É quando os primeiros pingos de chuva batem na janela que começo a perceber que já faz um tempo que não paro.

Há quanto tempo não paro para olhar a rua, o movimento, os carros, as folhas das árvores balançando?

Quando foi a última vez que parei um instante para contemplar as pessoas, para dar um sorriso e um bom dia a algum estranho que cruzasse meu caminho?

Quando se mora em cidade grande, parece que o melhor fica perdido, escondido.

Quando se mora em meio ao caos das estradas asfaltadas e da vida motorizada, o silencio fica mudo.

Na cidade não há tempo para flores, botões que se abrem ao menor olhar, folhas soltas, pássaros cantantes.

No frio asfalto que ferve sob as rodas dos carros vive alguém que se perde um pouco a cada dia, ou não?

Na frieza mundana dos que só querem que mais um dia se acabe vive a esperança de outros tempos.

De tempos passados, que ficaram longe, mas que moram mais perto do que imaginamos.

Da hora perdida mirando o horizonte de mato verde e cheiro de terra molhada…

Do silêncio quebrado por passos minúsculos de quem era acostumado a só dar ouvidos ao coração.

Está vendo aquele cinza no céu… era tão azul, tão perfeito! Quando a chuva caía fina e delicada a gente dançava. Toda gente dançava.

Só agora, quando esses singelos pingos escorrem pela minha janela, percebo o quanto tudo está mudado aqui.

E dói, e dá uma saudade. Aquele aperto que faz a gente querer ir embora.

Aquele nó que só se desamarra quando vemos de novo o céu limpo, a mata verde, o campo sem fim.

Respirar aqui dói sim. Mas cada gota de chuva agora é uma lembrança. Uma pequena mas feliz lembrança.

A chuva ganha força agora e silencia tudo de ruim que surge com o progresso e a destruição humana. E assim ganho tempo.

Uns minutos para viajar no tempo, enquanto me vejo deitar na grama verde, com meus livros. E sonho.

Esse final de semana, enquanto estava visitando minha mãe no interior, presenciei uma chuva na área da casa dela que me fez sentir uma saudade de quando me sentava na frente de casa pra curtir as gotas caindo enquanto lia algum livro, e ali ficava sentindo o cheiro e o frescor daquela chuva, até que ficava tão forte que me fazia ter de entrar em casa! Era um momento tão gostoso, me fazia viajar, sabe aquela sensação de estar nas nuvens? Era tão bom que me deu vontade de escrever sobre essa saudade.

Espero que vocês gostem, eu amo viajar no tempo… E fazia muito tempo que não soltava as palavras e brincava com elas assim!

Uma ótima semana pra vocês,

Mil beijos,

  Ei, curte aqui, vai! :(

Nine Copetti

Dizem por aí que já nasci com um livro embaixo do braço. Ando pelas ruas com o olhar pro alto a procurar nuvens que sejam algodão doce e passarinhos que versem sobre o dourado lindo do sol que chega de mansinho. Desanuvio meus pensamentos em palavras que se tornam meus textos de escape, faça sol ou chuva. Nos dias de chuva eu capricho mais. Dizem.

3 comentários

Ana Paula · 5 de fevereiro de 2013 às 14:12

Que texto bonito!
Ao contrario de vc Nine, eu nao curto chuva nao. Acho q 'e questao cultural mesmo. O jeito carioques de ser nessa hora fala mais alto pq aqui se chove todo mundo fica triste.
Foi vc quem escreveu?
Lindo mesmo.
Bjks
Ana Paula

    Nine Copetti · 5 de fevereiro de 2013 às 14:23

    Oi, Ana! Eu que escrevi, sim! Meu primeiro blog era de prosa e poesia! Adoro! Sobre chuva, ela me inspira desde sempre, mas concordo que para os cariocas a chuva não cai muito bem, com aquelas praias lindas!! Rsrs

    Beijinhos!

Inspirações para aproveitar os dias de chuva · 2 de junho de 2014 às 07:50

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