Passaporte para um mundo em transformação 

  

Ando ensaiando esse post há alguns dias pra contar pra vocês sobre um evento que estive no sábado do dia 22 de agosto, onde tive a oportunidade de assistir a uma palestra incrível com o historiador Paulo Visentini, aqui em Porto Alegre. É um post curiosidade, que abre um mundo de opções pra gente desbravar, pesquisar em outro momento, “dar um Google”, planejar as próximas viagens…

Compartilhando conosco seu conhecimento e sua visão sobre a influência de mudanças sociais, políticas e econômicas no turismo mundial, Visentini traçou um panorama desde as primeiras guerras até os dias de hoje, nos lugares mais surpreendentes e inesperados para quem costuma não sair da sua zona de conforto quando se trata de turismo.

Organizada pela OP Turismo (antiga e conhecida Ouro e Prata – fundada em 1975, que reformulou sua estrutura, marca e identidade no ano passado e agora trabalha com roteiros de viagem personalizados, de forma a proporcionar vivências únicas a quem contrata seus serviços), em parceria com o Instituto Ling, essa palestra faz parte de um projeto muito interessante chamado Encontros para Viver o Mundo. Uma bagagem riquíssima de cultura, história e arte em eventos como este!

Paulo Visentini, além de obviamente ser um homem bastante viajado, é reconhecido internacionalmente, com um currículo incrível que lhe dá embasamento para compartilhar conosco informações preciosas aliadas à sua experiência de viajante pelo mundo afora, o que nos permitiu absorver dicas únicas sobre destinos que não costumamos imaginar como destinos “turisticos”, mas que agora podem fazer parte dos nossos planos de viagem futuros.

Desde como as guerras influenciaram no modo de viajar, como as necessidades foram surgindo e como os privilégios foram se sobrepondo as necessidades, tudo foi abordado. Ao mesmo tempo, como o turismo de massa chegou e transformou o interesse das pessoas por um turismo simplesmente de deslocamento ao invés de realmente instrutivo, agregador de conhecimento. O turismo de aparências e aquele onde podemos fazer uma verdadeira imersão na cultura, se envolvendo verdadeiramente e com interesse nos costumes locais, no sentimento dos cidadãos do nosso destino. Eu sinceramente prefiro esse modelo de viagem!

Vicentini falou diversas vezes do interesse desinteressado de quem faz viagens rápidas, pacotes no estilo “5 países em 5 dias”, sem o intuito de se aprofundar na cultura, sem se interessar pelas pessoas daquele país que se está visitando, esperando mesmo assim serem atendidos em suas expectativas, muitas vezes egoístas e contrárias à cultura daquele povo, para que no final das contas possa dizer “eu fui”! Sem falar naqueles que por medo do desconhecido, acabam nos Mc Donalds da vida, por exemplo. Eu já fiz isso!

Destinos menos procurados, com uma cultura muito distinta da nossa, como a de alguns países do Oriente Médio, cada vez mais tem se desenvolvido e transformado para receber bem os turistas e mostrar que um novo olhar é possível, que podem ser receptivos e sabem compartilhar sua cultura com quem se interesse por conhece-la. As opções são infinitas, há lugares que nem imaginei que existisse possibilidade de turismo, ou nunca havia ouvido falar, mas estão aí, em qualquer mapa atualizado, para confirmar.

O historiador citou alguns países que me chamaram a atenção:

Coreia do Sul – apesar de ter sido um país basicamente de agricultura e ter vivido um período de guerras e um regime dito democrático, mas com viés ditatorial até meados de 1987, conseguiu se desenvolver e modificar seu cenário econômico,  superar as invasões, se separar da Coreia do Norte, destacando-se mundialmente tanto na economia, na tecnologia, no sedenvolvimento humano, quanto em destino turístico, principalmente após o sucesso das Olimpíadas de Seul.  Hoje eles recebem milhares de turistas, são organizados, mantém suas cidades limpas se destacam nesse cenário.

Irã – país islâmico de civilização originária da antiga Pérsia, do continente Asiático, uma das civilizações mais antigas do mundo; de regime republicano com influência teocrática, tem se modernizado, abrindo suas portas para o turismo, com boas estradas, bons restaurantes, e com uma história riquíssima e interessante. Esse país se destaca pelo avanço no cenário político e social, sendo mais aberto aos demais países, com votação aberta a mulheres (elas podem votar e ser votadas) entre seus parlamentares já se encontra maior diversidade cultural.

