Turistando em Porto Alegre | Usina do Gasômetro

Lembram que falei pra vocês de uma exposição fotográfica que está acontecendo lá na Usina do Gasômetro? Então, fui conferir de pertinho as fotos do projeto da Laryssa Machado hoje, um pouco antes de ir pro trabalho!

Estava um dia lindo de sol, pena que sou tão amarrada e cheguei super tarde por lá. O lugar, pra quem não conhece, apesar de ser lindo, durante a semana é um tanto deserto e dá um pouco de medo circular nos arredores. Ou eu que sou muito medrosa mesmo, não sei!

Pra começar não tenho coragem de carregar minha câmera – uso transporte público pra ir ao centro, e tiro o celular só quando tenho certeza de que está tudo bem (dizem que o seguro morreu de velho, né). Até me atrevi a treinar o olhar pra sábado (minha primeira aula de fotografia de verdade, iupiii) e cliquei alguma coisa com meu Moto G velhinho de guerra (saudade do iPhone 5, sim ou e com certeza… mas a bateria tem durado umas 20 horas, pelo menos, então… nem choro), na parte externa:

Depois finalmente fui conferir a exposição, que está instalada na Galeria dos Arcos. Logo de cara precisei parar e respirar, me despi do meu olhar cotidiano, desacostumado à um olhar mais demorado e profundo e puder “ver” com outros olhos aqueles olhos em cada fotografia. A cada imagem, pareciam transbordar sentimentos, o olhar impregnado de história, de sofrimento, de força quase sobrenatural. Me demorei em cada uma deles, como se tentando entender o que não tem explicação. Não à toa dizem que um olhar diz mais que todas as palavras do mundo. É sério, vocês precisam ir ver de perto o trabalho incrível que essa menina fez ao captar toda a energia dessas mulheres.

Se eu tivesse que formar uma nuvem de palavras que expressem o que senti ao parar em cada uma dessas fotografias, elas seriam:

esperança  sonho  medo  dúvida  tristeza  resignação  conformismo  força  experiência espontaneidade  carência  amor  alegria  fé  revolta  incompreensão  defesa  resistência  coragem 

São rostos, mãos, braços… São mulheres, mães, filhas. São famílias, histórias, passagens, memórias. Mas acho que sobretudo, são a prova da força, da coragem, da batalha diária pela vida e por se firmarem no papel de mulheres. As imagens acima são as minhas favoritas. São 25 no total, se não me engano, e todas nos transportam para a reflexão.

Só o fato dessas mulheres tomarem nas suas mãos a decisão de determinar o rumo de suas histórias, de enfrentar o preconceito, a violência e as dificuldades diárias que sabemos que existem e que não chegam nem perto das nossas próprias dificuldades, só de poderem mostrar ao mundo, através do olhar da fotógrafa Laryssa o exemplo de força que elas têm, já vale a pena conhecê-las.

Se vocês tiverem um tempinho, não deixem de ir! Fica até metade de Junho, então dá pra se organizar e separar umas horinhas pra prestigiar o trabalho fotográfico da Laryssa e tentar mergulhar no mundo – mesmo que por imagens – dessas mulheres africanas.

Uma boa noite pra vocês!

Beijão,

Dica de Livro | Hanns & Rudolf

Um tema que gosto bastante de ler, seja em romances históricos, ficção ou biografias – ou até um misto disso tudo – é sobre a Segunda Guerra Mundial. Foi um período extremamente difícil, triste, atroz para muitas pessoas, dizem até que foi o pior até hoje (mas tenho minhas dúvidas). O Holocausto deixou marcas em muitas famílias, cidades, países e por mais doloroso que seja esse tema, eu penso que sempre é bom refletir, tentar entender o que aconteceu na época e poder lutar para que coisas assim nunca mais se repitam – e mais uma vez tenho dúvidas aqui também, pois o que acontece em algumas lugares na Ásia e na África eu não sei denominar nem medir o horror e as vezes penso que pode ser pior do que ocorreu na década de 30.

Mas voltando ao tema, encontrei esse livro – acho que foi na FNAC aqui de Porto Alegre, nem lembro mais – e claro que me chamou a atenção, acabei nem pensando muito na hora, já fui direto pro caixa, como “quase” sempre faço. Aviso: não é um romance.

