“Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados”

Olha só, taí um filme que tive coragem de assistir sem culpa de não ter lido o livro antes. E olha que demorei pra assistir, afinal, já tem um tempo que saiu de cartaz e deixou de ser febre: A Culpa é das Estrelas! Pois é… Passei mil vezes pelo livro quando foi lançado e simplesmente ele não me atraia quando me olhava do canto de alguma prateleira de alguma livraria, das tantas que devo ter entrado de lá pra cá.

Quando resolveram que fariam uma adaptação pro cinema até me empolguei, jurei que compraria o livro para cumprir o ritual de ler antes de ver, mas nada… Pior, comprei outro livro do mesmo escritor, com a mesma pegada de literatura juvenil – que nem me agradou tanto assim, a não ser pelo título mesmo [Cidades de Papel] . Por falar nisso, também não fiz resenha dele aqui no blog (ando realmente displicente, né, hahaha).

Enfim, melhor falar do filme, que foi o que me fez escrever por aqui hoje pra vocês, num finalzinho de quinta-feira, depois de um dia cheio, um lanche rápido no lugar do jantar e um chocolate pra inspirar um post que deveria versar sobre pipocas e afins, pois bem…

Sinopse:

Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro.

Um adendo: para falar a verdade, não decidi assistir ao filme, ele me escolheu enquanto passava pelos canais do TeleCine dias atrás. O tema já não assusta porque tem sido abordado há tempos por escritores e roteiristas e também porque creio que tenho convivido tanto no trabalho, com amigos e com a família, com pessoas enfrentando o câncer (alguns vitoriosos, outros sem a mesma sorte) que já me sinto mais à vontade, sem aquele peso ou tabu, e claro, sem grandes exigências e críticas, embora ainda precise de muitos lencinhos em algumas momentos, inevitável eu penso, não seria diferente com esse filme.

Hazel é uma menina adorável, adolescente, tendo que lidar com o seu desenvolvimento (do corpo e da mente) e com a doença que tem feito parte dos seus dias. Tem aquele humor ácido, com respostas imediatas, próprio dessa fase da vida, com uma dose de amadurecimento precoce, tão “natural” aos que passam por momentos difíceis, mas que não se espera que crianças ou adolescentes tenham que passar na vida. Tem um olhar modificado sobre o mundo e sobre todas as coisas que conhece.

Augustus é um rapaz inteligente, muito esperto, carismático. Também enfrenta um câncer cedo demais, mas com a coragem e determinação de um jovem cheio de saúde. Quer muito deixar sua marca no mundo, se preocupa com a lembrança que as pessoas terão dele depois que se for e faz questão de que seus amigos escrevam um “elogio fúnebre” para ele. Apesar de ter que lidar com o lado ruim da doença o tempo todo, ele tenta levar sua vida como um jovem deve levar, se aventurando, se apaixonando e vivendo cada segundo como se fosse o último, desafiando a si mesmo.

Hazel e Augustus se conhecem em um desses grupos de apoio, ficam amigos e logo se apaixonam. Um amor que ganha nova dimensão com a presença constante da doença, do tubo de oxigênio na mochila de Hazel, das recaídas, das idas ao hospital. Eles tem muito em comum além do câncer, são adolescentes, estão na melhor fase da vida, de descobertas, de revelações sobre um amor mais maduro e terno.

Há também a relação com os pais e com os amigos, as dúvidas, o medo da perda precoce, o vazio que está sempre por perto como uma sensação de que há mais e mais para se fazer. As oscilações de humor geradas por esse medo, pela tensão, pelo tratamento em si, tudo colabora para que as coisas as vezes pareçam não ter saída.O melindre naturalmente aparece com esse medo de se relacionar até com os mais próximos, por mais ousados e aparentemente corajosos, fica aquela inquietação, a insegurança em relação ao futuro (isso mostra como não devemos calar nossos sentimentos jamais).