Omã – país da península Arabica, de constituição desértica, tem muitas cidades litorâneas. Dubai e Abu Dhaniel estão entre elas. De regime monarquista absoluto, a dinastia Al Sa’id já dura mais de 250 anos. É um país que vem se desenvolvendo, mas ainda tem a tradição islâmica bem arraigada. O petróleo faz com que eles tenham uma economia bastante favorecida, fora ele, Omã depende de acordos de abertura de mercado internacional, o que vem sendo feito aos poucos e colaborando indiretamente para o desenvolvimento do turismo nessa região tambem. 

Claro que existe muito mais a se descobrir, e para isso os livros de história estão aí e nos enriquecem muito mais que o Google ou a Wikipédia. Para quem se interessa por destinos fora da rota comum, vale inclusive procurar pelas publicações de Visentini. 

Essa palestra foi uma experiência incrível pra mim. Fiquei feliz em ter acesso a tanta informação sobre o tema e com vontade de ser aluna dele. Inclusive foi sugerido ao Institudo que o convidasse para um curso mais extenso, tamanho volume de informação que esse tema rende.

Pra quem quiser ficar por dentro dos próximos eventos, acompanhem no Facebook:

Espero que tenham curtido esse tipo de post!

Beijos,

Signature_Nine

Livro de Marcar Livros

 

Essa é uma novidade que talvez nem seja assim tão nova para alguns de vocês, pois já vem sendo divulgada há algum tempo, e que me ganhou desde a primeira vez que tive notícias. Assim que encontrei na Livraria Cultura já trouxe para casa.

O Livro de Marcar Livros é bem mais que um livro, é uma espécie de diário para apaixonados por leitura, ou agenda – onde podemos anotar todos os lançamentos, encontros, noites de autógrafos.

Ele tem um capa que lembra mesmo um diário, uma ilustração em azul com relevo que lembra tecido de agenda, dependendo da foto de divulgação, até engana um pouco – da primeira vez que vi, achei que fosse a propria capa, mas ao vivo se nota o desenho – as páginas tem uma tipografia linda em preto e em azul (mais charmoso ainda), traz um sem-fim de possibilidades de leitura em um outro sem fim de listas que alguns de nós jamais pensaria ler! Mas está lá, atiçando a nossa curiosidade, a nossa vontade de conferir, a nossa gana por mais e mais livros para devorar! Eu não sei se alguém resistiria em não sair preenchendo tudo logo de cara!

Cinco meninas -apaixonadas por livros tanto quanto nós, claro – tiveram essa ideia pela propria necessidade de ter um lugar todo organizadinho e bonito para seus registros de aventuras literarias, uma forma de acompanhar essa paixão sem perder nenhuma informação no caminho, além de poder matar as saudades das impressões que se tem com cada leitura conforme o tempo  passa.

Alba Milena, Grazi Reis, Guta Bauer, Lívia Martins e Mari Dal Chico, da Increasy, com publicação pela Verus Editora, deram forma e cor ao projeto. O resultado é um pouco do que vocês verão nas fotos, mas é muito mais legal ao vivo!

Uma outra coisa bacana nesse “diário literário” são os espaços para anotar nossas citações favoritas e deixá-las registradas pra sempre!

E tem ainda as frases de escritores queridos que aparecem aleatoriamente, que nos encantam e inspiram a mais e mais nos apaixonarmos pela leitura (como se fosse possível não amar livros).

Enfim, eu comecei a preencher alguns itens do diário, a partir do que vou me lembrando, e a fazer mais listas de leitura, principalmente daqueles livros que nunca ouvi falar, de clássicos classudos, de premiados… Como alguém disse por aí, “faltarão anos em minha vida para todos os livros que pretendo ler”!

E bora alimentar essa paixão de um jeito diferente e criativo! Quem mais já se rendeu? 

Se vocês quiserem saber mais algum detalhe que eu não tenha lembrado de falar, me chamem aqui, no Insta ou no Facebook, combinado?

