Imagem: Google Imagens

Seis horas da manhã, friozinho cortando fininho por debaixo da porta de madeira crua.

O vento assovia lá fora, as janelas batem, as tramelas quase se soltam, fazendo uma sinfonia.

O chalé inteiro parece querer avisar do frio que faz lá fora.

O galo já anunciou que é hora de colocar a vida em movimento. Pequenos raios de sol começam a invadir as frestas da casa.

A cadeira é a velha, surrada e torta de sempre.

Ao lado do fogão – com o terno xadrez já marcado pelo tempo e as calças cinzas de todo dia, mais uma mantinha de lã e sua boina verde – ele se balança, enquanto controla o fogo e beberica uma dose de cachaça pura – pra começar o dia bem.

A lenha começa a queimar, devagarinho… Posso ouvir os estalinhos, posso ver as faíscas saindo pelas frestas do fogão velho.

A caixa que guarda as lenhas guarda também os causos de invernos inesquecíveis desse lugar.

O chiado da água na chaleira avisa que logo um mate bem cevado estará a caminho.

No outro canto da cozinha, de vestido de chita, um casaco e chinelos de borracha, ela prepara o café e corta o pão recém saído do forno… O cheiro desliza pelas frestas das paredes, inebriando quem ainda ousa sonhar mais um pouquinho.

Pequenos sussurros se misturam aos estalos do chão de madeira. Me levanto com as meias caindo dos pés, passo a passo vou conferir toda essa orquestra matinal e o mesmo chão entrega minha chegada. Espio pelo cantinho da porta da cozinha, o aroma toma conta do ar, o calor me convida a me aconchegar.

Ele cruza as pernas e acende um palheiro, os dedos amarelados das contas perdidas de quantos já acendeu pela vida afora.

Em seu colo ouço histórias da guerra, da vida, da estrada de chão e um tesouro sem fim transformado em conselhos. Sábias, duras e carinhosas palavras.

Aqueles olhos azuis, misturando dureza e doçura, um olhar só basta para toda arteirice cessar.

O calor do fogão à lenha e as histórias ao pé do ouvido me faz não querer sair dali, poderia congelar o tempo.

Mas o fogo derrete as lembranças aos poucos, o que fica é um quase nada, uma imagem nas profundezas da minha memória e uma saudade imensa de algo bom que ficou pra trás.

 

Hoje sonhei com meu avô, já falecido há muito tempo (eu ainda era muito criança) e me bateu uma saudade e uma vontade de registrar os momentos bons que passei com ele. Essas são algumas palavras pra tentar dizer o quanto ele faz falta. Os valores que ele me ensinou em tão pouco tempo, são imensuráveis. E estão todos bem guardados na mente, mas principalmente no coração.

Uma linda semana pra vocês,

 

 

Signature_Nine

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

6 comentários

Silvia Oliveira · 30 de julho de 2012 às 18:53

Muito lindo e organizado o blog! Parabéns! :-)

    nine_copetti · 30 de julho de 2012 às 23:03

    Muito obrigada, Silvia!!! Que coisa boa te receber por aqui, adorei, sou super fã e leitora assídua do Matraqueando!

    Beijo grande! :)

Ana Paula · 25 de julho de 2012 às 18:59

Nine,
q bonito seu texto!
Parabens, messsssmo!
Bjs
Ana Paula

    nine_copetti · 25 de julho de 2012 às 22:56

    Ah, muito obrigada, Ana Paula! De verdade!

    Beijo grande!

Daiane · 24 de julho de 2012 às 22:59

Tem cheiro de infância e cheiro de talento tbm… adorei parabéns!

    nine_copetti · 25 de julho de 2012 às 01:32

    Dai, tu é o máximo, adorei ver teu recadinho aqui!!! Êeeee!!!

    Beijinhos

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