas, o livro com certeza nos deixa aflitos, reflexivos, com os nervos à flor da pele a cada página que avançamos.

Apesar de tudo isso, de todo estranhamento inicial, o texto flui e a história prende a gente. Eu me peguei algumas vezes (quando parava bem no meio de algum capítulo decisivo) com vontade de largar tudo a minha volta e me enfiar em um cantinho qualquer só pra conferir como aquilo terminava. E acho que só não terminei antes a leitura porque estava afundada em trabalhos e forçadamente lia aos poucos!

Winston – o personagem central – é um cara utópico, que acredita que pode mudar o mundo a sua volta, que crê na existência de pessoas boas e bem intencionadas, que acredita que mobilizações são capazes de transformar esse mundo em um lugar “ideal” e bom de viver.

Big Brother e a filosofia do poder pelo poder simplesmente, nada além do poder. Manipulação, pensamento forjado, tortura, guerras disfarçadas, acordos inexistentes, sociedade robotizada, lavagem cerebral, exploração e vigilância descabida.

O inimigo disfarçado de parceiro. E que mesmo nos piores momentos de tortura afirma ser o melhor amigo.

Há cenas chocantes, fortes demais, descrição de tortura mental e física, uma espécie de ditadura enrustida de socialismo, creditada ao Big Brother ( ou ao Grande Irmão)  que esta presente em grandes retratos espalhados por todos os lugares com olhos ao mesmo tempo compassivos e ameaçadores (segundo a descrição do próprio autor)! De alguém que te protege e amedronta, que te oferece um lar e “tudo” o que você precisa pra sobreviver e ainda te faz acreditar que isso é bom, ou que é tudo que eles tem a oferecer. O Grande Irmão é o centro de tudo, guarda um cinismo sinistro, controla com um simples olhar num poster, que parece dizer mais que as palavras são capazes de nos fazer entender. As vezes parece mesmo um BBB desses que muitas pessoas gostam de assistir na TV, e algumas vezes parece que o povo que vive nesse “mundo” é o mesmo que aceita cesta básica em troca de votos! Nem é preciso que me estenda sobre isso, né. É essa a essência que percebi ao ler 1984, um retrato fiel do mundo atual, quase uma premonição! Qualquer semelhança com o caso das Coréias do Norte e Sul, dos ditadores dos tempos atuais e da política cada vez mais vergonhosa e temerária quase não é mera coincidência.

Bem mais triste é saber que – escrito em 1949 – se referia ao ano de 1984 e já em 2013 as coisas não estão muito diferentes do que se imaginou que pudesse ser superado!

Enfim, se vocês curtem obras que misturam ficção e história/política/sociologia, se estão interessados em um romance que mistura conspiração, manipulação, lavagem cerebral entre outras características desse tipo, é a escolha certa. Dizem se tratar de um clássico, eu acredito que seja mesmo, pois nunca um livro mexeu tanto comigo em relação as coisas do mundo e me fez sentir uma certa confusão sobre o tempo da obra (quase atemporal) como 1984. Mesmo com um certo cuidado, recomendo.

E pra finalizar, recomendo também pra quem curte, pesquisar sobre a época, sobre a ditadura, sobre os golpes militares, sobre a separação da URSS, sobre Stálin, Hitler, Mussolini, sobre a ditadura militar aqui no Brasil. Eu tenho muita curiosidade sobre esses temas e essa época, gostava de ouvir meu avô contando histórias sobre como era difícil, como tudo era vigiado e como a liberdade era tolhida em tantas formas.

Não estranhem se tiverem também uma sensação sinistra de deja vu quando terminarem a leitura e as pesquisas.

Um site que fala muito sobre essa obra de George Orwell é o Duplipensar (termo utilizado no livro, inclusive). Vale a visita para quem quiser se aprofundar no estudo do livro.

E depois de tanta tensão o jeito foi escolher um livro bem simpático, fluido, com uma história bonita e bem doce pra equilibrar e fazer meus pensamentos voltarem ao normal: Anna e o Beijo Francês – que inclusive ganhou um post aqui assim que acabei a leitura. Sim, porque agora, tanto tempo depois, já estou lendo um terceiro livro {Minha Doce Paris} junto com {Anna Kariênina}, ambos em ritmo lento quase parando.

Uma ótima semana pra vocês,

Boas leituras…

Beijos,

PS: O post parece que ficou meio confuso, mas resolvi deixar assim, porque foi exatamente a sensação que tive o tempo todo enquanto lia 1984!

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Ana Paula · 17 de abril de 2013 às 14:53

Oi Nine!
Eu ouvi falar mt desse livro. E ouvi falar bem. Ainda nao li. Alias, tenho lido coisas misturadas, desisto de ler, volto a ler, coisas de quem tem déficit de atenção. Tenho tantas resenhas de livro p escrever lá no blog…
Gostei do post, nao achei confuso nao. Tb tenho mt interesse nesses temas. As vezes me acho um tanto ignorante em história geral e na leitura a gente se aprende mt coisa.
Vc leu Crianças de Grozni? Eu adorei esse livro. Sempre compro de presente qd alguém faz aniversario. Tb me fez aprender mt sobre a URSS e o que ocorria e ainda ocorre naquela região.
Bjs

    Nine Copetti · 17 de abril de 2013 às 15:11

    Ana Paula, guria, a curiosidade que ganha a gente, né!!! Eu também não entendo muito desses assuntos mas minha curiosidade me atrai! Adorei a dica desse livro que tu falaste, já anotei! A Rússia me atrai particularmente, mas nunca li nada muito além de Dostoieviski, com muito custo, haha!

    Vamos trocando figurinhas!!!

    Beijo grande pra ti!!!

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