Beijos,

PS: Fotos feitas em um dos meus cafés queridos daqui de POA, Baden Cafés! E livro acompanhado de um dos melhores lattes que já provei na vida! <3

Signature_Nine

 

Inspiração do Dia | A Shadow of Blue

Essa semana tem sido de introspecção e reflexão, embora na correria do dia a dia isso seja quase impossível, é bom reservar um tempo para colocar os pensamentos em ordem, reestabelecer as prioridades da nossa vida e como desejamos vivê-la.

Em um momento de crise política, econômica e socio-cultural, com aumento crescente da violência, tendemos (os mais precavidos, ou menos corajosos, como preferirem) a nos fechar em nossa casca, a ficar mais tempo em casa, a preservar a vida, as opiniões conflitantes, os ideais e num cantinho da memória, guardá-los para quem sabe em um outro momento, mais de paz, a gente tenha a oportunidade de resgatar e ainda aproveitar alguns desses guardados!

Eu sei que há quem prefira o grito, a comoção, a indignação, mas confesso que minha fase agora é outra, já passei… Há tantas coisas que queremos mudar no mundo desde que ele é mundo, que fico pensando, onde vamos parar com tudo isso?! E sempre existem outras possibilidades, outros olhares, outras formas de transformar o mundo sem apelar pro velho e gasto discurso de quem deveria nos representar!

Eu sempre imaginei um lugar onde tudo fosse naturalmente colaborativo, onde os atos fossem espontâneos, a ajuda, espontânea. Onde cada um levasse a sua vida numa boa, de acordo com suas habilidades e também vontades, mas que sempre estivesse disponível para trabalhar envolvido num espírito de coletividade. Claro que há lugares assim, cidades, bairros, aqui ou em outros países, mas no geral, o que vemos é muita pressa, muito imediatismo e muito egoísmo. E a vida passando sem deixar um rastro de esperança…

Então encontrei esse vídeo, e como sempre, os curtas do Lascano vem carregados de significado e reflexão! E agora, deixando meus devaneios um pouco de lado…

Esse vídeo que trouxe hoje para vocês assistirem é mais um curta animado brilhantemente escrito e produzido pelo espanhol Carlos Lascano – Lila também é dele, lembram? – misturando diversos elementos de arte em 12 minutos, que transmite sentimentos para uma vida inteira de reflexões.

Sinopse:

Uma história comovente em que a fantasia e a realidade se fundem para transformar sonhos em realidade. Como a determinação pode se tornar realidade, e como pode desencadear uma fantasia de liberdade inesperada? Pode um mundo frágil de luzes e sombras nos mostrar mais do que uma silhueta desenhada contra a luz do sol?

A Shadow of Blue traz um universo de emoções que se misturam e refletem diretamente em quem assiste. De uma delicadeza e pureza que te abraçam no primeiro minuto, singelo mas determinado do início ao fim, a menina retratada em animação e sombras mostra até onde nossa imaginação é capaz de chegar quando nos presenteados com uma liberdade que vem de dentro de nós, da nossa coragem, do desprendimento que vem depois do sofrimento, da coragem que atravessa obstáculos que parecem gigantes e tem o poder de desemcorajar até o mais forte dos fortes. Do medo que nada mais é que um bichinho pequeno que insiste em se disfarçar de mostro para nos assombrar.

Um curta transformador, restaurador de esperanças e sonhos. Recomendo que assistam com o coração aberto e sintam o aconchego na alma!

Uma inspiradora quarta-feira pra vocês!

 

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Dica de Livro | A Rosa da Meia-Noite

  

“Acho que muita coisa depende de ter expectativas sobre como nossa vida deveria ser.  Quanto menos você  espera, mais contente você é.” (Ari, bisneto de Anahita – pág. 261)

Deixa eu confessar para vocês que esse foi o melhor romance que li nos últimos tempos, ao menos um dos mais bem escritos! Sabem quando a gente fica hipnotizada pelos personagens, pelo enredo, pelo cenário… Quando tudo, cada capítulo prende e nos deixa com aquela sensação de não querer fazer mais nada a não ser avançar e avançar na história pra saber logo o final, mas ao mesmo tempo torce para que o livro não termine jamais? Pois foi esse o sentimento que acompanhou toda a minha leitura de A Rosa da Meia-Noite, da escritora Lucinda Riley.