Então, a história tem um carisma, tem um enredo simples e gostoso, um drama que já não surpreende tanto, como eu disse antes, mas sem dúvida é um bom filme, principalmente se o público almejado são jovens que nessa situação muitas vezes sentem-se intimidados e impelidos a viver com os desafios naturais e obrigados a lidar com ambientes frios, desprovidos de aconchego, por mais confortáveis que sejam.

O trecho em que os dois visitam um escritor que admiram em busca de respostas sobre o final de um romance que ele escreveu e se desiludem com o que encontram é muito interessante, traz ali uma reflexão sobre o ato de julgar sem conhecer, de se revoltar antes mesmo de tentar compreender o outro e a si mesmo. Tem uma pitada de humor, de sarcasmo, mas também daquela batalha interior que ninguém a não ser o próprio indivíduo seria capaz de reconhecer.

E a cena mais linda de todas e que vale todo o tempo do filme, a visita ao Museu Casa de Anne Frank em Amsterdam, o esforço de Hazel ao subir decidida as escadas íngremes de todos os andares da casa, com o tubo de oxigênio a tiracolo. Eu fiquei sem fôlego assistindo a cena!

Aqui, o trailer oficial para vocês terem uma ideia:

No final das contas eu posso dizer que é um filme lindo – triste, sim – mas tão claro, tão singelo e tão profundo ao mesmo tempo. Nos mostra que não devemos ter medo de enfrentar nossos problemas e fundamentalmente, não podemos deixar de viver nossas vidas enquanto isso for o que nos move no mundo. Uma doença ou um problema que surgem são como uma pedra (pequena ou gigante) no caminho, que precisa ser ultrapassada sem necessariamente ser ignorada ou desviada. Tirar o melhor é o que sempre nos dizem e está mais do que na hora de aceitarmos esse conselho da vida. Já existem muitas coisas ruins por aí, encarar a realidade sem medo, rodear-se de pessoas queridas, fazer o que tem de ser feito e aproveitar os momentos de liberdade e bem estar para dar uma voltinha em um lugar especial, aquecer o coração com boas conversas, comidinhas saborosas e bons pensamentos. Ninguém disse o caminho de pedras seria uma estrada plana e sem obstáculos no trajeto, não é? Mas sempre dá pra levar um baldinho junto e ir catando as mais bonitas! E jamais se isolar do mundo, o calor de quem amamos é essencial – para nós e para eles.

“Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações”,

Pode ser mais do mesmo, pode ser pior se comparado à alguns outros mais antigos, mesmo assim eu recomendo que assistam, depois trocamos figurinhas. Esse é um tema que não se esgota nunca e sempre é bom vivenciar um pouquinho das experiências dos que estão próximos de nós!!!

Um beijo grande,

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Ana Paula · 7 de agosto de 2015 às 17:25

Oi Nine!
Eu não vi o filme e nem li o livro. Sobre o John Green eu li Deixe a Neve Cair, que é dividido em 3 histórias, sendo que uma é dele.
Tenho certa resistência de ver esse filme porque uma garota que fazia MBA comigo fez o favor de contar o final rsrs. Além disso tenho problema com histórias sobre doença e câncer. Meu pai morreu de câncer, então já viu né…
Enfim… um ótimo fim de semana para você!!!
Bjks

    Nine Copetti · 8 de agosto de 2015 às 21:25

    Oi, Ana!
    Então, até fiquei tentada a ler os outros livros dele, mas acabou passando a vontade! Bah, ninguém merece ouvir spoiler!!! Hahaha!

    Sobre câncer, é sempre um tema delicado, né! Ainda mais pra quem vive isso ou teve perda de pessoas tão importantes! Não há medida pra dor! Mas eu não sei se pela profissão ou por já ter tantos familiares na lista da doença, alguns eu perdi, outros venceram bravamente, sinto que não me abalo tanto, tento contornar e tentar encarar de alguma forma que não me derrube! Talvez seja uma forma de defesa, sei lá!

    Beijão, um ótimo domingo pra ti! ;)

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