Para entender um pouquinho, Thomas Harding – o escritor – é antropólogo, cientista social e jornalista, mas é também o sobrinho-neto do cara que foi descrito como o caçador do comandante do campo de extermínio de Auschwitz. E ele só foi descobrir a história da sua família quando seu tio-avô veio a falecer e eles finalmente souberam da sua atuação na Segunda Guerra Mundial através do “elogio fúnebre”.

A partir daí, com a ajuda da família e intensa pesquisa em documentos, instituições pelo mundo inteiro, em arquivos que só foram liberados para pesquisa pública à pouco tempo (para se ter uma ideia da extensão da gravidade desse fato histórico) Thomas foi construindo não só a biografia do seu tio-avô, o judeu alemão Hanns Alexander, que após a pressão para que sua família se exilasse e conseguisse fugir das atrocidades da guerra, resolveu servir ao exercito britânico e assumir a caça aos cabeças do Nazismo, mas também do cara que foi responsável por no mínimo 2 milhões de mortos no campo de Auschwitz, Rudolf Höss, um alemão aparentemente pacato, que gostava da calma da vida rural, que formou família, teve filhos e sonhava em levar sua vida em uma casinha simples no campo, plantando e vivendo sossegado. Quem diria?

“Ao chamar Hanns e Rudolf pelo primeiro nome, não tenho a intenção de colocá-los no mesmo nível. De fato, é importante para mim que não haja uma equivalência moral. Contudo, ambos foram seres humanos, evidentemente, e como tais, se vou contar a história deles, devo começar com seus nomes. Se isso for ofensivo, e entendo porque possa ser, peço que me perdoem”.

Thomas Harding

O resultado está nesse livro, uma dupla biografia, cuidadosamente montada e enriquecida com detalhes pra além da história. Sem defender ou acusar um ou outro, da forma mais neutra possível, Thomas conseguiu traçar o perfil psicológico desses dois personagens no período da guerra, delineando cada um com todas as particularidades, todas as fraquezas e sonhos inclusive, de dois homens como outro qualquer, mas que tiveram nas mãos a chance de desviar o curso da história do holocausto e o fizeram, para o bem e para o mal.

Sinopse via Skoob:

No elogiado ‘Hanns e Rudolf’, o jornalista britânico Thomas Harding conta a história de duas vidas que se cruzam ao final de um dos episódios mais sangrentos da históris: a de Hanns Alexander, judeu-alemão que se mudou para a Inglaterra, nos anos 1930 e, ao final do conflito, liderou uma caçada contra os nazistas a serviõ do exército britânico, e a de Rudolf Höss, fazendeiro e soldado que se tornou comandante-chefe de Auschwitz, o maior campo de extermínio de judeus da Segunda Guerra Mundial. Sobrinho-neto de Hanns, Harding empreendeu uma ampla pesquisa para escrever a biografia dessa duas figuras díspares, com imparcialidade e sem maniqueísmo. O resultado é uma narrativa eletrizante que recebeu críticas positivas dos principais jornais norte-americanos e britânicos e figurou em importantes listas dos mais vendidos nos EUA e na Europa.

Parar e pensar em cada família que sofreu as atrocidades dessa época, em cada cena nos campos de concentração ou em outras partes onde a Guerra estava ativamente presente, de todas as cidades que foram destruídas, das pessoas que foram enganadas ou que enganaram vizinhos, amigos de infância, por um “ideal”. O cenário descrito dá só uma ideia do horror dos dias passados naqueles lugares, não consigo acreditar que soldados alemães não sentissem nada assistindo ao massacre diário.

Dachau foi o primeiro campo de concentração criado, tinha a finalidade de receber presos políticos, em sua maioria, opositores ao regime nazista. Era um exemplo de eficiência e servia como modelo quando a mídia queria fazer reportagens ou fotografar o local. Na verdade um belo disfarce que servia para criar uma propaganda e atmosfera positiva em relação as atitudes questionáveis do governo de Hitler. As barbáries aconteceram desde o início e só aumentavam com o passar do tempo. Em uma de suas declarações sobre a sua atuação ainda no campo de Dachau, Rudolf disse (Hanns & Rudolf, pág 81):

“Eu havia me adaptado a todos os aspectos que não podiam ser mudados na vida do campo de concentração, mas meus sentimentos nunca ficaram entorpecidos diante da miséria humana. Sempre a vi e senti. No entanto, eu precisava superar aquilo para não parecer compassivo. Queria que me achassem um homem duro para evitar ser considerado fraco.”

