Meus Lugares | Café do Duque

Existem lugares que a gente ama de cara, ao ponto de querer ir todo dia e experimentar o cardápio inteiro em uma única vez. Esse da foto acima é um desses lugares, virou queridinho e só não vou lá bater ponto todos os dias porque não fica no caminho nem de casa nem do trabalho. :(

Pois então… O Café do Duque é uma grata surpresa para quem passa pela Rua Duque de Caxias aqui em Porto Alegre – a rua da nossa linda Catedral Metropolitana, do Everest Hotel e do famoso (que rende fotos lindas) Viaduto Otávio Rocha. Mais bem localizado, impossível. Você sobe as escadarias de clima europeu ali da Borges e pronto, bem em frente ao hotel… É entrar e se apaixonar! 

Passando essa porta estilosa que tem estampada a frase “A cultura do café do passado ao espresso” se descobre um tesouro no quesito bons cafés e comidinhas.

Claro que embora a vontade seja grande, eu não consegui dominar todos os itens do cardápio, mas tentei… Quiches, tortas, sanduíches especialíssimos, cafés especiais. É obvio que a gente não sabe nem por onde começar, né!

Ok, eu acabei fazendo um esforço e posso adiantar pra vocês: a torta de banana é surreal! Amor, amor, amor! Pra acompanhar podem pedir uma Prensa Francesa ou Aeropress (dois métodos de preparo de café que destacam como nenhum outro as características dos ditos cafés especiais). Eu pedi a Prensa e não me arrependi. Aliás, pedimos duas!

A nossa primeira tarde por lá rendeu nada menos que umas quatro horas de papo, simplesmente não sentíamos vontade de deixar o lugar. Ah, e um detalhe super importante, a barista – sim, um café que se preze tem que ter barista, tá – é uma querida amiga que fiz através (ora vejam só) desse mundo dos cafés, e todas as preparações dela tem muito talento e amor envolvido! Quando foram conhecer o Café do Duque, peçam para ela dicas de preparações que ela terá prazer em explicar! E depois preparar e entregar cafés surpreendentes, podem apostar!

Pra completar, além do cardápio delícia, uma decoração pra lá de descolada, colorida, alto astral, meio industrial, meio rustica, que te convida a ficar. Existe uma área com mesas logo na entrada e uma outra mais reservada pra quem quer fazer reuniões de trabalho ou simplesmente ficar mais à vontade.

Dá pra dizer que foi projetada tanto pra momentos de prosa descompromissada, namoricos e afins, quanto para os que não se desligam da tecnologia nunca e (ô vida moderna) sempre precisam de um bom sinal Wi-Fi ou tomada, claro.

O projeto lindo é da Verbo Estúdio de Criação, que tenho que dizer, tudo que tenho visto deles é perfeito, muito bem feito (eu faria meu apartamento todo com eles se pudesse)! 

O Pedro (que pude conhecer pessoalmente na cafeteria e nos encontros da Terça Expressa) e a Nathalia são os sonhadores e proprietários desse pedacinho do paraíso, eles idealizaram e posso garantir que deu super certo!!! O nosso Centro Histórico merecia e agora tem um espaço à altura das grandes cidades que concentram apreciadores de café! De bons e especiais cafés! 

Deixa eu contar pra vocês sobre esse sanduíche da foto acima… É o Indiano. Leva pão de passas e nozes quentinho, com aquela casquinha crocante por fora, fofinho e tenro por dentro e uma maionese ou molho com curry que faz a gente pensar que está no céu, sério, é muito, muito bom! Recomendo 100%, estou contando pra vocês, vendo a foto e ficando com água na boca. Provem, provem, provem!

Ah, o Café do Duque também tem um menu de almoço bem caprichado – que ainda não provei, mas já estou resolvendo isso – cervejas e outras bebidinhas especiais.

E só mais uma coisinha: as paredes estão recheadas de obras de artistas locais, inclusive à venda se alguém se apaixonar por alguma delas! É como uma exposição itinerante, muito bacana ver lugares assim prestigiando nossos artistas! 

Enfim, um lugarzinho pra guardar no coração e visitar sempre que der uma folguinha na agenda. Mas daquelas folguinhas longas, pra curtir sem pressa nenhuma, combinado?

Então anotem:

Café do Duque
Rua Duque de Caxias, 1354 – Centro Histórico
Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3254-0308

De Segunda à Sexta: 10h às 19:30h
Sábado: 12h às 19h
Domingos: Não abrem

Dica de Livro | A última dança de Chaplin

Quando eu contar a minha história, eu dizia a mim mesmo, começarei dai. Do momento em que a manivela do projetor começa a girar.
A minha história está toda naquele espaço antes da parede.
Acreditem ou não, trata-se da história do homem que inventou o cinema antes dos irmãos Lumière ou do bioscópio de Max Skladanowski.
Uma arlequinada em preto e branco para a noite de Natal.
Uma pantomima romântica em um mundo de serragem, risadas e lágrimas.

