Meus Lugares | Josephina Gramado

Amor à primeira vista. Assim foi quando chegamos despretensiosamente numa ruazinha de Gramado, nos deparamos com esse lugarzinho puro charme e, claro, não resistimos em entrar.

Sabe casa com cara de antiguinha, jeito de decorada pela vó, com muito amor nos detalhes? Assim é Josephina, que segundo os proprietários, leva esse nome (e pelo visto toda a inspiração do lugar) em homenagem à matriarca da família, avó deles.

Decorada com simplicidade e delicadeza, um certo toque retrô, detalhes que não passam despercebidos de jeito nenhum, com objetos herdados do bisavô inclusive,  a galera que toca o Josephina surpreende.

E esse lugar tem muito mais para revelar a cada conversa ou ambiente pelo qual passamos. Do aconchego das mesas, dos quadrinhos na parede, dos temperos artesanais para levar pra casa, da comida saborosa e confortável, do clima de casa cheia em final de semana e do atendimento impecável.

Dos jogos americanos floridos, dos vasinhos com gérberas, do banheiro rico em detalhes e das mesinhas na área externa, um convite para ganhar horas desfrutando desse aconchego.

Fora a decoração, as delícias e o atendimento, ainda há um detalhe que achei muito bacana e que valoriza o que esse pessoal faz e que indiretamente podemos colaborar quando estamos curtindo nossos momentos especiais por lá: alguns alimentos como as verduras e legumes, vem de uma comunidade onde os pais dos proprietários e alguns colaboradores fazem trabalhos terapêuticos para recuperação de dependentes químicos.

Agora idealizem: um lugar especial, com comidinhas especiais e ligado de verdade à um projeto social, é ou não pra se apaixonar e querer mudar pra Gramado só pra poder ir lá todo dia? Eu queria!

Ah, mais um detalhe… Junto do restaurante tem também uma espécie de mercearia, com compotas, temperos artesanais, molhos, especiarias e outras coisinhas pra gente trazer pra casa um pedacinho dos sabores que experimentamos por lá.

Já faz um tempo que estivemos no Josephina, eu não vejo a hora de “subir a serra” de novo e poder provar um risoto ou os doces deliciosos que eles servem!

Se vocês tiverem oportunidade, conheçam, tenho certeza que não irão se arrepender!

Fica a dica e as coordenadas:

Josephina Café e Restaurante

Rua Pedro Benetti, 22 – Centro, Gramado RS

Funciona de terça à domingo das 11:30 às 23h

Toda quarta: Noite do Risoto e Vinho

(54) 3286-9778

Dica de Livro | Anjos Caídos

Imagem: Acervo Pessoal

Como vocês já perceberam, tenho livros bem atrasadinhos pra resenhar por aqui… Esse é um dos que foi ficando bem pra trás! Não sou muito fã desse tipo de romance, mas de quando em vez dizem que é bom sair da zona de conforto, inclusive nas leituras… Então, tá. Essa é a segunda vez que leio algo sobre anjos, a primeira foi com Angelologia (um livro ótimo, com uma história bonita e delicada em meio ao caos causado por anjos do mal, que não sei porque cargas d’água não escrevi aqui sobre ele!!! ).

Falando mais um pouquinho sobre o livro Angelologia, eu lembro que fiquei encantada com a forma com que o assunto foi abordado, em forma de ficção e mistério, como nesses filmes que a gente assiste em alta tensão e curiosidade.

Passou algum tempo – e eu até procurei outros livros na época com a mesma “pegada literária” de tão bom que achei e o único que encontrei foi esse aí da foto acima: Anjos Caídos. Guardei para ler em um outro momento e quase esqueci dele na prateleira (o que nem é tão estranho assim, visto que o fluxo de livros aqui em casa é intenso, né, vocês sabem bem).

“Havia gigantes na terra naquele tempo e também depois, quando os filhos de Deus tiveram relações com as filhas dos homens e estas lhes deram filhos. Esses gigantes foram os heróis dos tempos antigos, homens famosos.” Genesis 6:4

Anjos Caídos é um livro de ficção policial e de mistério, escrito pela sueca Asa Schwarz e esse é seu terceiro romance. A princípio, nada muito surpreendente, a não ser que vocês realmente curtam uma leitura mais surreal. Me lembrou um pouco os livros do Dan Brown, com enigmas, assassinatos e jogos de poder. Mega empresas envolvidas em crimes ambientais, uma garota – Nova Bakarel – engajada nas atividades do Greenpeace para combater pessoas poderosas que não estão nem aí para o meio ambiente, citações bíblicas, assassinatos pra lá de assustadores, cheios de sinais e pra completar, anjos que se misturaram aos seres humanos e uma ancestralidade que deixa Nova sem saber o que pensar de si mesma e de seu futuro.

A história em si não chega a ser ruim, até prende a gente com um enredo inicial que desperta mesmo a nossa curiosidade. Sempre ficava com vontade de saber os próximos passos, de ler as próximas páginas, hora angustiada pelo perigo que corria a protagonista, ora tentando desvendar os mistérios junto com a escritora, mas lá pelas últimas páginas a história parece se perder um pouco e tive a impressão ela não conseguiu costurar esse final e nos deixa a ver navios (não os do Greenpeace) e a imaginar outros finais. Bem, talvez fosse essa justamente a intenção da escritora, afinal, vai saber?!!

