Eu sempre fico curiosa pelos bastidores de um filme animado. Há tanta coisa envolvida, tanto trabalho, uma verdadeira arte que leva meses para finalmente poder ser gravada e transformada em película. Especialmente esse, onde os personagens e objetos foram confeccionados com argila. Imaginem só a minuciosidade para montar cada cenário, cada detalhe, cada acessório, todos os personagens, carros, casas… É surpreendentemente incrível, não consigo pensar em outras palavras para descrever.

Argila + algumas sucatas + Adam Elliot = filme mais lindo e comovente dos últimos tempos.

Mary é uma garotinha australiana de 8 anos, com uma mancha na testa e muitas perguntas na cabeça. A mãe é alcoólatra, o pai obcecado pelo trabalho. Na escola, Mary sofre bullying por causa dessa mancha, que tem cor de “cocô”. Com poucos amigos, pouco sai de casa – saindo apenas para ajudar seu vizinho com as correspondências, um velhinho traumatizado pela guerra, sem as pernas, que vive numa cadeira de rodas e toda vez que tenta sair na rua acaba voltando pra dentro de casa rápido, a qualquer barulho. Ela gosta de um garoto que mora ali perto, mas ele também parece não notar muito sua presença.

Max é um novaiorquino de 44 anos, com problemas sociais sérios, que mora sozinho, isolado de tudo, já passou por diversos empregos e nunca conseguiu entender o que as pessoas tentam transmitir, nem mesmo o amor.

Ambos tem em comum o gosto pelo desenho Os Noblets, ambos colecionam os bonequinhos do desenho. Max tem toda coleção em uma estante exclusiva enquanto Mary precisou usar sua imaginação para ter alguns deles, todos feitos com sucatas.

A história começa em 1976, na Austrália, com Mary Dinckle na casa de seus pais tomando seu chá favorito – Earl Gray, enquanto assiste Os Noblets.

Enquanto isso, em Nova Iorque, Max Horowitz também assiste Os Noblets e se esforça para manter seu peixe Henri vivo – seu único amigo.

Em um dia qualquer, Mary acompanha a mãe aos Correios e lá, enquanto o tempo não passa, ela resolve dar uma olhada na lista de endereços de Nova Iorque. Resolve que precisa conversar com alguém de lá, ela tem muitas perguntas a fazer, muitas coisas que quer saber se são iguais as da Austrália. Aleatóriamente e apressadamente, já que sua mãe aprontou alguma e precisa sair correndo de lá, Mary arranca o último endereço de uma das páginas da lista. O endereço de Max Horowitz.

Sinopse:

Primeiro em um plano geral e, depois, em closes de objetos espalhados por ruas e casas, vamos acompanhando o estilo de vida de Monte Waverley, a cidade australiana onde vive Mary Daisy Dinkle (quando criança, com a voz de Bethany Whitmore; adulta, com a de Toni Collette). A garota de 8 anos quer, acima de tudo, fazer alguma amizade, segundo nos conta o narrador desta história (voz de Barry Humphries). Ao mesmo tempo em que conhecemos um pouco da vida das pessoas que cercam a Mary, incluindo seus pais, Noel e Vera (voz de Renée Geyer), seus animais de estimação e vizinhos, somos apresentados a peculiar educação que ela recebeu. Mary adorava passar seus dias assistindo ao desenho Os Noblets na TV. Enquanto isso, em Nova York, o quarentão solteiro e solitário Max Jerry Horovitz (voz de Philip Seymour Hoffman)  também assistia Os Noblets. Pela iniciativa de Mary, que encontra em uma lista de Nova York o nome de Max, os dois vão começar a trocar correspondências, mantendo uma amizade através de cartas pelo tempo e apesar da distância.

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Uma comédia dramática que nos convida a refletir sobre as nossas relações, sobre os nossos medos, nossas sombras, sobre o reflexo desses medos sobre quem ou o que nos rodeia. Aborda a complexidade do ser humano, a natureza do coletivo que nos força a nos relacionar com a sociedade mesmo quando a nossa natureza interior nos diz que o melhor é a própria companhia. um filme claramente dirigido aos adultos, carregado com um humor bastante ácido, tocando em feridas que a maioria de nós prefere esquecer, varrer para debaixo do tapete ou simplesmente ignorar.

É uma animação primorosa, um trabalho brilhante, mas muito além disso, é uma pesada crítica aos problemas que sempre existiram numa sociedade que se preocupa mais com aparências do que com qualquer outra coisa, listando facilmente aí: bullying, depressão, suicídio, alcoolismo, fuga, fobia social, sexualidade, religião, pedofilia, deficiências… Isso tudo pra começar.

Apesar da tensão pela abordagem de temas tão assustadores e desconfortáveis, o filme tem realmente uma beleza artística, um trabalho perfeito de caracterização das emoções que surpreende e encanta. Eu me apaixonei pela forma como a animação foi conduzida e transformada em um importante meio de desmistificar tudo isso.

Resumindo: uma história meio real, meio imaginária sobre uma amizade verdadeira e profunda entre duas pessoas muito diferentes, de países distantes e ao mesmo tempo tão iguais em reconhecer os monstros que habitam suas almas solitárias.

Trailer:

Um dos melhores longas animados dos últimos tempos.

Apesar da dose de drama, me peguei rindo dos nomes de cientistas que Horowitz dava aos bichos. E seu amigo imaginário era chamado de Ravioli. Ah, ele tinha uma receita deliciosa de cachorro quente de chocolate que fiquei realmente curiosa pra experimentar… Não tem como ficar ruim, né!?

Então deixo essa dica para quem curte a arte da animação cinematográfica regada à boas reflexões!

Está no Netflix.

E tem feriadão à vista, gente!!! Yeeeeey!!!

Bora se preparar (inclusive pra quem gosta de fazer nada nesses dias)… Separar uns livros, preparar umas playlists novas, umas revistas, estocar pipoca e chocolate ou então deixar o carro tinindo pra fazer uma pequena viagem… E vamos combinar que não importa muito o que vamos fazer, desde que nos encha de alegria! ♥

Beijão,

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

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