Minha maior vontade dentre as biografias todas que aí estão, é ler sobre a vida de Charles Chaplin. Desde pequena assistia com meu pai aqueles filmes estranhos, sem cor, sem som, mas que conseguiam arrancar risos, até gargalhadas, de mim, tão pequena, tão atenta já!

Quem não se divertia assistindo as pantomimas de O Vagabundo, O Gordo e o Magro ou Os Três Patetas? Eu me divertia com meu pai. Adorava a graça e a leveza daquelas cena… E, como era possível que pequenos gestos tivessem tanto significado? Era uma dança no silêncio, acordes subliminares, olhares cheios de peraltice.

Mas sem dúvida, o que mais acalentava meu coração de criança era o Carlitos. Ele trazia um charme todo especial quando encenava! Toda a construção dos seus personagens fascinava. A gentileza, a doçura, a graça, a reverência, as pequenas trapaças…

Bem, a biografia de Chaplin está em falta na Livraria Cultura, e pelos sites que andei pesquisando também. Ainda não passei nos sebos da cidade para alguma tentativa e esperança, mas aproveitando a deixa, trouxe pra casa, além de Luzes da Ribalta mais recentemente, este livro que dou a dica pra vocês agora: A última dança de Chaplin. Anotem!!!

E mais uma vez o velho e manjado jogo de comprar livros atraída pela capa. Tão azul, tão inspiradora, tão charmosa com a silhueta de Charles Chaplin entre a tipografia em degradê! Trouxe na hora, sem pensar… E tenho que dizer, assim costumam render as melhores escolhas. O ímpeto as vezes é um sopro, uma intuição. Com livros? Também! Me contradizendo? Claro! Mas algo de mágico acontece nas vezes em que esse filtro para escolha de livros funciona!

Um dia sem sorriso é um dia desperdiçado. 

O escritor é o italiano Fabio Stassi, que resolveu transformar um pedacinho da história desse ator que muitas vezes se mistura e se confunde com seus personagens, em ficção. Se deteve em seus últimos anos de vida, já quando não mais atuava, no alto dos seus 80 anos, quando finalmente a Morte veio lhe buscar.

A comicidade fica por conta dos diálogos com a senhora Morte, Natal após Natal, quando ele tenta, em vão, fazê-la rir de suas cenas memoráveis, mas acaba arrancando gargalhadas dela por um motivo bem da vida real: a velhice, o fim da vida e o ridículo (na visão da Morte) de tentar reviver um papel que já não cabe mais ali! A hora do Vagabundo se despedir do palco da vida chegou… E precisa ser em grande estilo!

O drama, o romance em si e a parte mais interessante desse livro com ares de biografia está costurado nas cartas que ele deixou ao filho, contando coisas da sua vida que nem na biografia autorizada ele ousou relatar. Histórias, dificuldades, descobertas, lições que poderiam servir para que o filho conheça mais profundamente o pai, entenda tudo pelo que passou na juventude e em toda a vida, e, quem sabe, aplique a sua própria vida.

Tudo é a mesma semeadura, o mesmo punhado de areia. Assim como o silêncio, que é repleto de palavras, e o tempo, feito de recordações como uma raiz.

Os relatos desde a infância em Londres, a vida com o irmão, as dificuldades de se fixar em empregos, os aprendizados, as rasteiras da vida, o amor e a carreira de sucesso que trilhou por tantos anos, se consagrando não só um ícone do cinema mundial, mas referência eterna aos que se arriscam nessa arte.

Há passagens sobre seu trabalho em circos, com tipografias, algumas atuações como ator em início de carreira, desilusões e muito trabalho não reconhecido até finalmente ter sucesso com seus filmes.

As dificuldades familiares, com pais separados, pai alcoólatra, mãe “louca”, restando ao irmão a responsabilidade de cuidá-lo, tentando lhe dar apoio e fazê-lo seguir em frente com seus sonhos.

Gente, sério, eu preciso muito da biografia dessa figura!

Assim ele inicia a primeira carta ao seu filho:

Caro Christopher James,
Esta noite, celebrarei meu octogésimo oitavo Natal com a família, como os últimos, e a história que estou prestes a escrever é o presente que decidi lhe dar. Com você, tenho uma dívida que não pode ser saldada. Você é meu último filho, tem apenas quinze anos e eu o concebi quando já tinha mais de setenta. Você crescerá sem mim. Por isso, preciso me apressar antes que a minha morte cause alvoroço em todo o planeta. Segundo o que me disse uma cartomante de São Francisco em 1910, eu já devia ter morrido de broncopneumonia há seis Natais, após ter tido muita sorte durante toda a vida. Há seis anos, a cada Natal,  a Morte vem me procurar. Senta-se à minha frente e me espera. 

Sinopse:

Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.

Enquanto espera o encontro fatídico, Chaplin escreve uma carta para o filho, contando a ele seu passado: da infância pobre na Inglaterra, com o pai alcoólatra e a mãe louca, ao auge do sucesso nas telas de cinema dos Estados Unidos, passando pelo circo, pelo vaudeville e por empregos estranhos, como tipógrafo, boxeador e embalsamador.

