Já nem sei quando foi a última vez que fui ao cinema. Talvez tenha sido pra assistir um dos filmes do Hobbit. Realmente não me lembro. Com essa história de Netflix (que também já não tenho mais) e Apple TV, acaba que preferimos alugar filmes de casa mesmo, assistindo no conforto do nosso sofá, com muita pipoca e café! ;)

Ontem percebi que já estava disponível para alugar Um Senhor Estagiário, que traz no elenco nada menos que Robert de Niro e Anne Hathaway. Já estava na lista pra assistir e marido topou me fazer companhia. Pipoca e café à postos, bora assistir!

A história gira em torno de uma jovem empreendedora, a Jules (bem ao estilo de Sophie Amoruso em seu livro biográfico, o #GirlBoss) que tem uma e-commerce feminina que está indo tão bem que ela já não tem tempo nem mesmo pra si. Ok, história conhecida e batida! Mas aí entra a parte interessante, em um formato de projeto social, a empresa (não exatamente com o consentimento de Jules, mas não importa, porque com tantas tarefas, talvez ela simplesmente não se lembre) resolve abrir seleção para treinees seniors! Isso mesmo, estagiários idosos, já aposentados e com muita vontade de voltar à ativa de alguma forma. Assim surge em sua vida o senhor Ben (Robert de Niro).

Ben é viúvo, tem um filho que mora longe e com quem já não tem tanta identificação, embora o ame muito, claro. E ainda é super ativo e depois de 40 anos trabalhando na mesma empresa, como administrador de uma fábrica de listas telefônicas (elas ainda existem?) e tenta usufruir da sua aposentadoria criando uma rotina própria que não o faça ficar em casa entediado. Em uma de suas andanças pelo bairro, ele se depara com um anúncio que à primeira vista parece até meio absurdo: uma vaga para estagiários idosos. As exigências não são muitas, apenas que os interessados enviem um vídeo via YouTube ou Vimeo explicando porque gostariam de conquistar aquela vaga. Simples. Até mesmo para quem nunca teve muito contato com o mundo tecnológico, não é mesmo?

Sinopse via Adoro Cinema:

Jules Ostin (Anne Hathaway) é a criadora de um bem-sucedido site de venda de roupas que, apesar de ter apenas 18 meses, já tem mais de duas centenas de funcionários. Ela leva uma vida bastante atarefada, devido às exigências do cargo e ao fato de gostar de manter contato com o público. Quando sua empresa inicia um projeto de contratar idosos como estagiários, em uma tentativa de colocá-los de volta à ativa, cabe a ela trabalhar com o viúvo Ben Whittaker (Robert De Niro). Aos 70 anos, Ben leva uma vida monótona e vê o estágio como uma oportunidade de se reinventar. Por mais que enfrente o inevitável choque de gerações, logo ele conquista os colegas de trabalho e se aproxima cada vez mais de Jules, que passa a vê-lo como um amigo.

Enquanto inicialmente a gente tenha a impressão que o filme será um deja vu de O Diabo Veste Prada ou então do famoso filme que se passa na sede do Google – Os estagiários – as cenas vão se desenrolando com muita inteligência, tocando sutilmente em feridas que todos conhecemos ou já vivenciamos, tendo idosos por perto.
A cena em que Ben se decide por enviar o video à empresa é realmente instigante… Ele pede ajuda ao neto para entender melhor a tecnologia com a qual terá que lidar para gravar o tal vídeo. Desenvoltura não lhe falta, no alto dos seus 70 anos, ele consegue fazer um vídeo que mexe com quem o assiste durante a seleção. A graça fica por conta da entrevista ao vivo, onde a cada pergunta não consegui segurar o riso. Porque, claro, as perguntas usuais não cabem mais em um senhor de 70.
As cenas seguintes se passam entre a empresa e as residências de Ben e Jules. Muito lentamente Ben consegue ultrapassar a barreira de proteção imaginária da Jules. Na empresa ele agrada praticamente toda a equipe, é o queridinho do momento, fazendo amizade muito facilmente, inclusive com os demais estagiários, seu entrosamento é instantâneo. Dá dicas do seu tempo, ensina os garotos como conquistar uma mulher de verdade, não tem medo do trabalho e de quebra ainda se apaixona pela massagista. Apenas Jules parece não entender (ou não aceitar) que ele pode ser fundamental ali.
Ah, não mencionei que Jules é casada com um cara que abriu mão de tudo, da sua carreira inclusive, para dar espaço e tempo livre para a esposa se dedicar ao seu negócio. É ele quem cuida da casa e da filhinha deles. Lembrando que Jules vive agora praticamente 90% do seu tempo para a empresa, que as reuniões de pais da escola, os aniversários das amiguinhas da filha e todos os problemas domésticos quem resolve é ele. E isso gera um crise de proporções gigantescas, mesmo sem eles perceberem. Ben ajudará inclusive nisso.
Um amor de filme.
A verdade é que Um Senhor Estagiário vem para nos tirar da nossa zona de conforto, para nos fazer pensar sobre os nossos velhos e sobre a nossa própria velhice. Sobre o quanto – enquanto jovens – somos impetuosos, impulsivos, cheios de energia e coragem ao mesmo tempo que não conseguimos distinguir medo e desespero. As relações entre gerações diferentes só nos fazem crescer como pessoas e ter mais empatia.
Nunca pensei que um filme tão singelo seria ao mesmo tempo tão instigador e reflexivo. As cenas em que Jules claramente se sente esgotada e com medo de passar a um estranho as rédeas da sua empresa e que finalmente decide dar uma chance ao seu “estagiário senior” são tão gostosas de assistir, tão bonitas de verdade, que não tem como sair ileso quando o filme acaba.
Assistam quantas vezes for possível.
O trailer legendado para dar um gostinho…

E mais uma vez, definitivamente: vocês precisam assistir esse filme. Hilário, sim, comédia, sim, com alguns diálogos clichês também… Mas ao mesmo tempo consegue nos fazer refletir sobre as questões que envolvem o envelhecer e continuar vivendo e compartilhando as experiências… Engraçado, sensível, doce e que rende até algumas lágrimas e uma torcida muito forte para que Jules e Ben consigam se entender e tirar o melhor de cada um nessa jornada.
Fica a dica. E se mais alguém assistiu, please, comenta aqui!!!
Beijos,
nine_signature
  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Regina · 14 de fevereiro de 2016 às 07:37

Amei a dica e irei procurar para assistir com o marido.

    Nine Copetti · 21 de fevereiro de 2016 às 15:20

    É muito divertido, Regininha! E com boas reflexões sobre amadurecimento, velhice… Vocês irão gostar!

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