Lucinda é irlandesa, mas conheceu boa parte do Oriente em viagens de férias com seus pais,  vive entre a Inglaterra e a França, já foi atriz e aproveitou seu conhecimento no mundo da dramaturgia para começar a escrever. No seu currículo já constam mais de 10 livros publicados e entre os últimos, praticamente todos tem estado nas top listas, principalmente aqui no Brasil.

A Rosa da Meia-Noite foi presente de aniversário de uma querida amiga e a princípio ele ficou de lado. Eu já havia cruzado com esse romance nas livrarias por muitas vezes e simplesmente ignorava, com um certo preconceito até, imaginando tratar-se desses romances em série que estão na moda e que definitivamente não me agradam. Me enganei de tal forma que nem consigo pensar no tempo que perdi… Imaginam isso?

São quatro gerações em capítulos que se completam brilhantemente, cenários que passeiam entre India, Inglaterra e França, personagens misteriosos, de personalidade marcante, imponente, forte; e muito bem descritos… Do Império Britânico à Independência da Índia, até os dias atuais, histórias de amor, de amizade, de lealdade, romances que ultrapassaram essas quatro gerações e deixaram um legado que poucos conheceram, mas aqueles que puderam, viveram de forma incrível. Com toda a riqueza e diversidade cultural dos países retratados no romance, o desenvolvimento de cada personagem surpreende pelos detalhes e pelo sincronismo entre gerações até finalmente nos apresentar a história nos dias atuais; ou mesmo a busca incansável por um pedaço perdido dessa história, o lado mais escuro, a maldade disfarçada e regada à jogos de interesses, as peças que o destino pregou: todos esses ingredientes fizeram com que eu devorasse esse romance em alguns dias.

Sinopse:

Atravessando quatro gerações, A Rosa da Meia-Noite percorre desde os reluzentes palácios dos marajás da Índia até as imponentes mansões da Inglaterra, seguindo a trajetória extraordinária de Anahita Chavan, de 1911 até os dias de hoje. No apogeu do Império Britânico, a pequena Anahita, de 11 anos, de origem nobre e família humilde, aproxima-se da geniosa Princesa Indira, com quem estabelece um laço de afeto que nunca mais se romperia. Anahita acompanha sua amiga em uma viagem à Inglaterra pouco tempo antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Ela conhece, então, o jovem Donald Astbury, herdeiro de uma deslumbrante propriedade, e sua ardilosa mãe. Oitenta anos depois, Rebecca Bradley é uma jovem atriz norte-americana que tem o mundo a seus pés. Quando a turbulenta relação com seu namorado, igualmente rico e famoso, toma um rumo inesperado, ela fica feliz por saber que o seu próximo papel – uma aristocrata dos anos 1920 – irá levá-la para muito longe dos holofotes: a isolada região de Dartmoor, na Inglaterra. As filmagens começam rapidamente, e a locação é a agora decadente Astbury Hall. Descendente de Anahita, Ari Malik chega ao País sem aviso prévio, a fim de mergulhar na história do passado de sua família. Algo que ele descobre junto com Rebecca começa a trazer à tona segredos obscuros que assombram a dinastia Astbury.

Anahita, como a centenária indiana e personagem principal dessa história, é a que mais me surpreendeu. Por sua força, determinação, seu conhecimento e acima de tudo, sua resiliência, seu entendimento de que o mundo poderia ser muito bom, mas também muito mau, que algumas coisas poderiam dar certo enquanto outras estavam fadadas ao fracasso, devido suas origens e seu destino. Sua sabedoria e seus dons permitiam que conhecesse os caminhos que ela teria que percorrer na vida.

“Mas tenha cuidado, minha Anni, pois os humanos são complicados e suas almas geralmente têm muitas camadas. Onde você acredita que vai encontrar bondade, talvez encontre o mal também. E onde você enxerga apenas o mal, talvez haja algo de bom.” (Pai de Anahita – pág. 101)

O romance começa narrando a infância de Anahita na Índia, sua amizade com uma princesa e a mudança de vida após essa amizade que vai acompanhá-la em altos e baixo pela vida toda. Dos palácios indianos às mansões na Inglaterra, onde mais uma vez, ao lado da amiga Indira, vai receber a oportunidade de estudar como seu pai sempre a estimulou, o que o destacava em meio à cultura indiana de que apenas os homens devem ter acesso ao conhecimento enquanto as mulheres precisam se tornar boas esposas, mães e donas de casa. Da mãe, Anahita herdou uma sensibilidade e um dom especial para curar feridas do corpo e da alma através da medicina ayurvédica, além de prever alguns acontecimentos futuros, seus e de pessoas próximas. Uma música, em especial, soando em seus ouvidos, não costumava garantir boas noticias.