Sinopse via Skoob:

Um grande segredo guardado por milênios está prestes a ser descoberto. Uma geração de anjos caídos, também conhecidos como Nefilim, povoam a terra e lutam, impiedosamente, para evitar que outro dilúvio aconteça e extermine a sua própria espécie. Indiferente a tudo isso, Nova Barakel, uma garota de 19 anos, é uma ativista do meio ambiente empenhada em defender seus princípios. Sua vida toma um rumo inesperado, pois ao mesmo tempo em que tem de lidar com a morte recente de sua mãe, Nova se vê forçada a se esconder da polícia. E, na busca por provar sua inocência, ela se aproxima de mistérios e revelações a respeito da linhagem de sua família que mudarão sua vida para sempre e que a farão questionar tudo em que sempre acreditou.

 

O cenário é Estocolmo e a jovem ativista do Greenpeace, junto com mais dois amigos e uma lista em mãos com os nomes de poderosos donos de industrias incluídos entre os 30 maiores emissores de gás carbônico do planeta está pronta para sua primeira missão: Nova precisa entrar no apartamento de um desses poderosos e deixar um recado, ou melhor, um alerta sobre os crimes ambientais que a empresa dele anda cometendo, levando em consideração que a missão era respaldada pelo Greenpeace, desde que respeitasse as normas da ONG. O que Nova e seus amigos não sabiam é que mais pessoas estavam envolvidas em uma missão parecida, e misteriosamente o que era pra ser apenas um aviso, torna-se um caso de sucessivos assassinatos, todos com uma crueldade sem precedentes e com características semelhantes – seja por algum versículo da bíblia citando o dilúvio ou cenas horripilantes montadas com os corpos assassinados – confesso que essa parte realmente é forte, não deve agradar a todos os leitores – e uma confusão envolvendo Nova e fazendo dela uma das principais suspeitas.

Uma leitura bem diferente do que estou acostumada, veloz, instigante na medida em que queremos desvendar tudo com os personagens, com pitadas de humor, romance e um toque de realidade sobre as crises e os problemas ambientais envolvendo grandes industrias misturada ao surrealismo dos anjos caídos que dão o toque final que toda ficção deve trazer.

Recomendo, não com tanta emoção quanto os últimos livros que andei lendo, mas para quem curte experimentar uma literatura mais cheia de ação, aventura e mistérios.

Só pra constar, comecei a escrever esse post há dois meses atrás e só hoje consegui concluir… Gente, não pode isso, hahaha!!!

É que entre blog, revistas, livros, Facebook, Instagram, Pinterest e toda sorte de distrações (fora a família que está no topo da lista, obvio) eu acabo perdendo o foco fácil, fácil.

Com vocês também é assim? Também se distraem com tanta informação?

Ah, antes de se distraírem, me contem o que andam lendo, tá…

Beijão,

Nas Nuvens | Sobre perdas, saudades… Essas coisas

Imagem: Banksy

Estou voltando de férias hoje, oficialmente… Depois de uma pequena licença para ir pela primeira vez à cidade de São Paulo e participar de um congresso na área do Turismo e conhecer um pedacinho da terra que já foi da garoa, tive mais 15 dias de férias, porém, essas férias foram diferentes, tiveram um gostinho inicialmente amargo e depois, um leve aperto no peito… Desses, que a gente costuma chamar de saudade.

Perdas. Nunca esperadas, por mais que já saibamos. Sempre de surpresa, de supetão, de soco… Um soco seco no ar, no peito, na barriga. As vezes no meio da tarde, entre uma conversa e outra – a notícia. Ou então de madrugada, o telefone toca e você já prevê: notícia ruim passada pelo fio. E o fio da vida se vai, se esvai.

Saudade é sempre uma marca bonita que deixa quem nos deixa. É uma feridinha boa, pois é nossa garantia de lembranças… Volta e meia te cutuca o coração e te faz relembrar momentos bons, alegres, de risadas e de aprendizado. Porque sempre aprendemos algo com eles. Se vão logo e porque já deixaram sua marca no mundo e alguma marca em nós. Saudade é bichinho esperto, sabe bem a hora de aparecer, de dar o ar da sua graça e nos fazer sorrir naquele momento mais difícil.

Luto é como uma parte obrigatória de um contrato escuro, pesado, cinzento. Ele chega amassando a gente, torcendo o coração ou partindo ele em mil caquinhos. Luto é luta perdida, mas necessária. Do luto se abrem as nuvens e o sol aparece pra nos avisar que a vida segue, que a ordem dela é essa mesma, mesmo que aparentemente a nossa vida esteja um caos.

E seguindo a vida, depois de duas perdas significativas em um mês e muitas lembranças boas, além de confirmar a importância da família, da união, de estar não só perto, mas presente, participativa.

Saber que a gente fez o que pode e que nada seria diferente nos liberta. E liberta quem, assim como nós, precisa dessa força.

Agora é tecer a colchinha de retalhos com as pequenas e grandes lembranças que já estavam gravadas na memória e de tempos em tempos, chamá-las à vida, ao riso e finalmente, àquela saudade mais doce, mais leve, menos dura. Essa que faz os raios de sol iluminarem nossos dias e ver a vida com outras cores, além das do arco-íris.

E como dizia minha vó, seguir em frente pensando que “querer é poder”, continuar sonhando, lutando e acreditando. Assim é a vida.

Aqui damos nosso melhor. Precisamos ser bons, precisamos ser gratos. O resto acontece.