Cinema já tem um tempo que não frequento – o último filme que lembro que assisti foi A Menina que Roubava Livros; assistir filmes em casa então, desses que a gente realmente se acomoda no sofá e vê até o fim, ih… nem lembro. Mas tudo são fases, né?

Pois bem, esse final de semana foi de preguiça, não saímos a não ser pra ir até o supermercado, não viajamos, então ontem resolvemos alugar um filme pelo Apple TV e nosso super sábado foi bem no estilo caseiro (adoro)! Pipoca e chocolates a postos, escolhemos Noé.

Alguém de vocês já assistiu esse filme?

Bem, aparentemente se trata de uma adaptação da historia bíblica sobre o famoso diluvio e a tal arca de Noé.

O que eu sei sobre Noé – resumidamente e com memória quase infantil – é que ele foi um escolhido por Deus para a missão de construir uma Arca e recolher nela um casal de cada espécie de animais, além da sua família, para que sejam salvos do dilúvio que varreria a terra e a tornaria pronta para um novo começo, sem a traição de Eva e sem a maldade que surgiu quando eles resolveram morder a tal maçã (que não é a da Branca de Neve) e encheram o mundo de pecados. Lembro disso pela leitura de uma dessas bíblias ilustradas para crianças, tenho as imagens bem claras até hoje.

Agora falando sobre o filme de fato: Noé (no original em inglês, Noah) é um filme épico estadunidense, baseado na história bíblica da Arca de Noé, que foi lançado no início deste ano.

O filme traz Russel Crowe – Noé; Jennifer Connelly – sua esposa Noéma; Anthony Hopkins – avô de Noé, o velho Matusalém, entre outros atores.

Sinopse (via Adoro Cinema):

Noé (Russell Crowe) vive com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll) em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins). Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila (Emma Watson), que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.

É reconhecidamente inspirado em uma historia bíblica, remete e cita textos bíblicos, mas tem uma pegada ficcional muito interessante, efeitos especiais que criam um ambiente fantasioso em algumas cenas, bem surreais, além de não ter aquela carga de um filme “religioso”, e provavelmente não foi essa a intenção de quem pensou e produziu esse filme, mas há quem questione, critique positiva e negativamente, há quem impeça a divulgação inclusive, nos países que tem uma relação mais forte com essas questões. Inclusive alguns cientistas e estudiosos do criacionismo questionaram a forma como a origem do universo foi abordada. Bem, eu só queria assistir um filme, me divertir e… bem, refletir um pouquinho no final, com meus botões e com vocês (confesso!!!).

Volto a dizer, de acordo com o que aprendi desde a infância, tudo ali muito se parece tanto com as coisas que li na tal bíblia infantil quanto nas aulas de ciências ou na catequese, fato. E foi ótimo perceber conforme as cenas corriam, que a intenção do produtor não foi seguir ao pé da letra essa historia, mas fazer um filme de ficção que empolgasse o público (bem, comigo ele conseguiu) e que de quebra nos fizesse refletir sobre questões importantes do mundo real.

A cena em que Noé precisa decidir eliminar o filho de Ila (a menina que ele resgatou no início do filme e que se tornou esposa de seu filho mais velho, Sem) é de partir o coração e de nos fazer pensar o que a crença cega em uma religião é capaz de fazer com uma pessoa – você perde o senso crítico e passa a fazer tudo em nome de algo maior, sem refletir as consequências de sua ação. Ila engravida e como a vida nova na terra será habitada apenas por animais e não por homens, Noé acredita que não deverá haver continuidade da família, determinando que todos terão seu fim e nenhuma semente de vida humana será plantada. Ila a princípio é estéril devido à um golpe violento que recebeu antes de ser resgatada. No final das contas, Ila dá a luz duas meninas, que na ideia de Noé, precisam ser mortas. Isso gera uma crise familiar gigantesca e um conflito interno em Noé, que ao se ver diante de duas bebês inocentes, não consegue consumar o ato de matar. Vocês conseguem ter noção do quanto esse filme é tenso? Pois é…

A parte dos guardiões (ou anjos caídos) que se transformaram em pedra, e em dado momento ajudaram Noé na construção da arca foge completamente do que estamos acostumados, mas cativam pela bondade, pela preocupação em fazer algo bom. São seres iluminados por dentro, embora pareçam rochas.

Deem uma olhada no trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=kULOhaYuk8M

Deu pra notar que o cara que produziu esse filme quis ir além da bíblia, nos provocando algumas reflexões tão obvias que costumam passar despercebidas, mas tão sérias e transformadoras que é preciso algo maior, que salte aos nossos olhos para entendermos que é preciso repensar certos comportamentos. Vai desde o temor à Deus, o amor à família, a vitória sobre as tentações do mundo, até o ódio que te transforma, seja para defender a própria família, para servir a um propósito que tu acredita ser maior ou simplesmente porque se corrompeu e passou a pensar somente em ti.

Aos que acharam o filme anticristão eu digo que é apenas mais uma versão do que conhecemos, mais um ponto de vista em meio à um dilúvio de dúvidas que todos os dias levantamos sobre a nossa vida, o nosso futuro e o futuro da terra. Acho até que é muito mais profundo, que assim como outros filmes nessa temática, nos faz sentir incomodados, retraídos, como se não soubéssemos bem o que fazer com os pensamentos que vem a mente a cada cena, como aquela pedrinha que entra no sapato logo cedo ao sair para o trabalho e só conseguimos retirá-la quando chegamos de volta em casa e mesmo as sim ela persiste em ficar ali, cutucando, machucando…

Sem dúvida vale assistir, vale refletir, vale discutir e pensar sobre tudo isso e sobre a relação da ficção com a realidade… Ambas cada vez parecem mais próximas uma da outra.

Eu ainda não consegui relaxar depois desse filme. Meus neurônios estão alvorotados, agitados como  salada de fruta em liquidificador. Pode ser exagero, até porque apesar de ser batizada católica e ter aprendido muitas coisas, não sou praticante e evito ao máximo discutir religião, mas vamos combinar que indo tão além da religião, esse filme pode render discussões bem interessantes sobre o caráter do ser humano e sobre como é difícil ser um humano, sujeito à fraquezas de todo tipo, sujeito ao amor sublime e ao ódio extremo.

Fica a dica e o convite aos comentários…

Beijos,

Uma ótima semana pra vocês…

 

 

 

 

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *