Pessoal, esse final de semana rendeu… Conseguimos assistir dois filmes super recomendados que acabaram de sair dos cinemas e que não conseguimos ver enquanto estavam em cartaz. Os dois transitam pelo tema da guerra e tudo que ela envolve, principalmente as vidas de cada um e a estrutura emocional de quem vai pro fronte.

Quem me conhece sabe que amo esse tema desde criança, livros, filmes, aulas de história… Já quis fazer parte das Forças Armadas, fazia visitas aos quartéis, às exposições bélicas e cheguei até fazer prova, mas fui indeferida por pura falta de atenção e porque talvez meu destino estivesse nos hospitais mesmo, né! Enfim, continuo apaixonada e estudando o tema. E esses filmes, embora não sejam sempre fiéis aos acontecimentos, dão o tom daqueles tempos (e dos tempos atuais também, às vezes a gente esquece que há muitas guerras em andamento agora, infelizmente).

Esses dois filmes assistimos alugando pelo Apple TV – ainda não estavam disponíveis pelo Netflix. Um na sexta-feira e o outro, depois de muitos (mesmo) comentários positivos, resolvemos assistir ontem, quando chegamos de viagem! Bem, não perdemos tempo quando se trata de boas indicações.

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Corações de Ferro é um filme que tem como cenário o final da Segunda Guerra Mundial e como personagem principal “Wardaddy” – ou pai da guerra, desempenhado por Brad Pitt. Um carro tanque com uma tripulação já exausta e quase sem armas precisa enfrentar alemães resistentes na própria Alemanha Nazista. Poucos homens, um tanque apelidado de “Fúria” e um novato datilógrafo que precisa se adaptar a sua nova função na guerra, inclusive matar quem tente resistir.

Sinopse oficial:

Abril de 1945. Enquanto os Aliados fazem sua incursão final na guerra pela Europa, um sargento do exército endurecido pela guerra chamado Wardaddy (Brad Pitt) é responsável pelo comando de um tanque Sherman e uma equipe com cinco homens em uma missão mortal atrás das linhas inimigas. Em menor número, com pouco armamento, e lidando com um soldado novato em seu esquadrão, Wardaddy e seus homens encaram inúmeras adversidades em suas tentativas heróicas de atacar o coração da Alemanha nazista.

Um filme com cenas de guerra cruéis, fortes, muito próximas da realidade, onde matar significa viver, isto é, você precisa matar se quiser salvar a própria pele e voltar pra casa. Mas muito antes disso, eliminar nazistas já é motivo suficiente para esses soldados estarem ali, ao menos para esse grupo de soldados.  Estar frente a frente com um cenário de horror, com famílias ainda tentando fugir, com armamento pesado que nem mesmo um tanque Sherman é suficiente para proteger a tripulação, perdas que vão muito além de parceiros de missão. A pressão de um ambiente hostil, de terror mesmo, onde não há espaço para sentimentalismos, fraquezas “humanas”, nem mesmo para a religião. Onde você precisa deixar de lado todas as suas crenças, seus princípios e enfrentar com coragem e lealdade o que vier pela frente, mesmo que isso signifique cinco soldados contra trezentos. Para tanto, dizem que na maior parte do tempo em que estavam no fronte, esses soldados não estavam sóbrios, a sobriedade não permitiria a nenhum homem com um mínimo de humanidade fazer o que é preciso em uma guerra.

Em meio tudo isso, há também cenas comoventes, de inocência e amor, talvez de um pouco da fé que reste quando há uma pausa. É o que dá o tom e nos permite crer que uma guerra nunca traz nada de bom para nenhuma sociedade, e que nenhum homem de bem volta de uma guerra inteiro – isso quando volta.

Segue o Trailer:

Recomendo para quem gosta do tema ou do Brad Pitt, vale muito a pena. Só não recomendo a quem tem problemas com cenas mais que fortes, de muito sangue e morte.

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E o de ontem, Sniper Americano, curtimos mais ainda. Eu já era fã de Bradley desde O Lado Bom da Vida, né! Nesse filme ele está mais incrível ainda.

O filme é baseado na autobiografia de Chris Kyle, reconhecidamente o Sniper mais letal dos Estados Unidos. Em um filme nunca é possível aprofundar muito e dar o verdadeiro tom de uma história verídica. Ao contar uma história de alguém com um histórico  de mortes em guerra tão significativo, corre-se o risco de tê-lo como um herói, o que até pode ser para aqueles que estiveram com ele na linha de frente, e para os filhos que nem sabem muito bem o que acontece. Mas o fato é que a guerra destrói as pessoas e consequentemente pode destruir suas famílias se não houver estrutura, acompanhamento psicológico ou uma avaliação sensata dos riscos de quem se coloca a disposição do governo por “patriotismo”. Há toda uma utopia em salvar o mundo dos maus e no meu ponto de vista foi isso que o filme tentou mostrar pra além da realidade. Você realmente acredita ser responsável por salvar o máximo de pessoas e esquece que a família também precisa ser salva. Você fica obcecado em eliminar inimigos e perde todos os valores na guerra. Lembrando que os Estados Unidos é reconhecidamente um país de cidadãos extremamente patriotas e cujo histórico de intervenção militar vem de muito tempo atrás.

Esse filme já se passa em um momento bem atual, em conflitos com terroristas, cita o 11 de Setembro, enfim… Fico imaginando quantos soldados – como os mostrados no filme, além do próprio personagem central – voltaram para casa e tiveram que enfrentar outra guerra (interna, muito mais profunda e séria) contra pesadelos, lembranças e bagagens pesadas demais pra levar pro resto da vida?

Pensando também nas famílias que ficam à espera do seu retorno, esposas, filhos, pais, irmãos. No caso de Kyle, um pouco antes  ou depois (há controversas, terei de ler o livro pra confirmar) de alistar-se ele conhece quem se tornaria sua esposa e no dia do casamento é chamado para o que seria o primeiro turno no Iraque. Entre idas e vindas, ela engravida duas vezes e fico pensando nesses intervalos que ele passou em território de guerra, arriscando a vida, tendo de matar quaisquer crianças, jovens e adultos que tivessem nas mãos armas letais! É tanto horror que ou a pessoa enlouquece (e a maioria nega até o fim que esteja com problemas psicológicos/traumas de guerra) ou ela fica indiferente a sua própria vida e da sua família, que é mais ou menos o que aconteceu com esse Sniper. Pensando no lado da família, tem que ter muita força e muita vontade para conseguir manter uma família em pé nessa situação.

Quantos voltam? Quantos vivos? Alguns dariam tudo para nunca terem pisado fora do seu país num conflito, mas outros como Kyle, fizeram da guerra e da profissão de atirador uma válvula de escape, uma missão pessoal e intransferível, deram um sentido muito maior do que deveriam e se esqueceram de quem realmente importava. Até onde vai o patriotismo, a defesa do país e quanto vale realmente o reconhecimento dos governos e da população por esses atos “heróicos”?

É um filme baseado em uma história real, mas dá pra tirar tantas lições dele, refletir sobre tantas coisas da nossa vida, sobre nossas crenças, os valores que andam tão fora de ordem. É um bom filme por essas questões, tem um cenário muito bem construído, cenas de ação que prendem do início ao fim, momentos de muita tensão, apreensão e terror, como é esperado em filmes desse tipo, falha em outros aspectos, mas eu não sou crítica de cinema, né, gente! Então, pra mim, valeu muito a pena e recomendo (com as mesmas ressalvas do filme anterior).

Sinopse:

Chris Kyle (Bradley Cooper) é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos que, em dez anos (1999-2009) se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Sua única missão era proteger seus companheiros e no fim recebeu diversas condecorações por seu trabalho.

E aqui o trailer:

Bem, essas são as minhas impressões sobre esses dois filmes, guerras são sempre temas muito delicados e nem todos curtem assistir, mas para quem quiser se arriscar, posso dizer que não irão se arrepender.

Uma ótima semana pra vocês!!!

Beijos,

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

1 comentário

Dica de Filme / Série / Documentário | 3 dicas em 1 post · 25 de agosto de 2015 às 00:00

[…] Dicas de Filme | Corações de Ferro e Sniper Americano […]

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