Quando Rudolf foi finalmente nomeado comandante do campo de Auschwitz, já era outra pessoa, como se tivesse entrado no automático, tanto que muitas vezes dizia que eram apenas ordens a ser seguidas e ele precisava confirmar sua eficiência todos os dias, mesmo que isso significasse matar milhares de inocentes.

Já para Hanns a história foi ao encontro da de Rudolf. Sendo de familia judia-alemã, por mais que tentassem resistir em ficar, logo precisaram se exilar, a família toda e aos poucos, para Londres. O pai de Hanns, um médico bastante conhecido e requisitado, inclusive entre os alemães, perdeu mais da metade de suas posses nessa jornada, perdeu consultório e clientes e teve que começar praticamente do zero no país que o acolheu. A Inglaterra estava aliada com outros países contra a Alemanha, Hanns, vendo todo o horror se espalhar rapidamente, deu um jeito de se alistar no exercito inglês, e foi através de suas funções ali que finalmente chegou no topo, podendo “caçar” os culpados por todo aquele cenários que a gente prefere não lembrar. Mas, principalmente, caçar o comandante de Auschwitz. Também pudera, os relatos dele já ao final da guerra, quando a Alemanha mesmo não querendo, obrigou-se a recuar, eram pesados demais (Hanns & Rudolf, pág. 165):

Os prisioneiros vivos estavam tão esqueléticos que as costelas saltavam para fora do peito. Mães se agarravam as crianças mortas, sobreviventes de cabeça raspada, em uniformes listrados de preto e branco, olhavam para o nada em decrépitos barracões de madeira, avisos pintados alertando para o perigo de tifo estavam por toda parte. Não havia água, comida ou abrigo, e tampouco qualquer suprimento médico adequado.

“Tinha sido aberto dias antes. Ainda não estava desobstruído. Ficou fechado para que o tifo não se espalhasse pela Alemanha inteira. Os guardas da SS não estavam mais lá, mas haviam húngaros que não eram muito melhores que os nazistas. Antes de começar a interpretar, havia a questão de limpar o campo. Todos fizeram o que podiam. Havia corpos mortos andando, corpos mortos deitados, gente que achava que estava viva, mas não estava. Era uma visão terrível. Cada vez que alguém entrava ou saía do campo, era borrifado com DDT.”

Hanns carregou centenas de corpos para a vala comum. […] Os soldados ingleses ficaram profundamente chocados com o que encontraram em Belsen, mas a reação de Hanns foi diferente. Aquela atrocidade tinha ocorrido em seu país de nascimento, e a maioria das vítimas era de judeus, seu povo. Ele entendia o alemão que os prisioneiros falavam, eram pessoas com quem compartilhava o histórico e o contexto. A história deles poderia facilmente ter sido a sua. Para Hanns, ali era o seu lar, e não haveria trégua. Foi como se Belsen tivesse ligado um botão dentro dele. […] Pela primeira vez na vida, Hanns se sentiu compelido a agir.

Acho que foi uma das leituras mais difíceis que já fiz, e olha que já li um bocado de livros sobre o assunto, tão tenebrosos quanto esse. Mas por ser uma biografia, saber que tudo aquilo ali de fato ocorrreu muito próximo do que está registrado (ou até pior) faz com que a gente se sinta também compelido – talvez não a agir, porque na maioria das vezes somos fracos para o que está distante da nossa realidade e não nos atinge como um golpe – a refletir, a repensar e tentar compreender essa época tão marcante na história mundial.

Para quem se interessa de fato pelo assunto e tem “estômago de barata” como dizem por aí e aguenta numa boa cenas pesadas demais para um ser “humano” de fato, recomendo muito. É um pequeno trecho desse período, mas talvez o mais importante tanto para judeus quanto para alemães.

No final de sua pesquisa, o autor faz uma visita ao campo de Auschwitz, que hoje é aberto à visitação. É preciso ter mais coragem ainda do que ler um livro. Mas nos dá uma ideia da sensação de estar lá, sentir a energia do lugar – que não deve ser nada agradável, mas que sempre pode nos transformar um pouco mais.

