Imagem: popsugar

Aproveitando a ladainha sem fim dos dias chuvosos, aproveitei pra descobrir algumas coisas boas no Netflix pra passar o tempo entre cafés, chás, livros e ócio, hahaha! Nada como dias chuvosos pra te obrigarem a fazer literalmente nada, né… Só saímos de casa se formos obrigados e como não tínhamos nenhum compromisso sério nesse final de semana, aproveitamos – na verdade, eu aproveitei, porque marido preferiu ficar trabalhando no computador – pra assistir alguns filmes, series e um documentário que foram indicados por amigos!

{Primeira dica}

Comecei com uma Série chamada Chef’s Table, cada episódio fala da vida e da trajetória de alguns dos chefes de cozinha mais importantes do mundo, é muito bacana mesmo para quem não vive esse mundo, mas admira a cultura da comida, a forma como cada profissional se relaciona com ela e mais indiretamente, com seus clientes, através da sua impressão deixada em cada prato criado, construído. Os dois primeiros episódios me conquistaram de cara! Essa dica quem me passou foi a Roberta, uma querida que descobri através de uma amiga dos cafés – e que faz pães artesanais divinos aqui em Porto Alegre (quem quiser saber mais, procura no IG ou no Facebook por Goda Padaria).

No primeiro episódio, Massimo Botara, italiano de Modena, premiado e presente no guia Michellin, tem uma história muito bacana e de muito esforço, como todo chef que se preze, para fazer com que as pessoas entendessem sua fissura por estabelecer uma nova geração na cozinha italiana. É dele a “ops, derrubei a torta de limão” que revolucionou a forma de servir a sobremesa a partir de um erro. Fala inclusive sobre como surgiram os respingos que hoje decoram pratos no mundo inteiro. Muito curioso e interessante. A prova de que temos muito mais a aprender do que a ficar chateados com nossos erros, né? Esteve a ponto de desistir de tudo devido às muitas críticas negativas recebidas no início, mas com o apoio da esposa e sua personalidade perseverante resolveu insistir mais ainda e finalmente conseguiu conquistar o público com suas inovações. Comanda a Osteria Franciscana.

No segundo episódio, temos Dan Barber, norte americano, ligado à origem dos alimentos e o ciclo que naturalmente vai se formando quando realmente se compreende esse mundo. Acompanha de perto os produtores, procura se inteirar da origem do que usa em sua cozinha, e de como a cadeia de alimentos funciona. Desde a criação de animais, a agricultura e seguindo sempre o curso da natureza e das necessidades que vão surgindo em cada modalidade até o total aproveitamento de tudo que criamos e plantamos. Genioso, mas sua preocupação com o equilíbrio da cadeia alimentar o faz ganhar pontos com a gente. Comanda o Blue Hill. É interessante o movimento em que ele está envolvido, que vem ao encontro do que a cultura do café tem apresentado (do produtor à xícara), só que em relação aos alimentos em geral – do produtor à mesa – assunto que rende muito pano pra manga, inclusive sobre alimentos geneticamente modificados (mas não transgênicos). Ele questiona muito os modos de produção atuais, faz pesquisas, acompanha de perto as novidades, sugere mudanças e tem um livro publicado que levanta todas essas questões que são definitivamente interessantes (ainda não saiu em Português, que eu saiba, mas tomara que saia logo) onde propões essa nova onda alimentar através das suas pesquisas, sob o título The Third Plate. Fiquei tentada com essa leitura.