Ao revisitar a seu modo a trajetória do gênio da comédia, combinando elementos reais à mais pura ficção, Fabio Stassi narra também a história do próprio cinema e de como aquele simples feixe de luz sobre uma tela branca incendiou a imaginação de toda uma nação. Stassi soube captar a alma de Chaplin e conduz com habilidade o leitor por uma narrativa bela e comovente.

Eu fiquei encantada com esse livro, li com o coração e fiquei ainda mais animada pra ir em busca da biografia, da coleção de filmes, da história do cinema mudo e tudo mais que envolve o mundo de Chaplin. O escritor soube magistralmente misturar realidade e ficção, unindo os melhores trechos a sua fantasia própria, fazendo desse um belo romance.

Um livro pra rir, pra chorar, pra vibrar e pra desejar ter vivido alguns anos ao menos na presença ilustre d’O Vagabundo.

Recomendo e digo que já sinto saudades dessa leitura. ♥️

Escolhi, então, calças deformadas, abotoei com dificuldade um colete é um paletó bastante justos e calcei sapatos enormes e gastos. Olhei-me no espelho. Nunca havia me sentido tão à vontade. O meu traje era uma desobediência. Acrescentei um chapéu-coco, uma bengala e uma gravata-borboleta. Só faltava um detalhe: agitei os cabelos, colei sob o nariz um bigode preto e, pela primeira vez, soube qual era o meu rosto. 



E vocês, me contem o que andam lendo? Querendo mais dicas… Minha biblioteca está em reforma, breve terei espaço pra mais alguns, uhuuuu!!!

Beijo grande, uma ótima semana pra voces!

Signature_Nine

Inverno | Enfrentando dias gelados

Gente… Fugi de novo, né? Pois é, sul do Brasil, frio de renguear cusco e tal! Resfriado e faringite daquelas! desanimo vem de brinde! 

PS: Fazendo esse post pelo celular, então relevem se algo parecer fora do lugar, edito quando chegar em casa. ;)

Eu amo inverno, de verdade! Amo frio, amo dias de inverno com sol. Amo comer uma berga (bergamota, mexerica, tangerina) enquanto dou uma lagarteada no sol! Adoro prepara um chimas e pegar a estrada rumo à serra gaúcha! O problema é que nosso inverno aqui em Porto Alegre começou úmido pra caramba, com muita chuva e isso é um desatre pra quem tem muitas “ites” e asma no currículo – eu!

A ideia era escrever um post inspirando quem vive em cidades geladas nessa época com ideias do que fazer, de onde ir ou como deixar tudo mais aconchegante em casa mesmo! Mas uma coisa leva a outra e…

Enfim, estou praticando tudo e mais um pouco, mas sem muito animo pra posts mais detalhadinhos! Me desculpem dessa vez! :(

Padecendo de noite e tentando sobreviver de dia (draminha mode:on) indo trabalhar toda “trabalhada” nas camadas e em cachecol improvisado pra ornar com o uniforme – #sqn e torcendo pra essa danada sumir da mesma forma que chegou!

Enquanto isso, vou me virando com o que tenho em casa: pijama, pantufa, mantinhas, aquecedor, chás e toda parafernália pra enfrentar o resfriado!

Muitas pessoas (mãe, tia, amigas) me recomendaram gengibre e eu adoro, mas não tinha em casa, então rolou um chá adaptado…   Rodelas de limão, mel orgânico (esse da Agreco é ótimo, mel puro e não mistura de entreposto ou cera de abelha) e o chá misto da Twinings de Camomila, Mel e Baunilha! Depois disso, mantinha, cantinho do sofá e leiturinhas ou seriados! Marido me acompanha nas atividades e até no chá, menos mal que não está resfriado  como eu!

 
Enquanto isso, para meu desespero, suspensos todos os cafés (os meus, porque o marido segue bebendo baldes e baldes por dia) porque não bastam as “ites” do início do texto, também a gastrite veio dar o ar da graça essa semana… Isso significa que só estou bebendo água e chás. E alguma tacinha de vinho aqui e lá, claro! Dizem que cura tudo!

Ah, e pra encerrar com chave de ouro, outra misteriosa receita que tudo cura: brigadeiro de panela! Nhammm, acho que fiquei quase um ano sem fazer aqui em casa!

 

E vocês, como estão fazendo pra se virar nesses meses de frio? Têm animo de sair, bater perna, inventar moda por aí… Ou preferem o aconchego de casa?

Eu estou esperando o sol aparecer pleno no céu pra encarar a rua de novo!!!!

E precisando fazer uma visitinha nos meus pais pra me deliciar com as sopas incríveis que eles fazem nessa época!!!

Um ótimo inverno pra quem é de inverno! E que passe logo pra quem é de verão!

E por mais dias gelados e ensolarados pra mim!

Beijos,

Signature_Nine