Oi, gente! Ô feriadinho bem bom em plena quinta-feira, né? E aqui em Porto Alegre ainda ganhamos uma chuvinha e alguns graus a menos nesse calor insuportável dos últimos dias! Pois é, pra comemorar esses pequenos fatos, vim contar sobre um encontro cultural num lugar bem bacana da Cidade Baixa, responsável por organizar eventos maravilhosos: Studio Clio.

O Studio Clio – Instituto de Arte e Humanismo surgiu em 2005 e está empenhado em desenvolver atividades que “celebram o conhecimento nas mais diversas formas”, com a bela intenção de servir de fonte para a imaginação, além de provocar a curiosidade do seu público, trazendo-nos uma infinidade de conteúdos que contemplam a história cultural universal. Na sua diversidade, podemos participar de almoços e banquetes culturais, exposições e vernissages, apresentações musicais, cursos e oficinas com os melhores do cenário científico, abarcando gastronomia, filosofia, história, antropologia, música, moda, literatura e por aí vai. Incrível, né?

Eu já andava de namoro com essa casa de cultura há tempos, mas os horários nunca fechavam, até que finalmente “me obriguei” a dar um jeito na minha agenda, fiz uma combinação louca com alguns colegas do hospital para me cobrirem por um tempo e – ufaaaa – deu tudo certo, participei do meu primeiro Almoço Clio, na companhia da queridona Paula (vai lá ver o blog dela depois, o Paula Barista e te apaixona de vez por café).

E como foi? Foi uma experiência maravilhosa, apesar do calor e do ar condicionado estragado (que tirou um pouco da nossa paciência, mas não da nossa atenção). O tema? Meu país ficcional. A convidada? Nada menos que a super querida escritora Letícia Wierzchowski. Pra quem não sabe – ou sabe mas ainda não leu, já escrevi sobre ela algumas vezes:

Para participar dos almoços organizados pelo Studio Clio, é preciso que cada um se inscreva pelo site nas opções: somente palestra ou palestra + almoço. Após o pagamento, eles enviam um email confirmando sua inscrição. No dia, basta chegar com alguns minutos de antecedência. Os lugares são marcados e é interessante avisar as meninas que cuidam das reservas se você for com mais alguém e quiser ficar na mesma mesa. As mesas são postas e dispostas na parte baixa do auditório em frente ao palco. Há um cardápio temático – que traz elementos do lugar que será abordado centralmente – que compõe o encontro e a partir da conversa informal e muito agradável da escritora vamos degustando os pratos, o vinho e sua fala.

As ligações afetivas da escritora Leticia Wierzchowski com o Uruguai são evidentes em algumas de suas obras. Da mitologia de naufrágios e da costa pontilhada de faróis, nasceu “Sal”, publicado em 2013; os jardins e paisagens da península de Punta del Este formam parte do cenário de seu novo romance, “Navegue a lágrima”. Nesta atividade, a autora de “A Casa das Sete Mulheres” discutirá essas influências, incluindo as poesias de Neruda (o poeta chileno viveu uma grande paixão no Uruguai), as músicas de Jorge Drexler, a figura de Antonio Lussich, além de praias silentes e tardes de verão. Gastronomia da chef Carine Tigre.
Letícia nos conta suas vivências, suas construções e desconstruções nos romances, as inspirações, seus modelos de vida pessoal e literária. Nos fala de poesia, com Neruda. Nos fala dos lugares fantásticos que servem de cenário para suas histórias, sua inspiração nos romances fantásticos de García Marquez, do seu envolvimento com Cem Anos de Solidão, em como ele foi importante para ela perceber que poderia se desligar um pouco dos personagens certinhos e criar, porque na fantasia pode-se tudo. E com as praias e os faróis (lindos) do litoral Uruguaio. Nos conta como essa sua relação com livros de outros escritores faz com que tenha insights que podem render um baita romance, gatilhos que são disparados a partir da leitura de um simples parágrafo, que levam para as pesquisas históricas e nascem em forma de A Casa das 7 Mulheres, por exemplo!!!
Ouví-la é como colocar nossa música favorita para tocar… Ficamos hipnotizados por sua fala. Ela nos envolve nas suas aventuras pela vida, nos aproximando de suas experiências, nos convidando a aprender mais e mais, porque, sim, ficamos com vontade de mergulhar com ela nesse mundo louco que é a fantasia, a ficção, o romance.
Saí de lá com os olhos brilhando e com vontade de ler todos os seus livros que ainda não li, de conhecer todos os escritores que a inspiraram, de comprar a primeira passagem para o Uruguai e embarcar já!

De todos os livros publicados pela Letícia, li bem poucos, bem menos do que gostaria, mas os lidos me bastaram para fazer uma viagem no tempo com ela, enquanto narrava suas construções em SAL, por exemplo, da ideia do farol, dos personagens e suas identidades, das descrições riquíssimas que nos permitem fazer essa “viagem” com perfeição. E no momento em que ela fala como surgiu A Casa das 7 Mulheres então, juro que senti vontade de ir na biblioteca ou livraria mais próxima e começar a leitura imediatamente. E sabem o que mais é gostoso de ouvir nessas conversas, a interação com seu público, a nossa identificação com suas histórias pessoais, o seu cotidiano, suas pequenas felicidades e tristezas, as histórias em família, detalhes que nos fazem perceber de onde vem tanta inspiração. Tudo isso faz com que a gente se sinta mais próximo, mais interessado e continue buscando novidades. E falando em novidades, parece que já já sai mais um livro dela do forno, pra nossa alegria! Tô de olho! ;)

Ah, pra quem ficou curioso pelo cardápio temático, o desse dia foi assim:

Entradinha: Folhas com lascas de parmesão e redução de pomelo (pomelo é muito amor, gente!)

Prato Principal: Peixe ao pesto de chorizo e calêndula com batatas em flor de sal (gamei nessas batatinhas, #faminta, mas o peixe estava delicioso, claro)

Sobremesa: Crumble de arandanos (desconfio que sejam mirtilos, mas se alguém souber, comenta ali embaixo, tá?) e calda de doce de leite (do time das sobremesas que a gente come devagarinho, não querendo que acabe, gente!)

Detalhe, tudo isso harmonizado com um vinho delicioso (e olha que não curto tanto um Malbec). Se alguém quiser anotar pra provar quando o friozinho resolver dar as caras: Malbec Capricci Piattelli 2011.

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No Studio Clio a programação é intensa e tem opções para todos os públicos, no site é possível se cadastrar e receber os novos eventos por email, assim dá tempo de ser organizar e aproveitar melhor a agenda deles. Segue: Site | Facebook

Rua José do Patrocínio – 698
Cidade Baixa
Porto Alegre / RS

Horário de atendimento:
De segunda a sexta, das 9h às 19h

Telefone: (51) 3254.7200

Ah se eu tivesse mais tempo livre, mais dinheirinho no banco…

Me contem nos comentários o que vocês andam aprontando, lendo, vivendo… Emendaram o feriado no final de semana?

Um beijo grande!!!

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  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

2 comentários

Luana · 22 de abril de 2016 às 18:27

Nine, Estou lendo agora o Navegue uma lágrima… que inclusive foi uma indicação sua!!! Depois deste post fiquei ainda mais curiosa com este romance.

Acho que o final de semana vai servir para adiantar bem esse leitura que promete.
Beijos

    Nine Copetti · 23 de abril de 2016 às 01:03

    Lu, que ótimo! Os romances da Letícia nos inspiram e nos fazem ver a vida de formas muito diferentes! Tomara que tu goste e logo possa partir para outros livros dela!

    Um ótimo finde!
    Beijinho <3

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