Antes de Hanns & Rudolf, li A Menina que Roubava Livros, A Bibliotecária de Auschwitz, O Menino do Pijama Listrado – e talvez tenha lido outros que não lembro agora. Inclusive, acabo de me dar conta de que não fiz resenha do A Bibliotecária (já vou dar um jeito nisso). Também assisti muitos filmes e documentários, se vocês forem ao nosso amigo Google vão encontrar muita coisa. Assisti alguns pelo Netflix, outros pelo Apple TV.

Alguns dos títulos que me lembro, nem todos fieis à história, alguns holliwoodianos demais, mas todos ajudam a entender um pouco mais os fatos:

 A Lista de Schindler

 A Vida é Bela

 O Menino do Pijama Listrado

 Olga

 O Diário de Anne Frank

 Bastardos Inglórios

 Caçadores de Obras Primas

 Um sinal de esperança

 Operação Valkíria

 O Corajoso Coração de Irena Sendler

Muitos desses filmes são adaptações de livros, alguns baseados em histórias reais e outros, sátiras sobre o nazismo. Todos valem a pena, tomadas as devidas proporções. Nada como bons livros de história pra chegar o mais perto da realidade do que ouvimos desde criança.

Se vocês lembrarem de mais alguns filmes ou livros, deixem nos comentários…

E se já assistiram ou leram alguns desses acima, me contem também, adoro saber, trocar figurinhas sobre o tema, tá!

Um beijo grande,

Inspiração do dia | LILA

Imagem: Carlos Lascano

Quantas vezes somos pegos por nós mesmos de mau humor, com aquela nuvenzinha negra sobre nossas cabeças, como se nada naquele dia fosse dar certo, tudo estivesse cinza e completamente sem graça? Parece que a única solução é torcer para que o dia acabe logo e quando amanhecer tudo tenha se resolvido e a nuvem, ido embora!

E quantas vezes a gente faz algo de fato para tentar transformar essa nuvem em uma chuva fresca ou fazer com que dela saiam alguns raios de sol? Feliz de quem consegue colorir seus dias mais cinzentos, né! É um exercício diário e devia ser quase uma rotina, acordar, sorrir e tentar colocar sorrisos nos rostos de quem cruzar nosso caminho. Não é fácil, mas acaba sendo divertido se a gente tiver um pouquinho só de paciência e criatividade.

Ontem, enquanto rolava despretensiosamente a barra lá no Facebook me deparei com uma publicação do CONTIoutra (um site recheado de reflexões sobre comportamento humano, recomendo muito), desse vídeo:

Lila é um short story cheio de poesia e encanto, meio à la Amelie Poulain, com cenas delicadas e que nos fazem pular para uma outra dimensão, viajar com a criatividade e com o olhar sonhador de uma menina que não se contenta com o lado cinza da vida.

No vídeo, uma linda produção que mistura a realidade com o desenho, dando vida aos traços no papel e outro sentido para as cenas do cotidiano. Pelo que andei pesquisando, esse curta é o último de uma trilogia chamada de A shadow of Blue, criada e produzida por Carlos Lascano, artista inquieto e com a criatividade borbulhante em todos os trabalhos que faz- tem mais dele aqui. Os trabalhos dele, incluindo esse, foram super premiados, não à toa, lindos de viver!

Por mais que sejamos imperfeitos, estejamos sempre em busca de algo inatingível, algumas vezes é bom acalmar a alma com algo mais doce e tirar uns minutinhos dos nossos dias para colorir a vida um pouquinho. Seja sentando em um café novo da cidade pra ler um trecho do nosso livro favorito, encontrar pessoas queridas, puxar conversa com alguém ao cruzar os caminhos em um parque (isso me lembra alguém no Snapchat hoje cedo), parar para olhar uma árvore florida ou um jardim, admirar a arte em algum muro, tentar entender as mensagens do mundo.

Precisamos resgatar o olhar infantil, inocente e doce de quando éramos crianças e colocar um pouco de açúcar todos os dias na nossa vida!

Espero que tenham gostado do vídeo, eu adorei!

Vou aproveitar e rever O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, quem mais?

Uma ótima semana pra vocês!