Assim como ela busca aprimorar esse dom e ajudar os outros, também consegue entender que seu destino é seguir para a Inglaterra, ir em busca de seus sonhos, mesmo que o preço a pagar seja deixar sua mãe na cidade natal e aprender a lidar com a dor da saudade.

“Foi então que comecei a entender que nem todo mundo vivia em uma cidade de conto de fadas cor-de-rosa, com pais amorosos e comida na mesa toda noite. Vi coisas terríveis nessas visitas: pobreza, doença, fome e toda a agonia que um ser humano pode sofrer. Aprendi ainda jovem que a vida não era justa. Foi uma lição que carreguei até o resto de meus dias.” (Anahita, sobre as visitas as vilas pobres que fazia com a mãe – pág. 98)

Enquanto a vida vai seguindo seu curso, Anahita se vê em meio à personalidade forte de sua amiga Indira (acostumada a ter suas vontades atendidas sem muito esforço), às novas companhias que vão surgindo, ao natural descompasso entre a amizade das duas devido ao preconceito da sociedade britânica e a fase adolescente do momento em que vivem; Anahita descobre novos caminhos, novas amizades que independem da sua relação com Indira; conhece um jovem inglês – de família nobre, porém decadente – por quem se apaixona e de quem inicialmente tenta manter-se protegida, alimentando apenas uma agradável amizade. Esse jovem é enviado à guerra na França e eles começam a trocar correspondências, até que ela resolve ajudar no esforço de guerra, atuando nas enfermarias e o reencontra.

No vai e vem dos capítulos, passeando por entre uma e outra geração, surgem personagens que parecem se entrelaçar, mas que ao mesmo tempo parecem não querer interferir no destino. Assim, surgem uma atriz hollywoodiana que lembra ancestrais americanos, uma mansão inglesa em decadência que serve como locação para um filme de época, um descendente mais decadente ainda da dinastia inglesa, Lorde Astbury e o neto de Anahita, Ari Malik, que entra em cena um pouco antes de sua bisavó deixar esse mundo, quando ela lhe dá a missão de reencontrar o filho que ela jura que não está morto. Ari Malik fica com uma difícil decisão nas mãos: dar corda aos desejos da avó morta e ir atrás de seus ancestrais ou não.

O cenário por onde as histórias se desenrolam são encantadores e um belo presente da escritora aos seus leitores, que podem explorar a imaginação com riqueza de detalhes. Apesar de um romance extenso, dividido em várias gerações, ela consegue costurar muito bem as histórias de cada personagem e passear por essas gerações sem nos cansar em suas narrativas.

A Índia caótica e cheia de cor e calor (climático e humano), as festas típicas, os sáris, a ostentação das castas mais altas, os palácios e os costumes que soam estranhos aos nossos costumes. A Inglaterra em sua estrutura hermética, plana, rigorosa, exata,  seus campos, seus lagos, seus castelos com toda imponência, seus personagens aristocratas e suas rotinas em mansões repletas de empregados. Uma França que mesmo em guerra não perde seu charme e a oportunidade de abrir caminho para grandiosos romances.

O fato de o presente se misturar ao passado tão distante fez com que eu não desejasse largar o livro e me atrasasse diversas vezes para o trabalho ou para sair de casa, isso sem mencionar as noites insones…

Uma história linda, um romance com todos os elementos que podemos esperar de uma escritora de muito talento. Um misto de emoções que só fazem com que esse livro mereça estar entre os mais lidos por muito tempo. E eu não dava nada por ele e digo mais uma vez, só o tenho porque ganhei de presente e só resolvi lê-lo porque muitas de vocês insistiram e garantiram que era um bom livro!

Agora não tenho dúvidas sobre o quanto estavam certas e posso agradecer o presente e recomendar a leitura sem nem pensar duas vezes!

Foi pra lista dos favoritos de 2015!

Um beijo grande, uma ótima semana pra vocês!

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