Vale muito a pena assistir, a série é uma produção própria da Netflix, já tem seis episódios em forma de documentários (todos disponíveis para os brasileiros) um para cada chef, e com certeza devem existir mais a caminho. Mostram como a alimentação é importante para a formação da cultura da comida em cada canto do planeta, como as pessoas em geral reagem às mudanças, à evolução dessas culturas e como cada chef pode ser extremamente parecido em essência e tão diferente em preferências, práticas e técnicas. Vou deixar o trailer abaixo pra vocês se inspirarem, ok:

Eu admiro cada pessoa que escolhe trabalhar com comida. Mais ainda aquelas que estão sempre estudando, buscando novos alimentos, novas formas de apresentar um velho e conhecido prato, que se relaciona com os produtores, que prioriza e valoriza o trabalho dos produtores familiares e locais, mesmo com tanta burocracia e tanto entrave encontrado na legislação brasileira que muitas vezes impede a relação direta do pequeno produtor com os restaurantes. A esperança é que tudo isso pode ser transformado e melhorado. Andamos nesse caminho… Assim como muitos países já fazem há tempos.

Enfim, poderia ficar dias falando sobre isso com vocês, mas ainda tenho mais um documentário e um filme pra indicar, então, bora lá… Só finalizo dizendo que recomendo demais que assistam. Fabuloso. Assistam mesmo! ♥

 

{Segunda Dica}

Depois de assistir esse seriado inspirador que é o Chef’s Table, numa sugestão dada pelo próprio Netflix conforme o que vamos assistindo (nem sempre funciona bem, mas dessa vez eu curti muito a dica), foi a vez de assistir um documentário sobre os vinhos da região francesa da Borgonha (ou Burgundy, para os mais chegados)! Essa é para os enófilos, francófilos ou simpatizantes dos vinhos franceses de plantão! A Year in Burgundy Film ou no nosso bom portugês, Um ano na Borgonha, um documentário que acompanha todas as principais vinícolas da região durante a safra de 2011, nos mostrando etapa por etapa, desde a plantação até a produção de fato dos vinhos.

O trailer é em francês (ô idioma lindo de se ouvir) com legenda em inglês, mas quem for assistir pelo Netflix consegue legendar em português – só não esqueçam que o título na busca está em inglês mesmo, tá? Olhem que lindo:

Mas não só isso, nos mostra curiosidades sobre como acontecem os processos, as particularidades de cada produtor, as dificuldades de lidar com secas ou excesso de chuvas e granizo, as características que a bebida ganha de acordo com esses fatores (clima, terreno, cuidados), além da bela fotografia que nos hipnotiza enquanto eles passam de uma vinícola à outra, pelos vilarejos. É realmente incrível. E nem comentei que o que se passa nesse documentário é a vida real dos viticultores, a ansiedade, a espera por uma boa colheita, a preocupação com o clima e com a antecipação dessa colheita, enfim, sem muita montagem, inclusive durante as colheitas, em um dado momento a polícia chega para fiscalizar trabalho dos colheitadores.

Eu conheço e provei pouquíssimos vinhos franceses, nenhum muito especial, ainda estou na fase de aprendiz, me acostumando aos chilenos e aos poucos inserindo um ou outro vinho europeu. Mas tenho muita curiosidade sobre o tema, sobre a ciência que envolve a produção e, assim como o café, como a mágica acontece para que cada uva nos presenteie com aromas e sabores tão distintos e especiais. Se vocês já são adeptos dos bons vinhos e querem acrescentar mais conhecimento sobre o tema, recomendo, é lindo, é interessante e é acompanhado o tempo todo por uma importadora francesa muito simpática e perspicaz, que faz questão  de visitar os lugares de onde compra seus vinhos. Resumindo: apaixonante! ♥

{Terceira Dica}

A última dica é de um filme sobre um tema bastante recorrente no blog e na minha vida pela curiosidade sem fim que tenho por esse assunto: a segunda guerra mundial e o holocausto. Sei que muitas pessoas não gostam do tema e preferem manter distância de algo tão triste e desumano, mas também sei que existem outras que, como eu, tem interesse em saber mais e mais e assim leem romances, biografias, relatos históricos, assistem documentários e filmes e também pesquisam muito em fontes da internet que mantém acervos riquíssimos.

O filme da vez – A Chave de Sarah – foi super recomendado e há tempos, eu é quem acabava esquecendo da indicação até que, outra vez, o Netflix fez o favor de me indicar de acordo com o que andei assistindo sobre o mesmo tema. E aproveitei que o marido estava bem concentrado trabalhando nas coisas dele (ele não é muito fã desses dramas) para ver com calma.

Como tudo que envolve esse período da história, o drama está fortemente presente. A história de Sarah se passa na França, mais precisamente no Marais, em Paris. Na época, a França era aliada da Alemanha e os judeus por lá também eram recolhidos inicialmente ao campo de trabalhos forçados e depois para Dachau ou Auschwitz.

Sinopse via Adoro Cinema:

1942, durante a ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo. Décadas depois, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas. Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah.

É uma história linda, cativante, que traz consigo um pouco de culpa, de tentativa de reparar o que não tem conserto, um sentimento de compaixão, de resgate. Eu sempre digo que não sei como teria sido viver nessa época, ou pior, viver na pele dos judeus dessa época e creio que ainda hoje esse tema seja um grande tabu, algo delicado demais para rodas de conversa, até mesmo em família. Ainda assim, são coisas que não devem ser esquecidas, que deixaram marcas em muitas pessoas – algumas ainda vivem entre nós, muitas ainda são julgadas pelos crimes de guerra, tantos anos depois.

Tendemos a pensar que quem sobreviveu conseguiu reconstruir sua vida, formar nova família, mas é inimaginável a dor e as marcas que essas pessoas trazem dentro de si e que muitas vezes enterram com elas, sem dividir com ninguém seus traumas, suas tristezas, suas dores muito mais emocionais que físicas.

Tem alguns trechos do filme que são cruéis demais para qualquer ser humano, chegam a doer fundo no peito, outros servem mais como reflexão mesmo. O trailer oficial é esse:

O filme se intercala entre a atualidade e a decada de 40 e a história se cruza exatamente em um apartamento localizado no Marais onde a família de Sarah foi recolhida por soldados nazistas e que tantos anos depois foi justamente ser o apartamento que fez com que a vida da jornalista Julia virasse de ponta cabeça, onde ela tentaria a todo custo desvendar a história de Sarah, inclusive tentando descobrir seu paradeiro, depois de ficar sabendo que estava viva. Entre cenas do campo, da separação de Sarah dos seus pais, da fuga do campo e da vida turbulenta da jornalista, do marido pouco presente, de uma gravidez inesperada e a mudança para esse apartamento cenário de tanta tristeza, muita sensibilidade e um certo “pedido de desculpas”. O filme é francês e foi lançado em 2011. Acho que é um bom complemento a todos os outros filmes sobre o tema e um olhar diferente do que estamos acostumados, já que poucas vezes se ouve falar em países que foram dominados e tornaram-se aliados da Alemanha!

Se vocês tem curiosidade pelo tema como eu, coloquem na lista para assistir, não é um filme extraordinário, peca um pouco no andamento da história mais atual, mas mesmo assim vale a pena. ♥

Se quiserem ver mais sobre o assunto, já dei algumas dicas em posts:

Dica de Livro | Hanns & Rudolf

Dicas de Filme | Corações de Ferro e Sniper Americano

Dica de Livro | A Menina que roubava livros

Dica de Livro | O Último Judeu

Espero que aproveitem as dicas, se tiverem mais algumas para compartilhar, deixem nos comentários… Se a chuva não parar, vou precisar de muitas pra dar conta de ficar dentro de casa! Hahaha!

Um beijão pra vocês!

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

1 comentário

Dica de Filme | Maratona de Produções Francesas · 10 de agosto de 2015 às 23:44

[…] Bem, esses foram os filmes franceses da minha maratona do final de semana… Ainda assisti, por indicação da minha amiga Kaká, do Coisas que eu gosto, Um ano na Champagne, um documentário magnífico sobre o cultivo de uvas e a produção de champagne na região norte da França! Recomendo tanto quanto Um ano da Borgonha! […]

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